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Refugiados Rohingya entre Mianmar e Bangladesh Refugiados Rohingya entre Mianmar e Bangladesh  (AFP or licensors)

Papa em Mianmar: Card. Bo comenta crise dos refugiados muçulmanos

Um dos temas mais intrigantes da visita do Papa Francisco a Mianmar é o êxodo da minoria muçulmana que atravessa a fronteira com Bangladesh para fugir da perseguição do exército birmanês. O Arcebispo de Yangun, Card. Charles Bo, veio ao Vaticano e concedeu uma entrevista à Rádio Vaticano.

Bianca Fraccalvieri - Yangun

Um dos temas mais intrigantes da visita do Papa Francisco a Mianmar é o êxodo da minoria muçulmana que atravessa a fronteira com Bangladesh para fugir da perseguição do exército birmanês.

Desde final de agosto, um contrataque militar no Estado de Rakhine obrigou cerca de 600 mil pessoas a abandonar o país. O Papa Francisco já fez pelo menos dois apelos públicos em prol dos Rohingya, que hoje formam um dos maiores campos de refugiados do mundo, em Cox’s Bazar, Bangladesh.

Mas o que a Igreja local tem a dizer a respeito? Dias antes de dar as boas-vindas ao Pontífice, o arcebispo de Yangun, Card. Charles Bo, foi ao Vaticano e concedeu uma entrevista à Rádio Vaticano:

A crise dos refugiados

“A comunidade internacional tem exagerado um pouco, porque a mídia estrangeira é muito forte, enquanto a imprensa local é muito fraca e nós não temos muita habilidade para lidar com a comunidade internacional.”

O arcebispo – que foi criado cardeal justamente pelo Papa Francisco em 2015 – prefere não usar termos como “genocídio” e “limpeza étnica”, mas afirma que os militares responderam efetivamente de um modo muito violento ao ataque dos militantes Rohingya.

Card. Bo reforça que não há proporção entre o “pequeno” ataque muçulmano e a agressividade das tropas birmanesas, que usaram bombas, disparos e incendiaram vilarejos.

De fato, reforçar a democracia è um dos grandes desafios para o país. Os militares comandaram por mais de meio século e cederam o poder somente após a realização de eleições em 2015, vencidas pela Liga Nacional pela Democracia (NLD), liderada por Aung San Suu Kyi.

“The Lady” (A Senhora), como é conhecida, recebeu o Prêmio Nobel da Paz justamente pela sua luta em defesa dos direitos civis. Hoje, ela desempenha o cargo de Conselheira do Estado, com um poder restrito e constitucionalmente sem voz para falar contra o Exército.

Mas para o Cardeal Bo, de quem é amigo, sob o comando de San Suu Kyi o partido vem fazendo progressos na administração civil, mas recordou que o Exército ainda controla a defesa, a política internacional e os assuntos internos. 

Comentando as críticas que San Suu Kyi vem recebendo da comunidade internacional por sua “escassa preocupação” pelos refugiados muçulmanos, o Arcebispo de Yangun afirma que a Conselheira está tentando implementar as recomendações do relatório preparado a cargo de Kofi Annan, para o retorno dos Rohingya.

À espera do Papa

Neste contexto, a expectativa para a chegada do Pontífice é grande, mesmo os católicos representando somente 1,4% da população de 51 milhões de habitantes. O Arcebispo de Yangun afirma que, de modo geral, os birmaneses são muito respeitosos dos líderes religiosos, portanto também do Papa Francisco.

Na semana precedente à viagem do Pontífice, o cardeal foi ao Vaticano para tentar incluir encontros “extra-oficiais” ao programa, que ele considera fundamenais para consolidar a paz. Um deles seria um encontro com todas as lideranças religiosas do país, incluindo budistas, muçulmanos, hinduístas e cristãos.

O outro, um encontro privado o general mais importante. Indiscrições não confirmadas.

 

25 novembro 2017, 12:49