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Metropolita de Minsk lança apelo à paz, ao diálogo e à concórdia na Belarus

No poder há 26 anos, o presidente da Belarus, Alexander Lukashenko, foi reeleito com 80% dos votos, o que provocou manifestações pacíficas duramente reprimidas pela polícia. Mais de seis mil manifestantes foram presos. Há dois mortos, o último um jovem de 25 anos. O exarca patriarcal de toda a Belarus faz um apelo à razão, paz, diálogo e concórdia.

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Segundo o Ministério do Interior da Belarus, as forças da ordem prenderam cerca de 700 pessoas nas últimas 24 horas, por terem participado de eventos não autorizados: “Cerca de 700 pessoas foram presas por participar de manifestações em massa não autorizadas: a agitação no país não é maciça, mas o nível de agressão contra a aplicação da lei continua alta", diz a nota citada pela Agência Tass.

No total, já são mais de 6 mil as prisões decorrentes dos protestos que se seguiram à reeleição do presidente Alexander Lukashenko - com 80% dos votos - no poder há 26 anos. Entre os presos e feridos também cerca de 55 jornalistas, segundo o Sindicato da Imprensa da Belarus. A Polícia também confirmou a morte de um segundo manifestante,  de 25 anos, que havia sido preso no domingo e condenado à dez dias de prisão.

“Mais de seis mil pessoas foram presas nos últimos três dias, incluindo menores, naquela que é uma clara violação do direito humanitário internacional”, declarou a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, condenando a “violenta resposta das autoridades bielorrussas às manifestações pacíficas” e pedindo que os manifestantes sejam ouvidos.

Svetlana Alexievich, escritora e jornalista bielorrussa que relatou os últimos anos da URSS e do pós-comunismo, Prêmio Nobel de Literatura em 2015, convidou o presidente Aleksander Lukashenko a renunciar. "Saia antes que seja tarde demais!", declarou ela em entrevista à emissora pública dos Estados Unidos, Radio Freedom. "Saia antes de jogar as pessoas em um abismo terrível: o abismo da guerra civil! Vá embora."

Lituânia, Letônia e Polônia propõe um plano em três pontos para colocar um fim na violência, anunciou o presidente lituano Gitanas Nausėda. O projeto prevê a criação de um conselho nacional com membros do governo e da sociedade civil, a libertação dos manifestantes presos e o fim da violência contra as pessoas que vão as ruas se manifestar pacificamente contra o triunfo eleitoral daquele que é considerado o “último ditador da Europa”.

Ao mesmo tempo, a Lituânia abriu as fronteiras para acolher os bielorussos que fogem da repressão. Os detalhes da abertura serão explicados nesta quinta-feira, 13, mas a ministra do Interior Rita Tamasuniene, já antecipou que a Belarus será tirada da lista de países de proveniência que exigem um maior controle.

A Lituânia já acolheu Svetlana Tikhanovskaya, a candidata da oposição que fugiu do país após a eleição de Lukashenko.

Apelo do metropolita de Minsk

 

Ao falar com jornalistas na quarta-feira, 12, o exarca patriarcal de toda a Belarus, o metropolita de Minsk e Pavel Zaslavl, chama os bielorrussos à razão, paz, diálogo e concórdia, informa a BelTA.

“Recentemente celebramos um grande evento - o 75º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica, a libertação da Bielorrússia dos invasores nazistas. Por 75 anos, nosso povo viveu em paz e harmonia. Não poderíamos esperar que hoje o infortúnio fosse cair sobre nossa casa, que amigos e familiares se voltassem uns contra os outros. Gostaria de lançar um apelo à razão, à paz, ao diálogo e à concórdia”, disse o metropolita.

O líder da Igreja Ortodoxa da Belarus fez um apelo aos que foram ao país para promover a hostilidade e o ódio: “Voltem para suas casas. Não provoquem hostilidade e ódio por aqui. Nosso povo passou por tantas misérias, tristezas e guerras que seriam suficientes por muitas gerações e povos. Deixem ao povo bielorrusso a oportunidade de viver e escolher o seu próprio caminho”.

O exarca patriarcal de toda a Belarus pediu aos pais cujos filhos vão às ruas protestar, que conversem com eles e digam que é importante preservar a paz e a harmonia no país.  Ao mesmo tempo, o metropolita pediu ao governo e ao parlamento que pensassem em como encontrar uma saída para a situação atual.

“Não quero julgar ninguém - nenhum dos lados. Eu entendo que existem outras forças, forças das trevas, seus servidores, que vivem da inimizade e do ódio entre as pessoas e talvez tirem alguns dividendos disso. Desejo ver a paz e a harmonia continuar em nossa terra abençoada. Não é por acaso que tanto o hino nacional como a Constituição do nosso país dizem que nós, bielorrussos, somos um povo pacífico", observou, pedindo: “Vamos fazer tudo o que pudermos para encontrar a maneira de preservar a paz e a concórdia”.

* Com Agências

13 agosto 2020, 11:10