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Viagem do Papa à Suíça no signo do ecumenismo Viagem do Papa à Suíça no signo do ecumenismo  (ANSA)

Devemos perseverar na prática do ecumenismo, exorta membro do CMI

O pastor e teólogo Dr. Walter Atmann, membro do Conselho Mundial de Igrejas, destacou ao Vatican News, que a visita do Papa Francisco dará um impulso significativo à cooperação ecumênica, ao mesmo tempo em que deverá intensificar os laços institucionais já existentes entre o Vaticano e o CMI.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco vai a Genebra nesta quinta-feira, 21 de junho, por ocasião dos 70 anos de fundação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

O organismo – que já foi visitado por Paulo VI em 1969 e por João Paulo II em 1984 – é a mais ampla e inclusiva expressão organizada do movimento ecumênico, enquanto organização mundial com o número mais alto de Igrejas membro.

O CMI reúne, de fato, 345 comunidades cristãs de mais de 110 países e compreende luteranos, reformados, anglicanos, metodistas, batistas, ortodoxos, além de outras denominações cristãs. No total, representa mais de 500 milhões de fiéis em todo o mundo. A Igreja Católica não é membro pleno, mas participa de dois organismos do CMI.

 

Atualmente, as ações do CMI são centradas em três áreas programáticas: unidade, missão e relações ecumênicas; testemunho público e diaconia; formação ecumênica.

Diversos brasileiros estão presentes em Genebra por ocasião da viagem do Santo Padre. Entre eles, o teólogo e pastor luterano Dr. Walter Altmann, que representou o CMI no Sínodo da Família, realizado em outubro de 2015. Ele falou ao Vatican News, sobre o significado desta visita:

“Trata-se de mais uma clara afirmação do compromisso ecumênico da Igreja Católica e do Papa Francisco e, ao mesmo tempo, um igualmente claro reconhecimento do papel histórico fundamental desempenhado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) no movimento ecumênico”.

Quais as expectativas para a visita e que frutos se pode esperar para o diálogo ecumênico?

“Sem dúvida, haverá um impulso significativo à cooperação ecumênica mundo afora. É de se esperar também a intensificação dos laços institucionais já existentes entre o Vaticano e o CMI. A Igreja Católica Romana, embora não seja membro pleno do CMI, exerce membresia plena na Comissão de Fé e Ordem e na Comissão de Missão Mundial e Evangelismo, organismos do CMI, mas que inclusive precederam à criação do CMI em 1948”.

A primeira "atividade" em Genebra no dia 21, será a Oração Ecumênica. Ou seja, a exemplo de Lund, começa-se pela Oração. Qual o significado disto?

Atualmente a cada ano realiza-se em todo mundo a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. O início dessa prática se deu já no começo do século 20, portanto bem antes da constituição do CMI e da realização do Vaticano II. Isso tem também um bom sentido teológico e espiritual: a unidade almejada não provém primordialmente de esforços e projetos humanos, mas da ação do próprio Deus. Assim, da prática da oração derivam os atos concretos de cooperação. Por isso, na visita do Papa Francisco ao CMI, o primeiro será nos unirmos em oração”.

Quais campos mais abertos atualmente para uma ação conjunta entre o Conselho Mundial de Igrejas e a Igreja Católica?

“Aos 70 anos de existência, o CMI tem entendido toda sua programação como uma peregrinação na paz e na justiça. Nisso há uma perfeita sintonia com objetivos do peregrinar da Igreja Católica. Nesse campo há muitas áreas de cooperação já existente ou possível. Menciono, por exemplo, atenção a refugiados, direitos humanos, voz profética em favor da paz, cuidado da criação, denúncia de estruturas sociais e políticas discriminatórias e opressoras. Assim como Cristo no Evangelho se identificou com as pessoas que padecem necessidades, também as Igrejas são vocacionadas a se colocar ao lado das pessoas mais vulneráveis em nossas sociedade. E o Papa Francisco tem sido exemplar em dar gestos concretos desse compromisso de misericórdia”.

E também, onde encontram-se as maiores dificuldades, os maiores desafios...

“Há, naturalmente, sensíveis resistências ao ecumenismo dentro de nossas Igrejas. Isso demanda de quem assumiu o ecumenismo uma amorosa persistência. O maior sofrimento entre os fiéis das Igrejas, penso ser que até agora não tenha sido possível chegarmos a um entendimento comum que possibilite a participação conjunta na Mesa do Senhor, ou seja, na Eucaristia. Enquanto não pudermos chegar a esse compartilhamento, nossa unidade ainda será deficiente. Por isso mesmo: devemos perseverar diligentemente na prática do ecumenismo”.

Ouça a entrevista!
20 junho 2018, 17:16