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Marcelo Dal Molin vive há 4 anos em Verona Marcelo Dal Molin vive há 4 anos em Verona 

Coronavírus: não há motivo para pânico, afirma acólito brasileiro em quarentena em Verona

O catarinense Marcelo Dal Molin, de 25 anos, vive há 4 em Verona, que fica no Vêneto, segunda região mais afetada pelo Covid-19 na Itália. Em depoimento ao Vatican News, o jovem conta como vive este período em que, também ele, está com sintomas do coronavírus e de quarentena em casa: “o vírus é prejudicial para quem tem saúde debilitada e é uma situação mais simples do que a gente imagina. É apenas uma gripe, com seus cuidados específicos, não um vírus perigoso”.

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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A Itália é o país da Europa com o maior número de pessoas infectadas pelo coronavírus. A doença, que começou na China, avança, está presente em todos os continentes e já chegou ao Brasil, onde estão sendo investigados centenas de pacientes suspeitos, principalmente em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Segundo especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), nenhum país será poupado e todos devem se preparar: já são 50 países atingidos com 4 mil casos fora da China.

Brasileiros que vivem na Itália também estão alertas para a emergência do Covid-19, como é o caso Marcelo Dal Molin, de 25 anos, produtor multimídia que mora há 4 em Verona, no Vêneto, segunda região italiana mais afetada. Natural de Içara, em Santa Catarina, o jovem usou as redes sociais para tranquilizar parentes, amigos e seguidores quanto à sua situação de saúde, já que se encontra em isolamento domiciliar por duas semanas, já que seria um caso suspeito de coronavírus. Há duas semanas, Marcelo esteve em Milão e Brescia, duas cidades da região da Lombardia que, junto ao Vêneto, são consideradas áreas de risco pela difusão do Covid-19.

O depoimento do brasileiro

Ao apresentar os sintomas de gripe, como tosse e febre alta, Marcelo seguiu a determinação de ligar para o número de telefone destinado para casos assim.

“Eu tentei ligar para esse número aí demorou quase uma hora para eu ser respondido, porque as linhas todas estavam ocupadas. Depois eu perguntei pra mulher que atendeu, ela falou que tem muita gente ligando perguntando coisas que não são úteis, como, por exemplo, se pode abrir embalagens que vieram da China pelo correio ou onde tem máscara para vender. Depois de conversar com essa mulher, ela me explicou que diante da minha situação, como eu estava com uma febre muito alta e moro numa região onde não há nenhum caso confirmado, eles ainda não tinham uma preparação para poder ir na casa das pessoas e fazer o exame. Ela me indicou ir diretamente no hospital, que eles iam saber me atender. E foi isso que eu fiz.”

Depois de dar entrada no hospital, seguindo o protocolo em usar a máscara e responder a perguntas, Marcelo foi submetido a exames específicos – nenhum, porém, próprio para o coronavírus. Com a febre baixa, ele pôde voltar pra casa, mesmo sem ter sido confirmado ou não positivo para o Covid-19. O jovem inclusive teve consulta com o otorrinolaringologista, que também indicou que fosse pra casa e ficasse em isolamento domiciliar.

“Na hora ele falou que que estava com o coronavírus. Mas não tem como a gente fazer um exame para ter certeza se é ou se não é. Ele falou que não estão fazendo exame em todo mundo, porque a gente já entendeu que o vírus não é prejudicial às pessoas que têm saúde boa, o vírus é prejudicial às pessoas com saúde mais habilitada, principalmente as pessoas da terceira idade, e pessoas com algum problema de saúde, seja de coração ou pulmonar. Ele me explicou que não tinha motivo para se preocupar e que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 85% dos casos se recuperam sem nem mesmo saber que era de fato coronavírus, as pessoas têm sintomas de uma gripe normal, e que com certeza uma pessoa da minha idade e no meu estado de saúde sairia bem disso. E aí as recomendações do médico foram: volta pra casa e fica em casa por 7 a 15 dias, o tempo que levar para melhorar bem dessa gripe, que pode ser uma gripe normal, mas pode também ser o coronavírus e não tem tratamento específico nenhum. Eu só preciso ficar meio em quarentena, mesmo que eu moro com outras pessoas. A gente está tomando os cuidados necessários. Eu passo a maior parte do tempo no quarto, eles estão seguindo as recomendações de lavar as mãos várias vezes por dia, não tocar no nariz, na boca, nos olhos, para evitar o contágio por contato, porque pode acontecer também, mas, no fim das contas, é uma situação muito mais simples do que a gente imagina: é uma gripe normal, um pouco mais forte para algumas pessoas, mas não tenho toda essa necessidade de pânico, de caos geral como está acontecendo."

Entenda a situação do norte da Itália

Os casos suspeitos começaram a explodir há uma semana na Itália, junto à preocupação da população. Com o número de infecções aumentando, as comunidades da área de risco, no norte da Itália, não sabendo inclusive lidar direito com a situação e recebendo fake news pelos grupos de Whatsapp e redes sociais, começaram a esvaziar as prateleiras nos mercados.

“Acontece que as pessoas começaram a dizer que era para comprar comida, comprar água, estocar comida em casa, porque o Governo ia mandar fechar os mercados, ia mandar fechar tudo, as coisas iriam ficar fechadas e as pessoas começaram a acreditar e se preocupar. Porém, não tinha nenhuma nota oficial em relação a isso, mas, mesmo assim, as pessoas continuavam compartilhando. Acompanhei cenas de gente brigando dentro do supermercado, isso tudo pelos stories das redes sociais dos meus amigos.”

Notas oficiais do Governo e das Regiões foram divulgadas no final de semana com conselhos práticos diários a serem adotados diariamente e sobre a determinação de fechamento de estabelecimentos e eventos, inclusive de igrejas, com o cancelamento das missas. Marcelo é acólito na Paróquia Santa Maria Assunta, de Brenzone sul Garda, interior de Verona, e confirmou essa realidade:

“A recomendação que a gente recebeu do bispo, aqui na Província de Verona e toda região de Vêneto, é de manter as igrejas fechadas. Mesmo as igrejas pequenas, de cidades de 2, 3 mil habitantes que têm por aqui, está tudo fechado. Inclusive a minha paróquia. Eu tenho contato diariamente com o padre, eu sou acólito aqui e ajudo nas celebrações e, agora, com essa situação, e como eu expliquei tudo isso que acabei aprendendo com a minha experiência, isso tranquilizou muito eles também porque, no final das contas, acaba que é apenas uma gripe. Está tendo todo esse alarme e contágio, porque como é um vírus novo, não existe nenhuma proteção em relação a ele e por isso que as pessoas estão sendo contagiadas tão rápido. Porém, não significa que é um vírus mortal, que é realmente perigoso. É um vírus como todos os outros que precisam de seus cuidados específicos, mas isso não quer dizer que é um grande vilão. É importante a gente manter a calma, não se desesperar, não precisa todo mundo usar máscara, não precisa comprar comida e fazer estoque, os mercados não vão fechar, as pessoas não vão ficar sem comida. Por mais que eu fale por mim que sou jovem, e de acordo com o médico, as pessoas jovens se recuperam muito rápido, em relação ao vírus, mas eu também tenho que pensar na minha vizinha que tem 85 anos e que, para ela, o vírus não seria algo tão fácil assim de lidar. Por isso é importante seguir as recomendações e manter a tranquilidade. Não tem motivo para pânico, está tudo sob controle e vamos esperar que encontrem alguma vacina logo para esse vírus e que as coisas voltem ao normal.”

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28 fevereiro 2020, 18:50