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Mulheres e crianças nos arredores do vilarejo de Baghouz, na Síria Mulheres e crianças nos arredores do vilarejo de Baghouz, na Síria 

Dez anos de guerra na Síria: Cáritas Internacional pede retirada das sanções

Há dez anos do início da guerra na Síria a Cáritas Internacional faz um breve balanço da situação e conclui: é urgente a retirada das sanções que impedem o acesso dos sírios aos serviços básicos e de saúde e a reconstrução do país

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Na segunda-feira, 15 de março, o conflito na Síria completará dez anos. Um marco triste com um balanço devastador: desde 2011, houve mais de 400 mil vítimas, 12 milhões de desalojados e 12,4 milhões de pessoas, o equivalente a 60% da população, que sofrem de insegurança alimentar. Porém, no meio da escuridão há uma luz: a da Cáritas Internacional que nesta década tem apoiado as comunidades locais, fornecendo moradia, alimentação, educação, saúde, proteção, subsistência, água e saneamento.

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Ajuda e desafios

"No momento - informa uma nota - 22 das 162 organizações da Cáritas estão apoiando projetos na Síria. Sete desses membros têm escritórios na região. Em 2020, a Confederação da Cáritas apoiou cerca de 830 mil sírios em todo o Oriente Médio". "Os sírios estão enfrentando condições humanitárias desesperadoras” destaca Aloysius John, secretário-geral do órgão caritativo. No país, há novos desafios devido à crise econômica e à pandemia Covid-19 que requerem nosso apoio incondicional". O objetivo é, portanto, "aumentar a auto-suficiência e as oportunidades de subsistência sustentável e, como resultado, estimular mercados e ajudar na recuperação econômica a longo prazo em toda a região".

Atualmente, o escritório da Cáritas Síria conta com um total de 200 funcionários e uma média de 100 voluntários que enfrentam as mesmas dificuldades que o resto da população: "Nós convivemos com a crise no país, assim como as pessoas que ajudamos", sublinha Elias Hamwi, coordenador de projetos de caridade em Aleppo oriental.

Esperança no futuro

Mas hoje, depois de dez anos de guerra, a Cáritas também está olhando para o futuro dos sírios, tentando promover "a auto-suficiência das comunidades" e fortalecendo os programas de desenvolvimento. O país enfrenta "uma grave crise econômica - lê-se na nota - 85% da população vive abaixo da linha de pobreza e mais de 11 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária". Cerca de 6,7 milhões de pessoas estão deslocadas internamente.

Crianças sem instrução

A situação da educação também é dramática: "Duas em cada três crianças sírias não vão à escola, enquanto os ataques a edifícios escolares continuam. A isto deve ser acrescentado o triplo impacto das sanções, dos conflitos e da Covid-19, que levou ao fechamento de muitas escolas". Por esta razão, a Confederação da Cáritas lançou um projeto de 1 milhão de euros em Ghouta, perto de Damasco, para permitir a reconstrução de casas e a reabilitação de duas escolas.

Retirada das sanções

A ajuda da Cáritas Internacional atinge 1,5 milhões de refugiados sírios no Líbano e os mais de 600.000 na Jordânia, enquanto sua situação também é lembrada pela organização caritativa a nível internacional. De fato, em 10 de março, dirigindo-se ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, a Cáritas Internacional pediu ao governo dos Estados Unidos e à União Europeia que "removessem as sanções que impedem o acesso dos sírios às necessidades e serviços básicos e aos suprimentos de saúde e estão inibindo a reconstrução da infra-estrutura básica".

(Vatican News Service – IP)

12 março 2021, 14:44