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A devastação dos bombardeios no Iêmen A devastação dos bombardeios no Iêmen  (AFP or licensors)

Dom Hinder: é difícil uma trégua no Iêmen

Entrevista com o vigário apostólico para a Arábia Meridional, Dom Paul Hinder. Segundo as Organizações humanitárias desde o início do conflito as violências e destruições obrigaram 1,5 milhões de crianças a abandonarem suas casas

Cidade do Vaticano

Iêmen, as más notícias chegam de modo ininterrupto. A situação continua dramática. Segundo a ONG Save the children, sete pessoas morreram por causa de um míssil que caiu sobre um hospital. Entre as vítimas, quatro crianças, um funcionário e um agente de segurança, e mais duas pessoas estão desaparecidas. O ataque ocorreu no dia do 4º aniversário do início desta guerra sem fim.

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Nesta semana, milhares de pessoas que apoiam os rebeldes xiitas Houthi, reuniram-se na capital Sana’a para contestar a campanha militar da coalizão árabe guiada pela Arábia Saudita. Mais uma tentativa de terminar com esse conflito que já causou milhares de mortos e obrigou 1,5 milhões de crianças a abandonarem suas casas, segundo a ONG Save the children. Nos hospitais de Aden e Sana’a as crianças chegam a ficar em três em cada cama, muitos por causa de grave desnutrição, insuficiência cardíaca e renal e mais recentemente o perigo da cólera, que já está se espalhando por todo o país. Para o diretor da OMS do Mediterrâneo Oriental, Ahmed Al-Mandhari, muitos deles “não viverão mais de uma semana”.

Entrevistamos Dom Paul Hinder, vigário apostólico para a Arábia meridional, para falar sobre a situação:

Dom Hinder: O problema é que dentro do país há várias forças opostas, que criaram o clima para uma guerra civil. E sobretudo outro grande problema são as ingerências externas, exercida por poderes regionais, como a Arábia Saudita com os seus aliados, o Irã. São aspectos que não permitem chegar a uma trégua. É muito difícil dizer quando este processo terá um resultado mais positivo. Todos queremos isso, mas por enquanto há muito ódio, muita desconfiança e isso é um grande problema. Não há confiança entre as várias partes que permanecem em suas posições e não aceitam compromissos, que seria o único modo de caminhar finalmente para a paz.

Dom Hinder, é uma das guerras que mais atingiram a população civil. Na sua opinião porque a comunidade internacional se mobiliza tão pouco e mal?

Dom Hinder: Talvez o Iêmen esteja fora do interesse internacional e intercontinental, apesar da sua importante posição estratégica, principalmente como entrada ao Mar Vermelho. Parece-me que os que estão envolvidos na guerra não querem que se fale muito. Essa é minha impressão. Também a imprensa e a mídia ocidental falam relativamente pouco especialmente no que se refere à gravidade do conflito. Onde há guerra, há sempre alguém que lucra, os que fazem o tráfico de armas ou outros tráficos.

Dividir o país em dois Estados Norte e Sul, seria uma solução? É uma possibilidade a ser levada em consideração?

Dom Hinder: Pode ser que no fim este seja o resultado. Eu não acredito muito porque na verdade, no fim, teremos mais do que dois Estados. Não se trata apenas do Sul e do Norte, dentro do Iêmen há várias regiões com tendências independentistas. Creio que o caminho certo poderia ser um Estado confederado, portanto menos centralizado como era no passado. Mas a pergunta é: seremos capazes de aceitar esta divisão dentro do país com centros regionais, portanto um Estado confederado?

27 março 2019, 11:25