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Oleodutos atravessam Ogoniland, em Rivers State, Nigeria Oleodutos atravessam Ogoniland, em Rivers State, Nigeria 

Desastre ambiental no delta do Níger afeta população local. Bispo lança apelo ao governo

O petróleo é uma das riquezas da Nigéria, representando 50% das receitas do país. Mas a falta de uma legislação e de um controle ambiental, faz a população especialmente da região sudeste do país, assim como o meio ambiente, a pagarem um alto preço pela atividade petrolífera, que faz de uma área de 70 mil metros quadrados - rica em florestas, rios e pântanos - uma das mais poluídas do planeta. A expectativa de vida é de 41 anos.

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O bispo de Bomadi, Nigéria, Dom Hyacinth Egbebo, convidou o governo nigeriano a trabalhar para impedir o derramamento de petróleo de navios e de produtos químicos usados ​​durante as perfurações, que na região do delta do Níger, tem causado a morte de muitos residentes ao longo dos últimos anos, bem como a destruição da fauna aquática. A informação é do Catholic News Service.

“O câncer está matando a população”, disse o prelado, motivo pelo qual devemos “fazer alguma coisa e controlar as atividades dessas barcaças e navios, pertencentes a diferentes companhias”, que ao transportar petróleo bruto até o porto de Agge, acabam por poluir as águas.

Dom Egbebo pronunciou-se após uma visita às várias comunidades que vivem ao longo do rio Níger, oportunidade em que pôde constatar como as atividades das petroleiras tornaram a vida da população da região miserável, destruindo redes de pesca, canoas e poluindo as águas. Na verdade, existem muitas pessoas na região que dependem da pesca e da caça para viver.

O bispo de Bomadi acusou as petroleiras de serem insensíveis e de usarem militares para intimidar os moradores locais. Ele apelou ao presidente Muhammadu Buhari para transformar o porto Agge Deep em um porto marítimo a pleno título, capaz de criar oportunidades de desenvolvimento e emprego.

Na verdade, é eticamente errado que esta área seja usada apenas como rota de exportação de petróleo bruto, sem que isso gere desenvolvimento como acontece em outros países, observou o prelado. “São mais de 100 comunidades, de Ojobo a Ayakoromo, que não têm água potável, eletricidade ou estradas, apesar da riqueza da nação estar aqui”, completa.

Vatican News Service - AP

06 abril 2021, 08:59