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Miriam Ziegler, que mostra foto histórica, deu testemunho no encontro que Salus participou ontem, em Oświęcim Miriam Ziegler, que mostra foto histórica, deu testemunho no encontro que Salus participou ontem, em Oświęcim  (AFP or licensors)

“Vamos parar de odiar o próximo”, diz jornalista brasileiro que já escreveu livro sobre o Holocausto

O também advogado Salus Loch, do interior do Rio Grande do Sul, está na Polônia, onde participa da solenidade oficial dos 75 anos de libertação dos sobreviventes dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau: “estive pela primeira em 2015 e mudou a minha vida. A mensagem que fica deveria ser: vamos parar de odiar o próximo e tentar viver com mais empatia, respeito e amor.”

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

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A viagem deste ano pela memória histórica do Holocausto começou ainda na semana passada, quando o jornalista brasileiro, Salus Loch, de 39 anos, deixou o Rio Grande do Sul para chegar na Polônia. Acostumado a roteiros internacionais a trabalho, o também advogado, natural de Ijuí, está visitando pela segunda vez o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau.

Salus já entrevistou 7 sobreviventes do Holocausto que vivem no Brasil, em Israel e na Polônia, o que inclusive já lhe rendeu um livro. “A Tenda Branca” é um romance que narra a trajetória de uma sobrevivente, Gabriela Gitta Schwartz Heilbraun, que hoje, aos 91 anos, mora em São José, na grande Florianópolis/SC.

Salus Loch encontrou Lidia Maksymowicz, 79, a criança mais longeva entre aquelas libertadas de Auschwitz
Salus Loch encontrou Lidia Maksymowicz, 79, a criança mais longeva entre aquelas libertadas de Auschwitz

Dia da Memória na Polônia

Nesta segunda-feira (27), o jornalista participa da solenidade oficial do Dia da Memória, com mais de mil profissionais inscritos para cobrir o evento, que está sendo realizado em Auschwitz-Birkenau. Mas já no domingo (26), em outro encontro com jornalistas, Salus testemunhou o depoimento de outras 13 vítimas do Holocausto, em 6 horas de conversa, na cidade de Oświęcim, próximo dos campos.

O jornalista gaúcho era o único brasileiro no encontro de ontem com os sobreviventes
O jornalista gaúcho era o único brasileiro no encontro de ontem com os sobreviventes

O evento foi promovido pelo Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau e reuniu alguns dos mais de 200 sobreviventes que foram à Polônia participar da celebração desta segunda-feira. Salus conta que, ao seu modo, “eles pediram para que líderes mundiais, assim como gente comum, deixem de lado discursos sustentados pelo ódio, que buscam separar pessoas, colocando em risco a vida de inocentes, como aconteceu no Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas. Eles estão fazendo a sua parte, e, nós, o que estamos fazendo?”, indagou o jornalista.

“Auschwitz não foi o começo. As câmaras de gás não foram o início de tudo, foram parte do processo que começou lá trás com o discurso do ódio, da desumanização. Enfim, foi a consequência das ações levadas a cabo por pessoas que pregavam justamente isso.”

A mensagem de respeito e amor

Salus ainda promove palestras e participa de encontros de formação com estudantes e professores para falar do Holocausto e da necessidade de se discutir o tema, a fim de que a história não se repita, unindo-se ao apelo deste domingo (26), do Papa Francisco, para que essa tragédia “nunca mais” se repita. O jornalista acredita que a educação, o amor, o respeito e a empatia são vitais para a construção de uma sociedade mais fraterna e humana.

“Auschwitz, ou qualquer outro campo de concentração, é a oportunidade que nós temos para visualizar e tentar entender até onde vai a capacidade do homem de fazer o mal contra outras pessoas, jovens, velhos e crianças. Auschwitz foi construído por homens alimentados por uma ideologia, no caso, o governo nazista, que era totalitária, extremista e que, acima de tudo, pregava o ódio. Acho que esse é o principal recado que Auschwitz, o Holocausto e esse período da história nos deixa: nós temos que tentar entender o outro como um igual, não como diferente, não como melhor, não como pior. Essa classificação é muito perigosa. E, infelizmente, a gente vê esse discurso do ódio sendo propagado em vários lugares, inclusive no Brasil, onde eu moro - moro em Erechim. Mas não é só lá, a gente tem em boa parte do mundo. Eu superindico visitar Auschwitz. Eu estive pela primeira em 2015 e mudou a minha vida profissional e pessoal. A mensagem que fica deveria ser: vamos parar de odiar o próximo, tentar viver com mais empatia, respeito e amor.”

27 janeiro 2020, 12:40