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Sacrosanctum Concilium e a participação dos fiéis na liturgia

São três os atributos ou adjetivos utilizados na Constituição 'Sacrosanctum Concilium' para a participação dos fiéis na Liturgia: ativa, piedosa e consciente, destaca o padre Gerson Schmidt em sua reflexão para o nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso Espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar da reforma litúrgica, trazida pelo evento conciliar.

No programa passado, falamos sobre a importância da formação litúrgica para todos, oportunidade em que ressaltamos que devemos intensificar a preparação de nossas celebrações e caminhar como comunidades celebrativas.

Vimos que já existe uma formação maior de nosso clero na liturgia, assim como também há uma maior participação dos leigos nos ministérios múltiplos.

No programa de hoje, padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, nos traz a reflexão: “Participação piedosa, ativa e consciente na liturgia”.

São três os atributos ou adjetivos utilizados na Constituição Sacrosanctum Concilium para a participação dos fiéis na Liturgia: ativa, piedosa e consciente.

O texto diz assim: “Por isso, a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou expectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, piedosa e ativamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos na palavra de Deus” (SC, 48).

Sabemos que não vai acontecer uma participação ativa dos fiéis que nos pede o concilio Vaticano II, sem uma verdadeira formação permanente dos batizados, ou seja, um catecumenato, tal qual na Igreja primitiva, antes ou depois do batismo.

Muitas vezes se confundiu a participação ativa dos fiéis colocando para o povo em geral partes da missa que se referem exclusivamente ao sacerdote. Cada um deve, na liturgia, fazer tão somente o que lhe compete. Mesmo no silêncio é possível haver a participação ativa, piedosa e consciente. Desde que o fiel saiba o que acontece e como deve se sentir e ser participante na celebração. Entenda-se bem aqui os termos ativa, piedosa e consciente. Tentemos dissecar cada palavra.

Ativa: Na liturgia, não significa que o fiel esteja em todos os momentos atuando de forma oral, labial ou gestual. Participar ativamente também pode ser passivamente, sem fazer nada, mas mergulhado no mistério pascal que se celebra e atualiza no hoje de nossa história, integrando sua vida, sua história, sua cruz, junto ao grande banquete redentor do Senhor. Participação ativa também nos diversos ministérios que a cada um cabe realizar: leitores, acólitos, ministros, cantores...

Piedosa: A piedade na liturgia precisa ser bem entendida, pois não significa ficar rezando orações paralelas, num pietismo vertical e intimista, em tom recolhido, como acontecia antes do Concilio e como vemos alguns fiéis ainda hoje assim procederem, apesar da renovação proposta há 50 anos. Piedosa significa realizar com respeito e dignidade o ato litúrgico no qual participa o fiel, dando ao culto sagrado o verdadeiro valor que lhe é atribuído e merecido. Piedosa aqui, na mentalidade do Concilio, significa com zelo, com amor, com preparo e dedicação, integrando-se ao grande sacrifício atual realizado para nossa salvação.

Consciente: estar ciente de algo é não estar inconsciente, apático e no mundo da lua, alheio à realidade. Na liturgia, celebrar conscientemente é não estar por fora do sentido do ato litúrgico que se celebra. É conhecer e estar mergulhado no que se está celebrando. Ninguém pois ama o que não conhece. Pois, para um cônscia participação litúrgica, é preciso uma formação. Não diria uma formação puramente intelectual, racional, intelectiva. Mas uma formação cristã capaz de integrar o fiel no sacramento que se celebra, fazendo acontecer o Mistério Pascal na sua vida, cada um de nós ressuscitando com Cristo a cada celebração, dentro de uma comunidade celebrativa. Realizar Páscoa com o Ressuscitado. Esse mistério não se dá simplesmente por um conhecimento intelectual, mas existencial, vital, celebrado no meu hoje de cada dia”.

Participação piedosa, ativa e consciente na Liturgia
06 março 2018, 11:18