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Papa entre cardeal O'malley e o cardeal Laurent Monsengwo Papa entre cardeal O'malley e o cardeal Laurent Monsengwo  (AFP or licensors)

Card. O'Malley reitera compromisso do Papa em favor das vítimas de abuso

As afirmações do Papa são de que não há lugar na Igreja para quem abusa de crianças e que devemos adotar a “tolerância zero”, porque estes crimes são reais e combatê-los é o seu compromisso, diz o cardeal em uma nota

Cidade do Vaticano

Em nota publicada no site  “Boston Catholic”, o cardeal Seán Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, reiterou o empenho do Papa Francisco em favor das vítimas de abuso sexual por parte de membros do clero.

O purpurado confirma que o “Papa Francisco reconhece os erros imensos da Igreja e de seus membros que abusaram de crianças”.

Eis a íntegra do texto:

“É compreensível que as afirmações que o Papa Francisco fez ontem em Santiago, no Chile, tenham sido fonte de grande dor para pessoas que sofreram abusos sexuais por parte de elementos do clero ou de qualquer outro culpado.

Expressões que trazem a mensagem segundo a qual “se não podes demonstrar as tuas acusações, não podes ser acreditado”, fazem sentir abandonadas as pessoas que sofreram reprováveis violações criminosas de sua dignidade, e relegam as vítimas a um exílio de descrédito.

Não tendo sido pessoalmente envolvido nas situações que foram objeto da entrevista de ontem, não sei dizer por qual razão o Santo Padre escolheu os termos específicos que usou naquela ocasião.

O que eu sei, porém, é que o Papa Francisco reconhece plenamente os enormes erros da Igreja e de seu clero que abusou de crianças e o devastador impacto que estes crimes tiveram nas vítimas e em seus familiares.

Acompanhei o Santo Padre em muitos de seus encontros com as vítimas e pude constatar a sua dor ao tomar consciência da profundidade e da amplidão das feridas infringidas a quem sofreu abusos e ao constatar que o processo de cura pode exigir uma vida inteira.

As afirmações do Papa são de que não há lugar na Igreja para quem abusa de crianças e que devemos adotar a “tolerância zero”, porque estes crimes são reais e combatê-los é o seu compromisso.

As minhas orações e a minha dor estarão sempre com as vítimas e com os seus familiares. Não poderemos nunca anular os sofrimentos que viveram, nem plenamente curar a sua dor.

Em alguns casos devemos aceitar que até mesmo o nosso esforço em oferecer assistência é motivo de angústia para as vítimas, e que devemos rezar por eles em silêncio, enquanto oferecemos a eles o nosso apoio como tresposta de nosso dever moral.

Pessoalmente, continuo no meu trabalho em favor da cura de todos aqueles que foram tão gravemente feridos e pela vigilância no empenho de garantir a tutela das crianças na comunidade da Igreja, de forma que estes crimes não aconteçam nunca mais”.

20 janeiro 2018, 22:08