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Migrante no Campo de Refugiados de Lipa, na Bósnia Migrante no Campo de Refugiados de Lipa, na Bósnia 

Bálcãs: situação de emergência humanitária para os migrantes

“Não é possível abandonar seres humanos na neve”. Diariamente milhares de refugiados tentam entrar na Europa a pé, pela rota da Bósnia. Com a intensificação dos controles nas fronteiras os migrantes são afastados com violência. Apelo do Centro Astalli e da Cáritas Ambrosiana

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Nos Bálcãs existe o risco de uma catástrofe humanitária. O último alarme foi dado pelo Centro Astalli (Serviço dos Jesuítas para os Refugiados) após o vasto incêndio que nos últimos dias devastou o acampamento temporário para refugiados em Lipa, no noroeste da Bósnia, deixando mais de mil pessoas desabrigadas. Em um comunicado afirmam: “A situação nos Bálcãs, fronteira com a Itália, é uma violação dos direitos humanos contra pessoas que fogem da guerra e de crises humanitárias comoa o Iraque, da Síria e da Turquia. A situação foi também denunciada pela Organização Internacional para as Migrações e fala-se de catástrofe humanitária.

Campo de Refugiados na Bósnia destruído por um incêndio
Campo de Refugiados na Bósnia destruído por um incêndio

A rota balcânica

A rota balcânica de migrantes para entrar na Europa está oficialmente fechada desde março de 2016 com a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e a Turquia; na realidade, somente em 2018, mais de 60 mil migrantes foram registrados pelas autoridades dos países dos Balcãs Ocidentais. São famílias em fuga de guerras e violências nos seus países de origem: Síria, Afeganistão e Paquistão que se dirigem para a fronteira com a Croácia para enfim tentar atravessar os limites da União Europeia.

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Tráfico de seres humanos na Bósnia

A vigilância das fronteiras e a brutalidade da polícia húngara contra os migrantes abriram as portas para uma nova rota através dos Bálcãs, passando pela Albânia, Montenegro e Bósnia. E assim, o tráfico de seres humanos também chegou à Bósnia. Aqui os refugiados pagam aos contrabandistas a passagem para a Croácia ou a Eslovênia, outros tentam atravessar a fronteira em caminhões ou trens. Porém, a maioria ainda tenta entrar em território croata a pé. É por isso que foram  intensificados os controles ao longo das fronteiras e os migrantes diariamente são afastados com violência pela polícia.

Maus-tratos

“Há dezenas de testemunhos de maus-tratos que registramos – lê-se no comunicado da Cáritas Ambrosiana - além dos perigos relacionados ao cruzamento de áreas com minas que remontam às guerras dos anos 90. As condições físicas e psicológicas dos migrantes se deterioram rapidamente e os riscos de confrontos com as comunidades locais aumentam”.

Refugiados tentam recostruir o Campo destruído pelo incêndio na Bósnia
Refugiados tentam recostruir o Campo destruído pelo incêndio na Bósnia

Não é possível abandonar seres humanos na neve

O Centro Astalli dos Jesuítas apela para mais uma vez que a União Europeia ative canais humanitários e rotas legais de entrada. Para que sejam encontradas "soluções estruturais e prioritárias para a gestão controlada e segura da entrada de migrantes na Europa". "A Europa deve agora ativar planos de redistribuição dos migrantes em todos os estados membros pois eles têm o direito de serem acolhidos e protegidos” é o apelo do Padre Camillo Ripamonti, presidente do Centro Astalli. “Não é possível abandonar seres humanos na neve. Vamos pôr um fim à guerra contra os migrantes combatida com as armas da indiferença e do desprezo cego".

Bloqueados na Bósnia

Milhares de migrantes que esperam entrar na União Européia estão atualmente bloqueados na Bósnia, principalmente na região noroeste de Krajina, já que outras regiões se recusaram a aceitá-los. O perigo e a miséria foram agravados pela emergência inverno, que é muito rigoroso na região.

29 dezembro 2020, 09:19