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Papa à Venezuela: seguir o exemplo do médico dos pobres pela paz e reconciliação nacional

Uma mensagem de vídeo especial aos venezuelanos que, nesta sexta-feira (30), finalmente vão ver concretizada a beatificação de Dr. José Gregorio Hernández. O Papa Francisco expressou palavras de júbilo pela ocasião, mas também de encorajamento ao povo tão sofrido, sobretudo com o agravamento da pandemia: “precisamos sempre da reconciliação, da mão estendida”, disse o Pontífice, que compartilhou o forte desejo de visitar o país.

Andressa Collet - Vatican News

Os sinos de todas as Igrejas e capelas da Venezuela devem repicar na manhã desta sexta-feira (30) em júbilo à beatificação do “médico dos pobres” na Igreja de La Sale, em Caracas. O convite ao povo de Deus para agradecer o trabalho do Dr. José Gregorio Hernández está sendo feito pela Conferência Episcopal do país.

A grande expectativa desde a Venezuela até o Vaticano

Por ocasião do rito litúrgico de beatificação, o Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo em língua espanhola dirigida à Igreja local e à população da Venezuela. O Pontífice disse saber do entusiasmo de todo o país pela chegada desse momento que é esperado há tantos anos:

“Confesso a vocês que não encontrei um venezuelano, aqui no Vaticano, seja na praça, seja em audiência privada, que, no meio da conversa, no final, não dissesse: quando é a beatificação de Gregorio? Eles o mantiveram na alma. Bem, agora esse desejo está sendo realizado.”

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O Dr. José Gregorio, continuou o Papa, se oferece como modelo de valores cristãos, já “que fez do Evangelho o critério da sua vida” ao observar os mandamentos, participar diariamente da Eucaristia e dedicar tempo à oração. Um homem de fé e ciência, “a serviço da saúde e do ensino”, enfim, “um modelo de santidade comprometido com a defesa da vida” e que serviu a todos, “como um Bom Samaritano, sem excluir ninguém”.

O que é lavar os pés uns dos outros?

O Papa reiterou que o trabalho do médico foi realizado “a partir do exemplo que Cristo nos deixou durante a Última Ceia, quando lavou os pés dos seus discípulos e de todos porque amava todos”. Isso porque, continuou Francisco, o Senhor nos exorta a sermos sujeitos ativos no serviço, mas também a termos a humildade de lavar os pés dos outros:

“E o que é hoje esse lavar os pés uns dos outros, eu me pergunto, para todos nós e, especificamente, para vocês, que hoje celebram a beatificação deste grande lavador de pés? Por exemplo, significa se acolher, receber uns aos outros, ver o outro como um igual, alguém como eu, sem desprezar: não desprezar ninguém. É também servir uns aos outros, estar disposto a servir, mas também deixar que outros nos ajudem, nos sirvam: ajudar e deixar que nos ajudem. Um outro exemplo é perdoar uns aos outros, porque devemos perdoar e permitir que nos perdoem, sentirmo-nos perdoados. Em última análise, lavar os pés uns dos outros é amar uns aos outros.”

O Papa então se deteve à importância de nos perdoar e de nos deixarmos ser perdoados, porque “não somos autônomos, que não precisamos de nada, nem mesmo de perdão. Todos precisamos de ajuda, todos. Todos nós precisamos de perdão”. Um caminho percorrido inclusive pelo Beato, celebrado hoje na Venezuela num período difícil para o povo, disse Francisco, com angústias e sofrimentos agravados pela pandemia:

“Esta mesma pandemia, que hoje afeta esta grande festa de fé da beatificação e que a reduz para evitar contágios por razões de segurança, de saúde, coloca todos nós dentro de casa, não nos permite sair às ruas para celebrar, gritar, não, porque a pandemia é perigosa. […] E assim como conheço bem o sofrimento, também conheço a fé e as grandes esperanças do povo venezuelano.

Recuperar a Venezuela com unidade nacional

Em meio a tantas dificuldades, o Papa encorajou novamente a seguir o “exemplo de serviço altruísta” do médico dos pobres, se reconhecendo “como iguais, como irmãos, como filhos da mesma Pátria”. Com a beatificação do Dr. José Gregorio, Francisco afirmou que Deus está concedendo uma bênção especial ao país e convidando “à conversão para uma maior solidariedade uns com os outros, para produzir juntos a resposta do bem comum tão necessária para que o país ressuscite, renasça depois da pandemia com espírito de reconciliação”. Em qualquer contexto de dificuldade, seja em casa ou na sociedade, lembrou o Pontífice, “precisamos sempre da reconciliação, da mão estendida!”:

“Acredito sinceramente que este momento de unidade nacional, em torno da figura do médico do povo, constitua um momento especial para a Venezuela e exige de vocês ir mais longe, dando passos concretos em favor da unidade, sem se deixarem vencer pelo desânimo. [...] Rezo a Deus pela reconciliação e pela paz entre os venezuelanos. Eu gostaria de visitá-los.”

Um desejo que o Papa repetiu por duas vezes na mensagem em vídeo, enaltecendo que também está rezando para que o Beato inspire as instituições públicas, para que “ofereçam segurança e confiança a todos”, e todos os líderes do país para que se comprometam a “alcançar a unidade".

“Busquemos o caminho da unidade nacional, e isso é para o bem da Venezuela. Uma unidade operacional na qual todos, com seriedade e sinceridade, começando pelo respeito e reconhecimento mútuo, colocando o bem comum acima de qualquer outro interesse, trabalhem pela unidade, paz e prosperidade, para que o povo possa viver com normalidade, produtividade, estabilidade democrática, segurança, justiça e esperança. Rezo para que, todos juntos, possamos recuperar aquela Venezuela na qual todos sabem que têm um lugar, na qual todos podem encontrar um futuro. E peço ao Senhor que nenhuma intervenção externa impeça vocês de percorrer esse caminho de unidade nacional. Como eu gostaria de poder visitá-los.”

29 abril 2021, 16:00