Busca

Vatican News
Mulheres afegãs não querem perder o que foi conquistado Mulheres afegãs não querem perder o que foi conquistado  (AFP or licensors)

Afeganistão entre o medo e a força das mulheres

Após a retirada das tropas americanas do país o clima de violência aumentou, o presidente Ghani aponta como a causa do avanço do Talibã. Apelo da ONU para o fim da violência, 40 vítimas em 24 horas. O governo pede que a área de Lashkar Gah seja abandonada. Em um encontro de mulheres o pedido "não retroceder um milímetro do que foi conquistado até hoje"

Benedetta Capelli – Vatican News

Se os Talibãs, que conquistaram as áreas rurais, controlassem as capitais das províncias (Lashkar Gah, Kandahar, Herat) o conflito teria implicações completamente novas com a evidência da incapacidade do exército de Cabul de controlar o País. Quarenta civis foram mortos nas últimas 24 horas, a ONU pediu o fim da violência enquanto as forças armadas afegãs pediram que os civis deixassem Lashkar Gah, capital da província de Helmand, antes que os militares lançassem uma ofensiva para repelir os talibãs que sitiam a cidade.

Ouça e compartilhe!

As pessoas fogem por medo

"O quadro é preocupante", diz Luca Lo Presti, presidente da Fundação Pangea, que realiza projetos de microcrédito e promoção dos direitos da mulher no Afeganistão desde 2002, trabalhando exclusivamente com pessoal local. O que mais impressiona são as filas nos escritórios de vistos em Cabul para conseguir deixar o país, mas também há muitos jovens que retornaram nos últimos anos para dar uma contribuição ao país. "Há mais de 40 anos, são os países estrangeiros que dirigem o curso dos eventos", diz Lo Presti. Os que pedem para sair são principalmente as pessoas que colaboraram com as tropas no Afeganistão, movidos pela preocupação de possíveis repercussões.

Mulheres afegãs
Mulheres afegãs

Mulheres que não desistem

Não é que se possa esconder a forte preocupação por parte da população civil, mas", explica Lo Presti, "há uma forte resistência intelectual à ideia de que o Afeganistão possa recair no obscurantismo do Talibã como em 1996". Como prova disso, o presidente da Pangea lembra uma conferência realizada há alguns dias, na qual a Fundação também participou, sobre o tema dos direitos da mulher e da paz. Uma ocasião na qual as mulheres, que têm levado adiante suas próprias reivindicações nos últimos vinte anos, "fizeram ouvir claramente suas vozes, convidando a não retroceder um milímetro do que foi conquistado até hoje". Um pedido forte que exorta a Fundação Pangea a permanecer no país e assim ajudar a evitar que o Afeganistão caia novamente no caos, "no qual - sublinha Lo Presti - o fundamentalismo talibã encontra raízes férteis".

Não ignorar as lágrimas

"Do ponto de vista da saúde", explica o presidente da Pangea, "a situação é desastrosa, e uma crise humanitária poderia surgir rapidamente, razão pela qual existe a intenção de apresentar uma frente unida para pedir ao exterior fundos a serem destinados à sociedade civil". "Os Estados não podem ignorar a voz da população civil, de pessoas que estão de luto por seus mortos por causa de uma guerra civil muito possível e iminente que pode tornar-se muito sangrenta". Há anos a Fundação Pangea vem financiando projetos de microcrédito, ajudando as mulheres, com uma escola com quase 700 meninos e meninas, a maioria surda, onde as aulas são mistas dos 3 aos 18 anos de idade, e há também um time de futebol feminino, um verdadeiro orgulho para Pangea e para muitos afegãos. 

04 agosto 2021, 13:15