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Papa com a Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais Papa com a Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais  (Vatican Media)

Papa: semente da unidade continua a ser regada pelo sangue dos mártires

"O Oriente Médio deve se tornar uma terra de paz, não pode continuar a ser um campo de batalha. Que a guerra, filha do poder e da miséria, dê lugar à paz, filha do direito e da justiça, e também nossos irmãos cristãos sejam reconhecidos como cidadãos a pleno título e com direitos iguais”, disse o Papa aos membros da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira no Vaticano, a Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, que  reúne-se anualmente durante uma semana, para tratar de diversos temas. No ano passado, o encontro foi realizado na Sede de Santa Etchmiadzin, a convite da Igreja Apostólica Armênia. Inicialmente pronunciou-se o bispo Kyrillos, novo co-presidente da Comissão. Seguiu-se o pronunciamento do Papa Francisco.

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“Como é bom e agradável para irmãos viverem unidos”. Com este versículo do Salmo 133, o Santo Padre abriu seu pronunciamento, saudando e agradecendo os presentes pelos esforços para “caminhar nos caminhos da unidade e a fazê-lo com espírito fraterno”. Uma saudação extensiva também aos “veneráveis e queridos irmãos, líderes das Igrejas Ortodoxas Orientais”.

Deus é comunhão de amor

 

Os trabalhos desta 16ª sessão refletiram sobre o Sacramento do Matrimônio. “Rezo e vos encorajo - foram os votos do Pontífice - para que a atual reflexão sobre os Sacramentos possa ajudar-nos a prosseguir o percurso rumo à plena comunhão, rumo à celebração comum da santa Eucaristia. Gosto de pensar no que afirma o Livro do Gênesis: Deus criou o homem à sua imagem, criou o homem e a mulher. O homem é plenamente a imagem de Deus não quando está sozinho, mas quando vive na comunhão estável de amor, porque Deus é comunhão de amor”.

“Estou certo de que o vosso trabalho, realizado em um clima de grande concórdia – acrescentou -  irá em benefício da família dos filhos de Deus, da Esposa de Cristo, que desejamos apresentar ao Senhor sem manchas, nem rugas, sem feridas e sem divisões, mas na beleza da plena comunhão”.

Igrejas do Oriente Médio provadas pela guerra

 

Recordando que muitos dos presentes “pertencem à Igreja no Oriente Médio, terrivelmente provada pela guerra, pela violência e pelas perseguições”, o Papa referiu-se ao recente encontro realizado em Bari, onde líderes de diversas Confissões reuniram-se para rezar pela paz e refletir sobre a situação no Oriente Médio, “experiência que espero possa ser repetida”:

Desejo assegurar a todos os fiéis do Oriente Médio minha proximidade, meu pensamento constante e a minha oração, para que aquelas terras, únicas no plano salvífico de Deus, após a longa noite de conflitos, possam vislumbrar um alvorecer de paz. O Oriente Médio deve se tornar uma terra de paz, não pode continuar a ser um campo de batalha. Que a guerra, filha do poder e da miséria, dê lugar à paz, filha do direito e da justiça, e também nossos irmãos cristãos sejam reconhecidos como cidadãos a pleno título e com direitos iguais”.

Semente da comunhão regada pelo sangue dos mártires

 

“As vidas dos muitos santos de nossas Igrejas são sementes de paz lançadas naquelas terras e florescidas no céu”, disse o Papa. “E de lá nos sustentam no caminho rumo à plena comunhão, caminho que Deus deseja, caminho que pede para seguir não segundo as conveniências do momento, mas dócil à vontade do Senhor: que todos sejam um”:

“Ele nos chama, cada vez mais, ao testemunho coerente da vida e à busca sincera da unidade. A semente desta comunhão, também graças ao vosso precioso trabalho, brotou e continua a ser irrigada pelo sangue das testemunhas da unidade, por tanto sangue derramado pelos mártires do nosso tempo: membros de Igrejas diferentes que, unidos pelo comum sofrimento pelo nome de Jesus, agora compartilham a mesma glória”.

Após conceder a sua bênção ao final do encontro, cada um dos presentes rezou a oração do Pai Nosso na própria língua.

 

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Encontro do Papa com a Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais
01 fevereiro 2019, 11:22