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Haiti, depois do terremoto de 14 de agosto cerca de 300 mil famílias estão desabrigadas Haiti, depois do terremoto de 14 de agosto cerca de 300 mil famílias estão desabrigadas 

A trágica situação do Haiti: a Igreja na linha de frente

A Cáritas Internacional ilustra a grave situação do país onde a comunidade católica, através do organismo local caritativo, está comprometida na ajuda à população que sofre e vive momentos traumáticos: terremoto, violência política, insegurança

Amedeo Lomonaco – Vatican News

No dia 14 de agosto um violento terremoto devastou o Haiti, matando mais de 2.200 pessoas. O terremoto é apenas a última ferida que colocou à dura prova a sociedade e a economia do país. Os habitantes do estado caribenho, um dos mais pobres do mundo, são mais de 11 milhões. Cerca de 25% deles vivem com menos de dois dólares por dia. Mais da metade da população (53,40%) sofre de desnutrição severa e má-nutrição. A mortalidade infantil é muito alta: 72 crianças a cada 1.000 morrem antes do quinto ano de vida. A economia do Haiti, já fortemente condicionada pela instabilidade política e por uma violência cada vez mais desenfreada, sofreu uma nova desaceleração por causa do terremoto de 14 de agosto. Neste cenário dramático, onde o Presidente Jovenel Moïse foi assassinado em julho passado, a Igreja está presente para apoiar e ajudar as famílias.

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Igreja próxima à população que sofre

Ao participar de um webinar organizado pela Cáritas Internacional, o Cardeal Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes, disse que "o Haiti é um país abalado pela pobreza, violência e catástrofes. A Igreja sofre com a população e está na linha de frente tentando trazer ajuda e conforto. As pessoas mais pobres", acrescentou, "encontram esperança e apoio nos centros paroquiais da Cáritas". A Igreja também é uma vítima: religiosos, sacerdotes e leigos se deparam com sequestros. O cardeal lançou então um apelo a toda a Cáritas e aos homens e mulheres de boa vontade para ajudar a população a sair desta trágica situação. “No momento", disse o Cardeal Chibly Langlois, "é fácil desanimar e querer deixar a ilha". Ao invés disso, a população deve ser ajudada a reconstruir a economia, a ter esperança no futuro.

Um país a ser reconstruído

Padre Jean Herve François, diretor nacional da Cáritas Haiti, lembrou que os danos causados pelo terremoto colocaram o Haiti em uma situação ainda mais vulnerável. A situação social é cada vez mais complexa. Mais de 300.000 famílias estão desabrigadas e dormindo nas ruas. As pessoas não têm os meios para construir ou consertar suas casas. O terremoto também causou grandes danos à infraestrutura. O sistema de coleta de água, por exemplo, foi severamente danificado. Entre a população do sul, em particular, há altos níveis de insegurança alimentar e as gangues criminosas intensificaram suas ações. Outra questão, apontada pelo Pe. Jean Herve François, é a de garantir a segurança das equipes da Cáritas empenhadas em trazer ajuda. Deve-se promover uma reconstrução para dar esperança às pessoas, destacou. Também é importante o planejamento de uma reconstrução a longo prazo e o Haiti deve ser ajudado a sair da dependência humanitária. Antes de tudo, devemos reconstruir o homem haitiano, vítima do trauma causado pelo terremoto. Outras prioridades, como o Winter Lumarque da Cáritas Haiti também mencionou, são o direito das famílias à moradia e o acesso à educação.

O futuro entre desafios, questões críticas e esperanças

O Secretário Geral da Cáritas Internacional, Aloysius John, enfatizou que as necessidades do povo do Haiti são enormes. “Antes de mais nada, prioridade absoluta, a segurança da população. O desafio para a Igreja é intervir para ajudar o povo haitiano da melhor maneira possível. Deve ser criada uma rede de apoio que possa dar esperança. O povo haitiano – recordou - tem sido vítima de múltiplas crises nos últimos anos. O compromisso da Igreja – concluiu - é também garantir a subsistência dos pobres e de promover a educação".

22 setembro 2021, 14:25