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Tratamentos Paliativos: em todos os lugares e para todos

Dom Vincenzo Paglia fala dos tratamentos paliativos, que ajudam a medicina a redescobrir a sua vocação humanística na defesa da dignidade de cada pessoa em qualquer condição que se encontre.

Cidade do Vaticano

Na manhã do dia 28/02, o Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vincenzo Paglia, saudou todos os participantes do congresso internacional (Palliative Care: Everywhere & by Everyone. Palliative care in every region. Palliative Care in every religion or belief) do projeto PAL-LIFE, dedicado à difusão e desenvolvimento dos tratamentos paliativos nas diversas áreas do mundo. 

Tratamentos paliativos

Segundo Dom Paglia, a Pontifícia Academia para a Vida refletiu no passado sobre os tratamentos paliativos, porém notou a necessidade de  continuar os estudos, visto que seus membros estão convencidos que ocorre uma verdadeira  mudança na perspectiva de superar um grande equívoco conceitual e linguístico muito difundido sobre os tratamentos paliativos. “Se trata de por foco e inserir no horizonte da medicina, que hoje dispõe de instrumentos potentes e eficazes, a derrota de muitas doenças e a melhoraria significativa do estado de saúde. 

Paliativo não é sinônimo de inutilidade 

 

A grande preocupação da Academia é que dentre muitos equívocos que se observam, existe o  excesso de tratamento que causam inúteis sofrimentos. Em resumo, fazer todo o possível pode significar fazer demais e cair em um excesso que prejudicar o paciente. Fazer de mais não significa fazer o melhor. 

“Os tratamentos paliativos ajudam a medicina a redescobrir a sua vocação humanística na defesa da dignidade de cada pessoa em qualquer condição que se encontre. É importante uma precisão para dissipar o equivoco presente sobretudo em algumas áreas linguísticas, segundo o qual os tratamentos paliativos são um outro nome para dizer eutanásia”. 

Combatendo uma ideia errada dos tratamentos paliativos, Dom Paglia fala da importância de uma via para reduzir o pedido de morte e por um acompanhamento que vise colaborar junto a médicos de diversas disciplinas, familiares e o próprio doente. 

“ Em realidade devemos favorecer uma cultura médica que veja na intervenção curativa e naqueles paliativos duas faces da mesma moeda ”

O chamado a integrar-se em uma colaboração e a unidade em cuidar do doente em senso total, também em contexto domiciliar. É assim que se combate o equívoco de entender paliativo como inútil e ineficaz”.    

Os tratamentos paliativos como colaboração  

 

Cada homem, cada mulher, em qualquer condição que se encontre, é sempre digno de atenção. Mais ainda, é um direito. E devemos todos redescobrir o sentido de dívida de atenção que temos uns com os outros. Daqui a obrigação moral de ter cuidado com o outro em todas as suas dimensões, sejam corporais que espirituais.

E mais uma vez reforça que as “ações dos tratamentos paliativos – através do envolvimento dos médicos das diversas disciplinas, dos familiares e dos amigos ao redor do doente -  não somente cumpre uma alta obra humanitária, mas contribui para a reconstrução de uma cultura solidária indispensável em um mundo globalizado. 

Por fim, Dom Paglia recorda os ensinamentos constantes de Papa Francisco sobre combater a cultura do descarte: é urgente, em um mundo onde o individualismo e o amor por si mesmos ganham sempre mais terreno,  afirmar uma cultura que tenha cuidado de uns com os outros. É o único modo para derrotar a cultura do descarte, como ama dizer Papa Francisco, que está desumanizando este nosso mundo”.  

O Projeto PAL-LIFE é um grupo de estudos criado pela Pontifícia Academia para a Vida no ano de 2017, após as palavras do Papa Francisco.  Seu principal objetivo é favorecer o desenvolvimento e a difusão dos tratamentos paliativos no mundo e a promoção de uma cultura de acompanhamento dos mais vulneráveis e de quem está para enfrentar os últimos trechos da sua vida. 

28 fevereiro 2018, 12:22