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Igreja em Chaem, Camboja Igreja em Chaem, Camboja  (AFP or licensors)

A importância de um catecumenato para a participação ativa dos fiéis

"Não vemos aqui outra maneira de que os fiéis possam se adentrar nesses mistérios sagrados, numa cadenciada pedagogia mistagógica da fé, cada vez mais profunda, sem um verdadeiro, sério e gradual processo catecumenal de formação cristã, como tem pedido as atuais diretrizes da CNBB".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a reforma litúrgica, destacando hoje, "a importância de um catecumenato para participação ativa" dos fiéis na liturgia.

Na edição passada deste nosso espaço, falamos sobre três atributos utilizados na Constituição Sacrosanctum Concilium para a participação dos fiéis na Liturgia: ativa, piedosa e consciente. O Padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, tratou de cada um destes aspectos. No programa de hoje, o sacerdote incardinado na arquidiocese de Porto Alegre, nos fala sobre "a importância de um catecumenato para participação ativa" dos fiéis na Liturgia:

"Falamos na oportunidade anterior que são três os atributos ou adjetivos utilizados na constituição dogmática Sacrosanctum Concilium para a participação dos fiéis na Liturgia: ativa, piedosa e consciente. Explicamos cada adjetivo, dentro da perspectiva do Concílio. Dissemos que para um cônscia participação litúrgica, é preciso uma formação, não puramente intelectual, racional, intelectiva.

Mas uma formação cristã capaz de integrar o fiel no sacramento que se celebra, fazendo acontecer o Mistério Pascal na vida, no momento atual de cada um e da comunidade que celebra, cada qual ressuscitando com Cristo a cada liturgia. Realizando Páscoa com Ele, com o Ressuscitado.

De fato, essa participação ativa, piedosa e consciente – alguns documentos falam de frutuosa - não acontecerá em nossas paróquias e comunidade de comunidades, enquanto não houve uma formação cristã séria, sistemática, gradual, dinâmica, por etapas.

Para isso, assim se expressa na Constituição Sacrosanctum Concilium, no número 64:  “Restaure-se o catecumenato dos adultos, com vários graus, introduzindo-se seu uso segundo o parecer do Ordinário do lugar, de modo que o tempo do catecumenato, dedicado à conveniente instrução, possa ser santificado por meio de ritos sagrados que se hão de celebrar em ocasiões sucessivas”.

Não vemos aqui outra maneira de que os fiéis possam se adentrar nesses mistérios sagrados, numa cadenciada pedagogia mistagógica da fé, cada vez mais profunda, sem um verdadeiro, sério e gradual processo catecumenal de formação cristã, como tem pedido as atuais diretrizes da CNBB.

Há vários anos, todas as diretrizes da ação Pastoral da Igreja do Brasil falavam da formação cristã de novos discípulos missionários. Depois de vários anos, sempre propondo uma decisiva formação aos fiéis, os bispos do Brasil, reunidos em Assembleia Geral, trazem de bandeja, para todas as dioceses, uma proposta de um catecumenato diocesano, embasado no RICA – uma proposta catequética integrada, sistemática, litúrgica e progressiva para crianças, jovens e adultos.

Através do documento número 107, a CNBB lança proposta a ser implantada sobre iniciação à vida cristã, aprovada na 55ª Assembleia Geral. O documento oferece novas disposições pastorais para a iniciação à vida cristã, presente nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora desde 2011. Para os bispos, a dedicação em torno da temática revela o propósito de “buscar novos caminhos pastorais e reconhecer que a inspiração catecumenal é uma exigência atual”.

Ela permitirá formar discípulos conscientes, atuantes e missionários. Sabemos que para acontecer esse precioso projeto em nossas paróquias, é necessário um requisito fundamental: a conversão de cada evangelizador e catequista".

A importância de um catecumenato para participação ativa" dos fiéis na liturgia

 

07 março 2018, 09:43