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Manifestações de protestos no Haiti Manifestações de protestos no Haiti  (ANSA)

Haiti entre protestos, violência, pobreza e sede de Evangelho

O Haiti ainda vive momentos de grande tensão após as várias manifestações de violência depois que o presidente Moise afirmou que não deixará a liderança do país. A missionária fidei donum Maddalena Boschetti, nos fala sobre o sofrimentos dos pobres e da necessidade de normalidade e paz

Benedetta Capelli – Vatican News

Os desastres naturais e uma violência que continua implacavelmente. O Haiti vive há anos em constante emergência com uma população fatigada pela falta de segurança, de bens essenciais, com a dificuldade de inventar todos os dias um sustento para viver. No domingo (15), milhares de pessoas se manifestaram na capital Porto Príncipe contra o presidente Jovenel Moise. No dia 7 de fevereiro, o atual presidente Moise decidiu que não deixará a liderança do país, argumentando que seu mandato não expirará até fevereiro de 2022, enquanto os opositores acreditam que, de acordo com a Constituição, ele já deveria ter concluído. A Organização dos Estados Americanos (OEA) apelou para novas eleições, expressando preocupação com o respeito aos direitos humanos.

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Uma situação tensa

"Todos esperavam esta situação tensa", disse Maddalena Boschetti, missionária italiana fidei donum, que está no país há 18 anos e é a alma da missão Mare-Rouge no noroeste do Haiti, onde se dedica às crianças com deficiências. Sua preocupação é principalmente com a resignação das pessoas. "Desde 2019 o Haiti está à beira do abismo e o que aconteceu era esperado". Os protestos contra o presidente são uma expressão de um mal-estar alimentado pelo alto custo de vida, pela escassez de combustível, pela carência de alimentos e pelo aumento descontrolado dos preços. Uma crise econômica também agravada pelo fechamento da capital haitiana em mãos de grupos criminosos que pedem subornos para passar. A isto devemos acrescentar também a crise alimentar que é crônica e a crise sanitária com a Covid que causou mais de 2500 vítimas. "O povo acreditou", explica a missionária, "que as medidas restritivas contra o coronavírus tivessem sido impostas pelo governo para impedir manifestações de protestos".

Ir. Maddalena Boschetti com as famílias que frequentam a Missão Mare-Rouge
Ir. Maddalena Boschetti com as famílias que frequentam a Missão Mare-Rouge

Ser construtores de paz

“Não sou uma analista política", assinala a irmã, "mas é um fato que existe uma falta de diálogo entre o governo e a oposição, que há anos vivem entre momentos de silêncio e de violência". Estamos em um dos momentos mais sombrios da história do país. Meu testemunho como missionária é o de alguém que compartilha sua vida com os mais pobres, de alguém que luta pelo pão de cada dia e lamento ver que os pobres estão sempre mais pobres e os ricos sempre mais ricos". Nas palavras da irmã Maddalena há um eco da dignidade de muitas pessoas que gostariam apenas de ter uma vida normal, de viver apesar das dificuldades de seu trabalho. "Neste caos total não há clareza de papéis, não há alternativa política em que as pessoas acreditem". "Nós, como missionários - conclui a missionária - continuamos a caminhar ao lado dos mais frágeis, desejamos apoiar-nos mutuamente para sermos construtores de paz". Rezamos por todos os que nos rodeiam e por todo o país. Vivemos com o povo e para o povo, tentando ser o mais capazes possível testemunhas do Evangelho e do desejo de paz que nos habita".

15 fevereiro 2021, 11:11