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Papa Francisco com os jesuítas num encontro no Vaticano Papa Francisco com os jesuítas num encontro no Vaticano  (ANSA)

Francisco: preferências apostólicas dos Jesuítas em sintonia com as prioridades da Igreja

Promover o discernimento e os exercícios espirituais. Caminhar com os excluídos. Acompanhar os jovens no caminho e cuidar da Casa comum. Essas são as preferências apostólicas universais da Companhia de Jesus para a próxima década 2019-2029.

Cidade do Vaticano

As preferências apostólicas universais escolhidas “estão em sintonia com as prioridades apostólicas da Igreja expressas através do magistério ordinário do Papa, dos Sínodos e das Conferências Episcopais, sobretudo a partir da Exortação apostólica Evangelii Gaudium”. É o que afirma o Papa Francisco na recente carta endereçada ao prepósito-geral da Companhia de Jesus, pe. Arturo Sosa.

Foi tomado um “discernimento dinâmico e não de biblioteca ou de laboratório”, afirma o Pontífice na missiva. As preferências são quatro: discernimento e exercícios espirituais, caminhar com os pobres e os excluídos, acompanhar os jovens, e cuidar da Casa comum.

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“A primeira preferência é fundamental porque pressupõe como primeira condição a relação do jesuíta com o Senhor, a vida pessoal e comunitária de oração e discernimento”, ressalta ainda Francisco.

As preferências apostólicas são horizontes

As preferências apostólicas são fruto de um processo de discernimento que durou quase dois anos. Representam “quatro âmbitos vitais” para o mundo de hoje.

Conforme lembrado recentemente pelo pe. Sosa, as preferências apostólicas inspiram os jesuítas “no discernimento e no planejamento apostólico”. São pontos de referência, horizontes e orientações para toda a Companhia. Acentuam o modo em que os jesuítas podem “utilizar melhor os meios de que dispõem para servir a missão reconciliadora de Cristo no mundo”.

Elas são a resposta da Companha de Jesus às necessidades da Igreja. Numa sociedade marcada por mudanças profundas, as preferências são estabelecidas “através da análise sociopolítica, a reflexão teológica e pastoral e o discernimento”. Para os próximos dez anos foram escolhidas quatro preferências, confirmadas pelo Papa Francisco.

Promover o discernimento e os exercícios espirituais

“O discernimento”, afirmou pe. Sosa ilustrando dias atrás as quatro preferências apostólicas, “é uma necessidade para a Igreja”. “Os exercícios espirituais são um caminho preferencial para os jesuítas”, acrescentou. É também fundamental, em relação aos exercícios, tomar o caminho da criatividade. “Devem ser encontradas novas formas a fim de que os exercícios sejam adaptados a vários grupos, realidades e contextos”, frisou ainda o prepósito-geral dos Jesuítas.

Caminhar com os excluídos

“Caminhar com aqueles que são descartados significa aproximar-se do mundo dos pobres, ir às periferias, ir ao encontro das pessoas”, frisou ainda pe. Sosa.

“Queremos tomar um caminho para promover a justiça social. Queremos promover a mudança das estruturas econômicas, políticas e sociais que causam injustiças. Queremos eliminar da vida da Igreja e da sociedade a chaga dos abusos. “Um drama que se manifesta de várias formas, dentre as quais abuso sexual e de poder”, sublinhou ainda o religioso.

Caminhar com os jovens também significa olhar o mundo a partir de sua perspectiva. “Os jovens podem ajudar a compreender as mudanças da sociedade, a entender o sentido de uma nova cultura. Portanto, é preciso “abrir espaços aos jovens, à sua criatividade”. Pe. Sosa indicou também outra prioridade: é preciso aprender com os jovens.

Cuidar da Casa comum

A quarta preferência diz respeito à Casa comum. “É preciso participar de ações urgentes capazes de deter e conter a deterioração do meio ambiente. Também devemos buscar fórmulas alternativas”, afirmou ainda pe. Sosa.

“Para dar respostas a essas preferências, o grande desafio é o da colaboração. É precisamente a colaboração um ponto forte do nosso agir”, concluiu o prepósito-geral dos jesuítas.

19 fevereiro 2019, 13:47