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Palestina. Ministro al Maliki: não há Terra Santa sem cristãos

Sobre a condição dos cristãos na Palestina e em todo o Oriente Médio, Riyad al Maliki pôde falar na quinta-feira, 6 de maio, em Roma com o secretário vaticano das Relações com os Estados, o arcebispo Paul Richard Gallagher. "Com a Santa Sé - diz o ministro das Relações Exteriores - queremos enfatizar a importância de nossas relações bilaterais, e também falar sobre a situação em Jerusalém, onde há um crescimento de ataques a mesquitas e igrejas, e tentativas de impedir que muçulmanos e cristãos tenham acesso a seus lugares de culto."

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Quando se diz que a Palestina é Terra Santa, é necessário acrescentar que "não há Terra Santa sem cristãos", e que as autoridades palestinas consideram os cristãos como "uma parte integrante, essencial e consistente do povo palestino, independentemente da porcentagem de cristãos na Palestina".

É o que afirma com veemência o ministro das Relações Exteriores do Estado da Palestina, Riyad al Maliki, enumerando a este respeito algumas medidas institucionais tomadas pela Autoridade Palestina com a intenção de contrastar a erosão gradual do componente cristão da sociedade palestina.

Os cristãos precedem os muçulmanos na Palestina

"Nós não vemos os cristãos como uma comunidade separada. Eles estavam na Palestina antes dos muçulmanos. Portanto, em termos de ‘antiguidade’, por assim dizer, eles precedem os muçulmanos na Palestina", explica o ministro al Maliki em entrevista exclusiva concedida à Fides, agência missionária da Congregação para a Evangelização dos Povos.

A estas considerações, o representante do governo palestino também atribui a decisão de aumentar de 5 para 7 (de um total de 132) a cota mínima de assentos reservados aos cristãos no futuro Parlamento da Palestina:

"Os cristãos - explica al Maliki - são um componente essencial do povo palestino. Mesmo que representem menos de 7%, pelo menos 7 cadeiras serão reservadas para eles no Parlamento precisamente para mostrar nosso desejo de ver o retorno dos cristãos que emigraram, e por esta razão foi decidido que eles deveriam estar bem representados na assembleia parlamentar."

Sinais de resistência para com os cristãos

Na realidade, na sociedade palestina não tem faltado sinais de resistência para com os cristãos. Em dezembro, na Faixa de Gaza, o Partido islâmico palestino Hamas havia dado instruções aos muçulmanos para limitar sua "interação" com as celebrações cristãs do Natal.

"Este tipo de abordagem", declarou categoricamente o ministro al Maliki, quando questionado sobre isso, "é algo que não aceitamos, e não faz parte de nossa cultura, nossa tradição e nossa história... É por isso que tantos líderes religiosos e não religiosos expressaram seu desacordo com esse pronunciamento em outras partes da Palestina, e o Hamas acabou por retirá-lo".

Nossa mensagem é de convivência e fraternidade

"Para nós - acrescenta o ministro -, o que conta é o que faz o presidente Mahmud Abbas. Ele, que é muçulmano, participa das missas de Natal. O que o presidente faz reflete o que a Palestina deve fazer. Nossa mensagem é uma mensagem de convivência e fraternidade, pertencemos à mesma família, onde um é cristão e outro é muçulmano. Não se pode brincar com a composição da sociedade palestina."

"E para nós - continua o representante do governo palestino -, o cristianismo é um componente essencial. É por isso que um decreto presidencial estabelece que o prefeito de Belém deve ser sempre um cristão, e também o prefeito de Ramallah, e o mesmo vale para Beit Sahour, e Beit Jala... independentemente do percentual de cristãos que vivem e viverão nessas cidades."

Encontros com representantes do Vaticano

Sobre a condição dos cristãos na Palestina e em todo o Oriente Médio, o ministro al Maliki pôde falar na quinta-feira, 6 de maio, em Roma com o secretário vaticano das Relações com os Estados, o arcebispo Paul Richard Gallagher.

"Com a Santa Sé - informa o ministro - queremos enfatizar a importância de nossas relações bilaterais, e também falar sobre a situação em Jerusalém, onde há um crescimento de ataques a mesquitas e igrejas, e tentativas de impedir que muçulmanos e cristãos tenham acesso a seus lugares de culto."

Com os representantes do Vaticano, Maliki também abordou outras questões, incluindo "o crescimento mundial das seitas evangélicas", um fenômeno que "deveria preocupar inclusive a Igreja católica, e que nos preocupa como palestinos, dada a orientação anti-palestina que elas têm".

Turnê europeia do ministro palestino

A visita de al Maliki a Roma ocorreu no contexto de uma turnê europeia empreendida pelo ministro palestino para se encontrar, entre outros, com o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov e o ministro das Relações Exteriores italiano Luigi Di Maio.

A viagem de al Maliki visava verificar o que as instituições e países europeus podem fazer "para pressionar Israel a permitir que as próximas eleições palestinas sejam realizadas em Jerusalém, e não apenas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza".

“A Autoridade Palestina adiou as eleições gerais - que deveriam ser realizadas em 22 de maio - depois que Israel rejeitou um pedido para permitir a abertura de seções eleitorais em Jerusalém.”

Os ministros das Relações Exteriores dos países da União Europeia terão uma reunião esta semana, "e nós - explica al Maliki - esperamos que a questão seja levantada nessa reunião, para que possamos exercer pressão coletiva sobre Israel, e permitir a realização de eleições palestinas em Jerusalém".

Não se vota na Palestina desde 2006

Não há votação na Palestina desde 2006, e alguns observadores têm apontado que as autoridades palestinas, diante da negação de Israel, poderiam ter encontrado soluções alternativas para coletar os votos dos palestinos em Jerusalém.

"Mas Jerusalém - respondeu o ministro Maliki - está em Jerusalém, e não está em Ramallah.... E esta não é uma questão técnico-administrativa. Está ligada à questão do status de Jerusalém, que é parte dos Territórios palestinos ocupados."

"Há quem diga: porque não colocar as seções eleitorais nos consulados, embaixadas, escritórios da ONU, ou mesmo nas igrejas e mesquitas... mas isto - continua o Ministro - não é aceitável."

A questão Jerusalém para as eleições

"Toda a questão das eleições diz respeito a Jerusalém, realizar eleições sem Jerusalém, significa aceitar o que Donald Trump disse, e que Jerusalém é a capital eterna e indivisível de Israel. Esta é uma questão política, não uma questão técnica. Não temos eleições há 15 anos, podemos adiá-las por mais alguns meses, mas não podemos deixar de lado a questão de Jerusalém."

Nas eleições palestinas anteriores, lembra o ministro, as seções de votação também foram abertas em Jerusalém Oriental, porque "há um acordo assinado em Washington em 1995, e nesse acordo Israel aceitou a realização de eleições palestinas em todos os territórios palestinos, incluindo Jerusalém".

"Depois os israelenses ouviram o que Trump disse, e agora estão dizendo que se eles permitirem que as eleições palestinas sejam realizadas em Jerusalém, isso equivaleria a conceder Jerusalém Oriental aos palestinos."

(Fides)

11 maio 2021, 12:05