Vatican News
Primavera de Praga Primavera de Praga 

Há 52 anos a Primavera de Praga, evento emblemático para o século XX

Era 21 de agosto de 1968 quando os tanques soviéticos e do Pacto de Varsóvia entraram na Tchecoslováquia, reprimindo à força a chamada "Primavera de Praga". O líder do movimento dissidente, Alexander Dubcek, que lutava pelo socialismo com uma face mais humana, foi preso. Jan Palak, um jovem ativista tcheco, que se incendiou para protestar contra a intervenção em Moscou, é ainda hoje o símbolo daquele período.

Giancarlo La Vella - Cidade do Vaticano

A Primavera de Praga é um dos eventos que deixaram sua marca na história contemporânea. Era janeiro de 1968. Em um mundo dividido em blocos, as duas grandes potências - União Soviética e os Estados Unidos da América - se entreolhavam com desconfianças movidos pela 'guerra fria', competindo para ver quem possuía o maior número de ogivas nucleares.

Nesse clima, Moscou não poderia suportar, apenas 12 anos após a revolta na Hungria, as demandas surgidas na então Tchecoslováquia, onde o movimento liderado por Alexander Dubcek, propunha uma virada democrática, um socialismo com rosto mais humano e maior autonomia da URSS.

O Kremlin leu neste evento um grande risco para a ‘unidade’ do Pacto de Varsóvia, formado pela União Soviética e pelos países satélites da Europa Oriental. Assim, foram enviadas tropas e tanques para Praga. A capital foi invadida pelas tropas soviéticas em 21 de agosto de 1968.

O jovem ativista tcheco pela democracia, Jan Palak, com um gesto dramático, ateou fogo nas próprias roupas em protesto contra a intervenção de Moscou, tornando-se desde então emblema da luta pela democracia. Em poucos dias, Dubcek e os outros líderes da Primavera foram presos e um novo governo pró-soviético foi instaurado.

O mundo inteiro e, em particular, a Europa, olhavam com atenção e preocupação para estes acontecimentos. Segundo Luigi Geninazzi, especialista em Europa de Leste, foi uma grande decepção para o Ocidente liberal que acreditava na democracia, mas sobretudo para a esquerda, que esperava um caminho reformista na URSS e no Leste Europeu para a criação do socialismo com um rosto mais humano.

Uma desaceleração na história

 

Geninazzi vai ainda mais longe em sua análise da Primavera de Praga. A miopia das autoridades soviéticas não permitiu perceber em 1968 o que aconteceria de forma mais traumática para o regime, com o surgimento do Solidarność na Polônia e com a perestroika de Gorbachev, que antecipou a dissolução da União Soviética.

Mas, olhando para aqueles acontecimentos com a ótica atual, observa Geninazzi, as demandas apresentadas por Dubcek na Tchecoslováquia pareceriam bastante utópicas. Ele queria permanecer socialista, com um regime rígido do ponto de vista político, militar e econômico, querendo ao mesmo tempo conjugar isso com as ideias do livre mercado, o que teria sido impossível.

Daqueles acontecimentos, porém, permanece o entusiasmo desiludido dos jovens da época, recorda Geninazzi, a reprovação pela intervenção soviética em Praga e no território tcheco e as trágicas imagens do jovem Jan Palak em chamas na Praça Venceslau em Praga. Todas peças de uma oportunidade perdida da qual, ele observa, vemos as consequências até hoje.

21 agosto 2020, 13:59