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Nigéria, Covid-19. Corrupção levou quarentena ao fracasso, denunciam os bispos

“Constatamos com tristeza o fracasso, devido à corrupção, da estratégia de bloqueio para conter a propagação do vírus”, denunciam eles. “Alguns dos que tinham o mandato de impor o bloqueio usaram-no como uma oportunidade para extorquir dinheiro daqueles que continuavam se deslocando através dos estados.” Para os bispos nigerianos, a corrupção tornou-se um câncer cultural e endêmico em todos os estratos da vida no país

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“A crise econômica agravada pela pandemia da Covid-19 obriga muitas pessoas a viver diariamente uma situação desumanizante que pode levar algumas delas ao desespero”, denunciam os bispos da província eclesiástica de Onitsha, no sul da Nigéria, em sua Carta Pastoral “Não tenhais medo: Eu venci o mundo”.

Corrupção, câncer cultural e endêmico do país

A Nigéria, como muitos estados no mundo inteiro, decretou um período de confinamento social para conter o coronavírus. Porém, segundo os bispos, esta medida foi mal aplicada devido à corrupção daqueles que deviam aplicá-la.

“Constatamos com tristeza o fracasso, devido à corrupção, da estratégia de bloqueio para conter a propagação do vírus”, denunciam eles. “Alguns dos que tinham o mandato de impor o bloqueio usaram-no como uma oportunidade para extorquir dinheiro daqueles que continuavam se deslocando através dos estados e, em vez disso, causaram dificuldades para aqueles que tinham uma necessidade real de estar na estrada.”

Para os bispos, a corrupção tornou-se um câncer cultural e endêmico em todos os estratos da vida no país, apesar das muitas promessas feitas da parte dos políticos para erradicá-la.

Combate à corrupção, apenas uma operação cosmética

“A chamada luta contra a corrupção por parte dos sucessivos governos nigerianos parece ter sido apenas uma operação cosmética”, afirmam.

Segundo os prelados, a solução para este mal endêmico está na necessidade de reeducar toda a cidadania, instando o governo a apoiar o esforço da Igreja em oferecer uma educação integral aos jovens nigerianos.

Os bispos também lamentam que o governo tenha se concentrado somente na economia no processo de flexibilização das regras de contenção, em detrimento da educação e da religião. Uma escolha equivocada porque educação e fé são os principais meios para inculcar e transmitir os valores essenciais da vida humana que não se baseiam apenas na economia.

Pandemia agravou ainda mais a insegurança no país

Por fim, os bispos nigerianos enfatizam que a pandemia da Covid-19 agravou ainda mais a insegurança no país e convidam as instituições a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger a vida e a propriedade dos cidadãos comuns cumpridores da lei.

Segundo um recente relatório da Anistia Internacional, só no norte da Nigéria, entre janeiro e junho deste ano, pelo menos 1.126 pessoas foram mortas por bandidos armados em áreas rurais.

A Anistia Internacional entrevistou moradores dos estados de Kaduna, Katsina, Níger, Plateau, Sokoto, Taraba e Zamfara, que disseram viver com medo de ataques e sequestros devido à escalada da insegurança nas áreas rurais.

Pandemia, mais de mil mortos e de 52.220 contagiados

Muitos entrevistados descreveram que as forças de segurança muitas vezes chegam horas após os ataques terem terminado, mesmo quando os agentes receberam informações sobre ataques iminentes.

Durante um ataque em Unguwan Magaji, estado de Kaduna, as forças de segurança chegaram ao local, mas partiram quando viram as sofisticadas munições que os agressores estavam usando. Quando voltaram, pelo menos 17 pessoas tinham sido mortas.

Quanto à Covid-19, segundo os últimos dados do Centro de Controle de Doenças da Nigéria (NCDC), mais de 1.000 pessoas morreram da doença (1.002), com um total de mais de 52.220 casos confirmados.

(Fides)

25 agosto 2020, 14:33