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Mãos para sovar, pernas para caminhar e olhos para encontrar

Em meio à "Semana de Laudato si'", quando se está prestes a ser celebrado o sexto aniversário da encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da Casa Comum, o Vatican News encontra a Comunidade Laudato si' de Stupinigi, de Turim, na Itália, engajada em atividades e ações concretas segundo os princípios expressos pelo documento do Pontífice, publicado em 24 de maio de 2015. Cerca de 30 voluntários de todas as idades começaram a organizar em 2018 almoços sociais para famílias em situação de dificuldade econômica e de moradia e, mesmo na crise desencadeada pela pandemia, continuaram levando adiante o compromisso da padaria social, sovando a farinha de grãos antigos e a Km 0 e produzindo pão para os necessitados.

Giada Aquilino – Vatican News

Nem mesmo a pandemia os deteve. Os voluntários da Comunidade Laudato si' de Stupinigi, na região metropolitana de Turim, na Itália, receberam de fato uma motivação extra da emergência da Covid-19: arregaçaram as mangas e continuaram, não sem dificuldade, o projeto da "Padaria solidária – sovamos humanidade" (Forno solidale – Impastiamo umanità), produzindo pão no forno a lenha, com farinha de grãos antigos e a Km 0, e distribuindo-o gratuitamente às famílias mais afetadas pela crise.

Aquela de Stupinigi, à sombra da residência de caça e festivais do século XVIII, construída segundo um projeto de Filippo Juvarra, é uma das mais de 60 Comunidades Laudato si' fundadas por dom Domenico Pompili, bispo de Rieti, e Carlo Petrini, patrono do SlowFood: realidades locais que trabalham no espírito do documento do Papa Francisco de 2015, como células de vida comunitária, empenhadas em difundir os temas da ecologia integral através de atividades e ações concretas para uma realidade mais sustentável.

Relações humanas de proximidade e calor

"Somos cerca de 30 pessoas, um grupo muito heterogêneo do ponto de vista da idade, formado por pessoas mais velhas, mas também por jovens e muito jovens", explica ao Vatican News Alessandro Azzolina, coordenador da Comunidade Laudato si' de Stupinigi, justamente quando a "Semana Laudato si'" está sendo celebrada em todo o mundo, no final do Ano Especial desejado pelo Pontífice para refletir sobre a encíclica.

Os jovens da Comunidade Laudato si’ de Stupinigi com a padaria social
Os jovens da Comunidade Laudato si’ de Stupinigi com a padaria social

"Desde 2018, temos tentado fazer nossos”, indica ele, “os princípios expressos pela encíclica sobre o cuidado da Casa Comum e, em particular, como a Comunidade Laudato si' de Stupinigi, precisamente porque estamos em uma área periférica na periferia de Turim, tentamos responder especialmente no campo da ecologia integral à necessidade de nos engajarmos dentro do social. Vivemos em uma área que sente a crise econômica de uma forma particular, mas também uma crise de comunidade, de relações. E assim queremos, através do elemento da ecologia e da proteção ambiental, criar socialidade". O objetivo torna-se aquela "ecologia da vida cotidiana" feita de "relações humanas de proximidade e calor", evocadas pelo próprio Papa Francisco na Laudato si', na qual os "limites ambientais são compensados na interioridade de cada pessoa, que se sente inserida em uma rede de comunhão e de pertença". Dessa forma, prossegue o Pontífice, "qualquer lugar deixa de ser um inferno e torna-se o contexto de uma vida digna" (148).

Pobreza e desemprego

"Somos uma realidade de periferia, porque Stupinigi”, explica o coordenador da Comunidade Laudato si', “é um vilarejo de Nichelino que está localizado na região metropolitana de Turim, a cidade operária por excelência, e neste contexto temos um dos mais altos índices de pobreza absoluta em toda a região do Piemonte". Nichelino, conta ele com dados estatísticos em mãos, é a segunda cidade mais pobre da região: a renda média é de 19 mil euros por ano, logo acima da última cidade, que é Valenza. Uma realidade da classe operária que, ao longo dos anos, passou por demissões, o sonho de uma reindustrialização muitas vezes fracassada. O coronavírus fez o resto. "Com as atividades sociais que realizamos como Comunidade Laudato si' servimos cerca de 600 famílias em situação de emergência alimentar, econômica e de moradia, em um território de 50 mil habitantes".

Os almoços sociais

Além das reuniões canônicas de informação sobre o meio ambiente e a sua proteção, o grupo do Piemonte realiza diversas atividades sociais. A primeira, em períodos não caracterizados pelas restrições para a contenção da pandemia, está ligada à "organização, em diferentes épocas do ano, de almoços sociais”, conta Azzolina, “para 100-150 pessoas: almoços organizados com produtos da terra a Km 0 e orgânicos, portanto com um respeito muito forte pelo meio ambiente, pelos alimentos, pela cadeia alimentar e destinados às famílias em crise econômica e alimentar. As famílias tiveram acesso a esses almoços não pagando nada em dinheiro, mas pagando 'em beleza', ou seja, trazendo uma obra de arte que tinham criado, uma canção, um poema, um desenho feito por uma criança: um casal trouxe a história do seu amor como um presente, cheio de vicissitudes e complexidades, quase como um filme".

Os jovens da Comunidade Laudato si’ de Stupinigi no trabalho
Os jovens da Comunidade Laudato si’ de Stupinigi no trabalho

A padaria social

A segunda iniciativa é a padaria social: aos domingos, novamente em conformidade com as medidas anti-Covid, "sovamos farinhas orgânicas locais, a Km 0, orgânicas; temos um forno a lenha que sempre faz pão para cerca de 200-300 pessoas e nossos voluntários, depois de sovar e assar o pão, distribuem-no” para os necessitados. Na página da Comunidade Laudato si' de Stupinigi no Facebook, os operadores falam de um compromisso assumido "com o que temos em nossas mãos: água, farinha, fermento, fogo, lenha, pernas para caminhar e olhos para encontrar". "O objetivo que estamos perseguindo, e em parte estamos conseguindo, é envolver as próprias famílias tanto na produção do pão quanto na fase de distribuição. Ou seja, sempre buscamos uma abordagem proativa e não assistencialista ou caritativa", explica o coordenador, lembrando diretamente Laudato si'. A Encíclica do Papa Francisco, de fato, ao mesmo tempo em que assinala que certas ações não podem resolver "problemas globais", ressalta, no entanto, como elas confirmam "que o ser humano ainda é capaz de intervir positivamente" e, "tendo sido criado para amar, em meio às suas limitações brotam inevitavelmente gestos de generosidade, solidariedade e cuidado" (58).

O pão produzido pela comunidade
O pão produzido pela comunidade

Em cada latitude

A experiência da Comunidade Laudato si', acrescenta Alessandro, reúne "pessoas que podem ser diferentes, com caminhos diversos, mas que têm um denominador mínimo comum": aquele "estilo de vida" proposto na encíclica do Pontífice (111). "Tudo está conectado, todos estamos conectados", reitera Azzolina, citando o Papa. "Isso é o que precisamos entender em cada latitude: desde a periferia extrema de Turim até os grandes centros populacionais".

18 maio 2021, 08:00