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Presos revoltosos na prisão de Poggioreale Presos revoltosos na prisão de Poggioreale  (ANSA)

Coronavírus e a crise nas prisões da Itália: respostas urgentes para evitar mais violências

A solidariedade aos presos, que também sofrem com as restrições impostas pela emergência do coronavírus na Itália, veio do Papa Francisco nesta quarta-feira (11), ao oferecer orações na missa da Santa Marta. Do inspetor-geral dos Capelães, o pedido a respostas urgentes das autoridades diante de protestos com mortes, para evitar de “transformar as nossas prisões em barris de pólvora, de raiva e de violência”.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O início da semana na Itália, além de ter entrado em quarentena com restrições severas para conter a difusão do coronavírus em todo país, registrou protestos em mais de 30 presídios, inclusive com uma dezena de mortes, pela suspensão das visitas dos familiares. Na manhã desta quarta-feira (11), a proximidade do Papa Francisco veio através da missa na Santa Marta, quando ofereceu novamente as orações pelos doentes do Covid-19 e também pelos presos: “Eles sofrem, e devemos estar próximos a eles com a oração para que o Senhor os ajude, os console neste momento difícil”.

Através de uma carta, divulgada na segunda-feira (9), o inspetor-geral dos Capelães, Pe. Raffaele Grimaldi, se dirigiu a todos os diretores e sacerdotes que prestam serviços nos cárceres do país. A iniciativa partiu justamente por causa dos episódios de protestos e dos inconvenientes registrados em vários institutos penitenciários da Itália, causados pelas medidas impostas para conter a difusão do Covid-19, mesmo se ainda não tenham sido registrados casos positivos neste momento.

O inspetor expressou proximidade a todos neste período de emergência, desde a polícia penitenciária, direção dos cárceres e capelães até todos os agentes que se encontram “na linha de frente para enfrentar esta crise com coragem”. Dom Raffaele exortou que, “os pontos críticos em curso, se não forem enfrentados com escolhas direcionadas, correm o risco de transformar as nossas prisões em barris de pólvora, de raiva e de violência”.

Dom Grimaldi espera, enfim, que “o Senhor possa iluminar e guiar aqueles que têm a responsabilidade de oferecer respostas urgentes, sem se tornar reféns de intimidações e chantagens, para que a tranquilidade e o diálogo por um trabalho sereno para todos possam ser reestabelecidos”.

Ao novo decreto do governo italiano, na parte relativa à gestão dos institutos penitenciários, estão sendo analisadas medidas para serem acrescentadas, como: aumentar a duração dos telefonemas e, para realizar as visitas aos familiares, incrementar com o uso do Skype para manter constante o contato com os parentes.

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11 março 2020, 13:13