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Vice-presidente Mike Pence na Turquia Vice-presidente Mike Pence na Turquia 

Trégua na Síria: alcançado acordo entre a Turquia e os Estados Unidos

As armas na Síria ficarão em silêncio durante cinco dias. Este é o resultado do acordo alcançado ontem entre a Turquia e os Estados Unidos, que prevê o fim da ofensiva de Ancara em troca da retirada dos curdos.

Francesca Sabatinelli e Gabriella Ceraso - Cidade do Vaticano

A Turquia terá uma zona segura de 30 quilômetros e terminará totalmente a sua ofensiva somente depois da retirada dos combatentes curdos dessa área e da destruição das suas estruturas militares. Este é o cerne do acordo alcançado nesta quinta-feira (17/10) que levou ao cessar-fogo de 120 horas e que, de acordo com as declarações de Ancara, só se tornará definitivo após a retirada total das forças curdas, prontas a respeitar os pactos com garantias sobre o futuro por parte de Washington.

Os termos do acordo

Dirigindo-se aos meios de comunicação social curdos, o comandante das Forças Democráticas Sírias (FDS), Kobani, confirmou que tomou parte no acordo e que o compromisso agora é fazer tudo o que for necessário para que o mesmo funcione. No entanto, Kobani, relatando mais pormenores sobre a trégua, salientou que esta diz respeito apenas à área entre Tal Abyad e Ras al Ayn, no centro da ofensiva de Ancara, onde será criada a zona de segurança turca. Para os outros territórios do norte da Síria, onde as forças do regime de Damasco e a polícia militar russa entraram recentemente, serão necessárias mais negociações. Por conseguinte, encontro adiado, provavelmente para a próxima terça-feira, em Sochi, na reunião entre os Presidentes turco e russo.

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A visita do presidente turco Erdogan a convite de Donald Trump à Casa Branca foi confirmada para o dia 13 de novembro. Ontem, durante a visita do vice-presidente Pence à Turquia, os Estados Unidos garantiram também que poriam termo às novas sanções contra Ancara e que suspenderiam as atuais assim que o cessar-fogo se tornasse definitivo.

Reações internacionais

Da Casa Branca vem a exultação do presidente Trump, que diz estar orgulhoso dos Estados Unidos pelo seu papel no acordo, enquanto de Bruxelas o Conselho Europeu, depois de ter registado a realização do acordo, condena uma vez mais a Turquia pela sua ação unilateral no nordeste da Síria e apela à retirada das suas forças. Ao aprovar as conclusões da reunião de Cúpula de 14 de outubro, o Conselho reitera que a guerra está causando "um sofrimento humano inaceitável, minando a luta contra o Ísis e representando uma grave ameaça para a segurança europeia". O aviso é, portanto, mais uma vez para Ancara, para que se respeite o direito humanitário internacional.

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A ONU está na mesma linha. O secretário-geral Guterres saudou o acordo e "qualquer esforço para inverter a escalada da situação e proteger os civis", sublinhando mais uma vez que há ainda muito a ser feito para a resolução eficaz da crise síria.

A situação humanitária

Entretanto, a situação humanitária é sempre crítica. Já são 200 mil os deslocados que as organizações humanitárias chamam de "exaustos" no nordeste da Síria, número que, segundo as Nações Unidas, deve dobrar em poucas semanas. Por enquanto, o cessar-fogo alcançado permitirá o retorno das ações de socorro de muitas ONGs que tiveram que se retirar e a evacuação de civis sitiados durante dias, em Ras al Ayn, onde combatentes curdos também denunciaram o uso de armas químicas proibidas. Acusações rejeitadas por Ancara.

 

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18 outubro 2019, 11:12