Versão Beta

Cerca

VaticanNews
"Sem a ação eficaz do «Espírito da Verdade», não se podem compreender as palavras do Senhor" "Sem a ação eficaz do «Espírito da Verdade», não se podem compreender as palavras do Senhor"  (Vatican Media)

Verbum Domini comemora a Verbum Dei

"Após o Concilio houve uma revalorização da Palavra na Igreja e especialmente na Liturgia. A Palavra tem boca, tem rosto, tem casa e tem um caminho". Padre Gerson Schmidt nos fala hoje sobre a atenção à Liturgia destacada na Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de Bento XVI (2010).

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso Espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos tratar no programa de hoje sobre a Exortação pós-sinodal Verbum Domini.

Dentro do tema da reforma litúrgica trazida pela Constituição Sacrosanctum Concilium, tratamos no programa passado deste nosso espaço sobre a valorização da Palavra e do Ambão (Mesa da Palavra), proposta pelos Padres conciliares.

No programa de hoje, o padre Gerson Schmidt que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, nos fala sobre a Exortação Verbum Domini, do Papa Bento XVI, que também chama a atenção para a importância a ser dada à Liturgia sagrada:

“Após o Concilio houve uma revalorização da Palavra na Igreja e especialmente na Liturgia. A Palavra tem boca, tem rosto, tem casa e tem um caminho.

Foi essa comparação belíssima utilizada pelos bispos reunidos no Sínodo de 2008 – celebrando o aniversário dos 40 anos da Dei Verbum. Depois de cada sínodo, o Sumo Pontífice redige uma Exortação Apostólica pós-sinodal.

 

Essas iluminadoras imagens aparecem na Verbum Domini, escrita pelo Papa Bento XVI. Nessa exortação Verbum Domini, diz assim: “Considerando a Igreja como casa da Palavra, deve-se antes de tudo dar atenção à Liturgia sagrada” (Verbum Domini, 52).

Por isso, frente a essa resposta do homem a Deus amoroso e amigo que se revela pela sua Palavra, na Verbum Domini, o Papa Bento XVI escreve dessa forma: 

“Nesta perspectiva, todo o homem aparece como o destinatário da Palavra, interpelado e chamado a entrar, por uma resposta livre, em tal diálogo de amor. Assim Deus torna cada um de nós capaz de escutar e responder à Palavra divina. O homem é criado na Palavra e vive nela; e não se pode compreender a si mesmo, se não se abre a este diálogo. A Palavra de Deus revela a natureza filial e relacional da nossa vida. Por graça, somos verdadeiramente chamados a configurar-nos com Cristo, o Filho do Pai, e a ser transformados n’Ele”(Verbum Domini, 22).

Mas essa resposta não é de qualquer jeito. O Papa Bento recordava a necessidade do Espírito Santo para a interpretação correta das Escrituras:

“Conscientes deste horizonte pneumatológico, os Padres sinodais quiseram lembrar a importância da ação do Espírito Santo na vida da Igreja e no coração dos fiéis relativamente à Sagrada Escritura: sem a ação eficaz do «Espírito da Verdade» (Jo 14, 16), não se podem compreender as palavras do Senhor. (...) Os grandes escritores da tradição cristã são unânimes ao considerar o papel do Espírito Santo na relação que os fiéis devem ter com as Escrituras. São João Crisóstomo afirma que a Escritura «tem necessidade da revelação do Espírito, a fim de que, descobrindo o verdadeiro sentido das coisas que nela se encerram, disso mesmo tiremos abundante proveito». Também São Jerônimo está firmemente convencido de que «não podemos chegar a compreender a Escritura sem a ajuda do Espírito Santo que a inspirou». Depois, São Gregório Magno sublinha, de modo sugestivo, a obra do mesmo Espírito na formação e na interpretação da Bíblia: «Ele mesmo criou as palavras dos Testamentos Sagrados, Ele mesmo as desvendou».  Ricardo de São Víctor recorda que são necessários «olhos de pomba», iluminados e instruídos pelo Espírito, para compreender o texto sagrado”(Verbum Domini, 16).

A Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini, do Papa Bento XVI, reutiliza também essa imagem da Palavra que tem um rosto: Jesus Cristo. 

O Papa, agora emérito, lembra nesse documento uma expressão forte dos Padres da Igreja, com P maiúsculo, entendendo os primeiros Santos do início do Cristianismo: O Verbo abreviou-Se.

Esse termo os Padres da Igreja tiraram do livro do Profeta Isaías, repetida pelo próprio São Paulo, que diz: “O Senhor compendiou a sua Palavra, abreviou-a” (Is 10, 23; Rm 9, 28). O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que coube numa manjedoura - diz o Papa. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós». E conclui Bento XVI: Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré”.

Verbum Domini comemora Dei Verbum

 

21 março 2018, 09:20