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Vigília de oração da JMJ no Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013 Vigília de oração da JMJ no Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013  Em Destaque

Encontrar o tempo para a adoração

Em destaque, a atividade do Papa e da Santa Sé. Francisco pronunciou a primeira homilia do ano na Casa Santa Marta. Recordamos também o Angelus e a Missa na Solenidade da Epifania e as palavras por ocasião da oração mariana de domingo, 5 de janeiro

Sergio Centofanti - Cidade do Vaticano

Na terça-feira, 7 de janeiro, as Igrejas orientais católicas e as Igrejas ortodoxas que seguem o calendário juliano celebram o Natal. Elas receberam, de coração, as felicitações do Papa Francisco. A unidade dos cristãos é um dom de Deus, mas, como todos os dons, nossa tarefa é acolhê-los, mesmo na dureza dos nossos corações, que continuam vendo mais as coisas que dividem do que as que nos unem (mesmo entre nós católicos).

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Somos duros de coração, mas o verdadeiro risco é o de não nos darmos mais conta disso.  O Papa falou a esse respeito na primeira homilia do ano na Casa Santa Marta. O perigo para nós cristãos é a inconsciência de viver a fé com o espírito do mundo e não com o Espírito de Deus. Cristãos de nome, pagãos de fato. É cair na corrupção, que é pior do que o pecado:

“O pecado não o distancia de Deus se você se dá conta e pede perdão, mas o espírito do mundo o faz esquecer o que é o pecado” e o faz crer que se pode fazer tudo. Ao invés, “o Espírito Santo o conduz a Deus e se você peca o Espírito Santo o protege e ajuda-o a levantar-se, mas o espírito do mundo leva-o à corrupção, a tal ponto que você não sabe distinguir o que é bom e o que é mau: é tudo a mesma coisa, tudo é igual.”

Por isso, o Papa convida a encontrar tempo ao longo do dia para o exame de consciência: para entender o que se move em nosso coração, pedindo a graça de compreender se nos move o Espírito de Deus ou o espírito do mundo.

Devemos saber dar nosso tempo a Deus. Nosso cotidiano é regularmente frenético, mas é necessário encontrar tempo para a adoração. O Papa, na Missa da Epifania, recorda que podemos fazer duas escolhas: a de Herodes e a dos Magos.

O ser humano, como Herodes, quando não adora a Deus, adora a si mesmo. Pode acontecer também na vida cristã, quando se torna uma forma educada de se louvar a si mesmo e à própria habilidade, ou se serve de Deus, em vez de servir a Deus.

O Magos deixam a sua terra, saem de si mesmos para encontrar e adorar a Deus: “A fé não se reduz a um belo conjunto de doutrinas, mas é a relação com uma Pessoa viva, que devemos amar”, disse o Papa.

Adorar a Deus, então, se torna um “redescobrir-nos irmãos e irmãs diante do mistério do amor que supera toda distância”. A fé cristã não aumenta as distâncias, as diminui, até eliminá-las, como fez Deus que desceu do céu para fazer-se próximo de nós.

Mas nós encontramos o tempo para estar próximos d’Ele? Costumamos rezar sem adorar, sempre centralizados em nós mesmos, distantes de Deus. É tempo de adorar: é a oração que nos aproxima de Deus porque O coloca no centro do nosso coração.

Quem está com Jesus não é mais o mesmo: o encontro com Ele muda. O Papa, no Angelus da Epifania reiterou isso, “não somos mais aqueles de antes”: “Toda experiência de encontro com Jesus nos induz a empreender caminhos diferentes, porque d’Ele provém uma força boa que cura o coração e nos separa do mal”, nos liberta da maldade.

A palavra “mau” nos recorda quem está por trás: “captivus diaboli”, “prisioneiro do diabo”. O combate da fé é deixar-se libertar das suas seduções. Francisco recorda mais uma vez os verdadeiros ídolos, aqueles que aprisionam o coração: o deus dinheiro, o deus prazer, o deus sucesso, o nosso eu erigido a deus. Se olharmos para dentro de nós com sinceridade, veremos como é difícil simplesmente querer ser libertados dos ídolos que ocupam nossa alma.

A verdadeira liberdade é amar. No Angelus de domingo, 5 de janeiro, o Papa recorda o projeto de Deus para nós: tornar-nos seus filhos em Jesus, santos no amor. Um projeto de alegria infinita. Não é uma fábula, diz Francisco, é a verdade sobre o sentido da vida: “O Evangelho de Cristo não é um mito, uma narração edificante. O Evangelho de Cristo é a revelação plena do desígnio de Deus sobre o homem”.

É uma mensagem “simples e grandiosa” que somos chamados a anunciar, apesar da nossa fraqueza: ao menos utilizando o estilo de Deus e não o nosso, a misericórdia e não o espírito de acusação e de condenação.

Por fim, o grito de paz do Papa diante das terríveis tensões internacionais dos últimos dias: “A guerra traz somente morte e destruição”, disse. Os poderosos da terra têm uma grande responsabilidade diante de Deus e da humanidade.

07 janeiro 2020, 15:03