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"Venezuela. Resiliência", um documentário sobre o drama e a esperança de um povo

Apresentado na tarde de 21 de agosto, no 40° Encontro de Amizade entre Povos em Rimini, o documentário: “Venezuela. Resiliência”, sobre a dramática situação vivida na Venezuela e a resiliência do povo venezuelano.

Renato Martinez - Cidade do Vaticano

“Este documentário mostra a dramática situação vivida pelos venezuelanos, a fome que passam aqueles que não podem fugir do país e que está provocando tristeza e morte; mas também mostra alguma esperança, porque dentro dessa pobreza há muitos heróis anônimos que estão trabalhando em favor das crianças e dos idosos, em favor dos que estão abandonados por essa migração em massa e justamente nisto está esta resiliência do povo venezuelano, que pode ajudar uma mudança na Venezuela”, disse a jornalista italiano-venezuelana Marinellys Tremamunno, durante a apresentação do documentário “Venezuela. Resiliência”, no âmbito do XL Encontro de Amizade entre os Povos, iniciativa também conhecida como Encontrode Rimini na Itália, na tarde de 21 de agosto.

Sensibilizar a comunidade internacional

 

A produtor do documentário, que tem uma duração de 35 minutos, apresenta a dramática situação vivida pelos venezuelanos que permaneceram e não puderam deixar o país em busca de melhores condições de vida. A jornalista, ademais, descreve o importante trabalho da Igreja em favor dos mais necessitados.

“Este projeto faz parte de uma campanha de sensibilização que desenvolvemos por meio da Associação “Venezuela, a pequena Veneza” - precisou a jornalista, explicando a origem do documentário – por meio da qual, desde 2017, buscamos realizar uma ajuda concreta em favor da Venezuela e este documentário faz parte das atividades desta Associação”.

A dramática realidade venezuelana

 

“Este documentário mostra a fome que padecem os venezuelanos que não podem escapar e que está provocando tristeza e morte - disse Marinellys Tremamunno. Eu estiva na Venezuela no ano passado para coletar esses testemunhos, entrevistas com especialistas e também testemunhos das pessoas que estão no país e que não puderam escapar neste êxodo em massa que temos visto nos últimos três anos e que também estão sofrendo com a fome, a pobreza que, nos últimos dois anos, atingiu 90% da população. É uma situação dramática em que você, mesmo que queira, não consegue comer três vezes ao dia, já que mais de 10% da população deixou o país ”.

A jornalista, ao referir-se à situação nutricional dos venezuelanos, citou números das Nações Unidas que falam de 3,7 milhões de venezuelanos desnutridos.

Além disso, disse que “há muito tempo não se tem acesso à informações oficiais, isso significa que a realidade poderia ser ainda mais dramática, não se sabe realmente o que está acontecendo na Venezuela, mas basta percorrer as ruas, incluindo  Caracas, a capital, para ver como os venezuelanos estão comendo do lixo, é algo que é visto mesmo à luz do dia, se vê também nas ruas pessoas muito magras ou excessivamente gordas, o que também é um sinal de má alimentação”.

As panelas comunitárias da Caritas

 

Diante dessa situação dramática, a Igreja na Venezuela respondeu através da Caritas com a iniciativa das “panelas comunitários”.

“A Igreja na Venezuela é uma das poucas instituições que ainda está em pé no país e está presente em nível nacional. Eles, enfatiza Marinellys Tremamunno, fazem nas paróquias - com a contribuição dos próprios pobres, que é uma das coisas mais impressionantes - essas panelas comunitárias, onde se prepara uma sopa com alguns carboidratos ou feijão, e é distribuída a 100, 150 até 200 pessoas através de um única panela. Este projeto está sendo realizado em nível nacional, é uma iniciativa que nasceu em 2016 e que neste momento se tornou um programa de emergência indispensável para ajudar essas pessoas que não têm nada para comer”.

Resiliência

 

Por fim, a autora do documentário afirmou que “o que está se está vivendo na Venezuela é uma consequência do colapso econômico e social de um sistema político que não funcionou e que levou ao empobrecimento do país. A Venezuela necessita de uma mudança de rumo que ainda não sei como se dará, mas neste contexto, esse tipo de documentário também mostra valor agregado, mostra esperança, mostra em paralelo a capacidade de resiliência daqueles que têm fé na recuperação do país sul-americano.

Mais do que apresentar os problemas da pobreza e a tristeza da população, também estou mostrando essa capacidade de resiliência que os venezuelanos têm, para enfrentar nossa dificuldades a partir de um ponto de vista positivo, sempre tentando tirar o positivo das dificuldades e reinventando-nos para seguir em frente. Na Venezuela existe um povo uma cidade que está tentando seguir em frente em meio a essa crise”.

23 agosto 2019, 08:59