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Padre Lício: A importância da vacinação

Vacinar-se é também um gesto de preocupação com os outros. Jamais podemos esquecer que nessa vida precisamos uns dos outros.

Padre Lício de Araujo do Vale

O nosso país é conhecido no mundo inteiro por ser um país que possui uma das melhores redes de vacinação, graças ao Sistema Único de Saúde, o SUS. O plano nacional de imunização atinge gratuitamente a quase totalidade da nossa população. A vacina é “uma substância fabricada com microrganismos que protege o nosso organismo contra determinadas doenças infectocontagiosas”. Essa proteção é chamada de imunização.

Depois de aplicada no indivíduo, a vacina estimula o sistema imunológico “reconhecendo” o microrganismo invasor e gerando resistência ( produção de anticorpos) para combatê-lo. A vacinação é uma importante estratégia primária de prevenção ao combate às doenças infectocontagiosas, pois ela não só previne a pessoa quem toma, como também ajuda a diminuição dos casos de contágio de determinada doença. É comprovado cientificamente que a vacinação é uma das estratégias mais eficientes no combate as doenças.

Nós mesmos sabemos disso; por exemplo, graças a vacina, não existe um único caso sequer de varíola no Brasil, sem falar de outras doenças como a poliomielite (paralisia infantil) que tanta dor traz às crianças como a seus familiares. É preciso ficar claro que a vacina é uma medicação que é administrada em pessoas sadias e que tem por objetivo prevenir doenças transmitidas sobretudo por contágio.

De 1998, para cá surgiu um movimento contra as vacinas, que vem gerando preocupação em todo mundo: o Movimento antivacina, que nasceu com base em fake News, e tem se tornado uma ameaça muito grave à saúde global.

A resistência à vacinação gerou segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, a volta de doenças como o sarampo, rubéola e tétano.

Parece que não, mas essa mentalidade antivacina atinge parcela importante da nossa população, basta ver toda a celeuma criada em relação à Vacina contra a Covid-19. E muitos católicos desinformados sem saber, acabam aderindo a esse tipo de ideologia. A fé em relação à ciência não pode virar uma superstição, muito menos uma ação mágica de Deus. O Deus

revelado por Jesus é um Deus que é Pai, e não um ser mágico, pois “a graça pressupõe a natureza”.

A nossa fé não nega as contribuições da ciência, ao contrário, São João Paulo II, ao publicar a encíclica “ Fides et Ratio” (fé e razão), em 1998, afirma “ que a fé a razão são as duas asas” que permitem que o ser humano possa voar. Fé e ciência devem dialogar e uma ser complementar à outra.

Assim como a graça nos previne do pecado, as vacinas nos previnem das doenças. “Luzes de esperança” – foi com esta expressão que o Papa Francisco se referiu às vacinas na sua Mensagem e Bênção Urbi et Orbi, na manhã de Natal. “Hoje, neste tempo de escuridão e incertezas pela pandemia, aparecem várias luzes de esperança, como a descoberta das vacinas”. Outro aspecto que eu gostaria de chamar a atenção é que um pai que se recusa a vacinar seus

filhos, ou mesmo filhos que recusam a vacinar seus pais idosos, é moralmente responsável pelas consequências dessa escolha. Se o filho, idoso, ou dependente adoece e ou morre por causa da rejeição de tomar a vacina e ou por causa disso dissemina a doença, o responsável é sim moralmente culpado.

É fundamental tanto do ponto de vista da prevenção às doenças, quanto do ponto de vista da fé cristã, que tomemos consciência da importância de nos vacinarmos e de conscientizarmos os outros da importância de tomar as vacinas, fazendo isso estaremos vivendo de maneira bem concreta o “ mandamento do amor ao próximo”. ( Lc 10,27).

Por isso é importante para o nosso bem e bem do próximo, que a gente se vacine e mantenha a nossa carteira de vacinação em dia. Devemos como diz o Profeta Jeremias, “nos esforçar para buscar o bem comum (Jr 29,7). O mal que podemos causar não nos vacinando é muito maior do que se não nos protegermos.

A fé cristã esta profundamente ligada à vida quotidiana. Nunca podemos separar a nossa fé da nossa vida. Uma fé inserida na realidade da vida é a força mais humilde; e ao mesmo tempo é a mais poderosa para mudar a nós mesmos e para mudar o mundo. É mais do que urgente e necessário que procedamos nesta direção.

Por fim, gostaria de lembrar que doença não avisa quando vai chegar, não tenha medo nem escrúpulo de se vacinar. Vacinar-se é também um gesto de preocupação com os outros. Jamais podemos esquecer que nessa vida precisamos uns dos outros. O único modo de ser cristão é ter amor é ser amor!

Padre Lício é sacerdote da Diocese de São Miguel Paulista (SP)

 

02 fevereiro 2021, 14:45