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África do Sul: 24 de agosto, Dia de oração contra violência à mulher

A iniciativa, que tem como tema “Não consigo respirar”, quer dar voz àqueles que não têm voz “e nasceu – lê-se no site da Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul – do desejo de superar o isolamento e a solidão do lockdown, devido à pandemia do coronavírus, de modo a “apoiar-se mutuamente e reforçar o sentimento de solidariedade entre as mulheres neste tempo de sofrimento global”. A violência contra as mulheres é um flagelo difuso no país

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A União Sul-Africana da Organização das Mulheres Católicas (South African Union of Catholic Women's Organisation) convocou para esta segunda-feira, 24 de agosto, um dia de oração para sensibilizar o público sobre a questão da violência contra as mulheres.

“Não consigo respirar”

A iniciativa, que tem como tema “Não consigo respirar”, quer dar voz àqueles que não têm voz “e nasceu – lê-se no site da Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul – do desejo de superar o isolamento e a solidão do lockdown, devido à pandemia do coronavírus, de modo a “apoiar-se mutuamente e reforçar o sentimento de solidariedade entre as mulheres neste tempo de sofrimento global”.

O tema do dia parece evocar a frase pronunciada por George Floyd, o afro-americano morto por um policial nos Estados Unidos após ser preso. O evento se realiza de modo virtual através da plataforma Zoom e tem programado, entre outros discursos, o da Secretária Geral da Conferência Episcopal, Irmã Hermenegild Makoro.

Em agosto na África do Sul celebra-se também o Mês das mulheres para homenagear as mais de vinte mil jovens que em 9 de agosto de 1956, na época do apartheid, marcharam em massa, em Pretória, contra a obrigação do “passe” previsto para os cidadãos negros.

“Igualdade de gênero”

Em relação ao evento, cujo tema este ano é “Igualdade de gênero: realizar os direitos das mulheres por um futuro de paridade”, a Superiora Geral da Congregação das Companheiras de Santa Ângela e presidente da Conferência de Liderança da Vida Consagrada (LCCL), Irmã Nkhensani Shibambu, difundiu uma nota na qual insiste na necessidade de igualdade de oportunidades para o mundo feminino, como por exemplo na remuneração do trabalho, no emprego doméstico, em acabar com o assédio sexual e todas as formas de violência, em serviços de saúde adequados e na participação ativa na vida política e social do país.

Na África do Sul “temos uma das constituições mais progressistas do mundo que garante a igualdade de gênero e a emancipação feminina”, lembra a religiosa, mas “apesar disso, a mudança real ainda é lenta” e continua sendo “um dos mais sérios desafios socioeconômicos para a nação”.

A Irmã Shibambu também ressalta que na África do Sul “as mulheres têm salários mais baixos, empregos menos seguros, relegadas ao setor informal, menos acesso à proteção social, constituindo a maioria das famílias monoparentais”. E mais: entre os principais obstáculos para o mundo feminino, “a chaga da violência de gênero e do feminicídio” é dramática.

Violência contra as mulheres é flagelo difuso

Em 2019, lembra a presidente da Conferência de Liderança da Vida Consagrada, mais de 52 mil delitos sexuais e quase 42 mil estupros foram denunciados à polícia, demonstrando que a violência contra as mulheres é um flagelo difuso nas comunidades sul-africanas”.

“Além disso, a quarentena e o isolamento social obrigatórios devido à pandemia covid-19, “tornaram as mulheres mais vulneráveis e mais expostas ao assédio doméstico.”

O fardo de cuidar dos doentes também é suportado em grande parte pelas mulheres “com a consequência de que um número maior delas ficará viúva devido à pandemia”, como evidenciado pela religiosa que se refere a alguns estudos com dados sobre o problema.

Em seguida, o pensamento de Irmã Shibambu se volta para todos aqueles que perderam seus cônjuges devido a doenças, bem como para todas as mulheres que morreram devido ao coronavírus, incluindo algumas religiosas.

Agradecimento às agentes de saúde e oração pelos enfermos

“Agradecemos-lhes por sua generosa contribuição, por seu serviço abnegado às comunidades nas quais serviram e, sobretudo, por seu ministério de oração”, ressalta a responsável pela Conferência de Liderança da Vida Consagrada.

É feito um ulterior agradecimento às agentes da saúde na África que “em nosso nome estão na linha de frente e arriscam suas vidas para combater este vírus mortal”, com uma oração final pelos enfermos e enfermas seguida de um apelo:

“Agora cabe a nós fazer parte da geração que põe fim à desigualdade de gênero, porque enquanto todas as mulheres não forem livres e tratadas igualmente e com dignidade, nós mesmas não poderemos ser livres.”

(L’Osservatore Romano)

24 agosto 2020, 10:30