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"Todos sabemos que o Imame Al Tayyeb e o Papa Francisco são grandes homens da paz, mas quem entre nós poderia ter imaginado que dois símbolos dessa magnitude teriam superado todos os obstáculos para assinar um documento de reconciliação, em um mundo marcado por contraposições políticas, de incitamento ao ódio, à violência e ao extremismo?" "Todos sabemos que o Imame Al Tayyeb e o Papa Francisco são grandes homens da paz, mas quem entre nós poderia ter imaginado que dois símbolos dessa magnitude teriam superado todos os obstáculos para assinar um documento de reconciliação, em um mundo marcado por contraposições políticas, de incitamento ao ódio, à violência e ao extremismo?"  (ANSA)

Uma nova fase histórica para as religiões, diz Ministro dos Emirados

Em um discurso na Cúpula Mundial de Governos em Dubai, o chefe da diplomacia dos Emirados Árabes Unidos recorda o valor histórico do encontro do Papa com o Grande Imame e fala da repercussão da Declaração conjunta assinada pelos dois líderes.

Em um discurso na Cúpula Mundial de Governos em Dubai, o chefe da diplomacia dos Emirados Árabes Unidos recorda o valor histórico do encontro do Papa com o Grande Imame

"Há poucos dias, dois símbolos mundiais fizeram uma visita histórica aos Emirados Árabes Unidos, onde o Papa encontrou em Abu Dhabi o Grão Imame, xeque de al Azhar, Ahmed Al Tayyeb". Com essas palavras, o xeque Abdallah Ben Zayed Al Nahyan, ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, iniciou seu discurso na Cúpula Mundial de Governos, realizada em Dubai de 10 a 12 de fevereiro de 2019.

Evento histórico

 

Al Nahyan falou de um "evento histórico", chamado "Encontro da Fraternidade Humana", e com o qual "as relações entre as religiões entraram em uma nova fase histórica". Depois acrescentou: "Todos sabemos que o Imame Al Tayyeb e o Papa Francisco são grandes homens da paz, mas quem entre nós poderia ter imaginado que dois símbolos dessa magnitude teriam superado todos os obstáculos para assinar um documento de reconciliação, em um mundo marcado por contraposições políticas, de incitamento ao ódio, à violência e ao extremismo?"

O chefe da diplomacia dos Emirados recordou que "o caminho da paz entre o Papa e o Grão Imame havia começado anos atrás, graças aos encontros formais, marcados por algumas reservas. E com o passar dos anos, sentaram-se à volta da mesma mesa como irmãos e amigos, para dizer ao mundo que a paz é difícil mas não impossível". Depois acrescentou que "alguns podem se perguntar quais seriam as motivações por trás dessa insistência sobre a ideia da fraternidade humana. A resposta é uma única palavra: a paz!"

As responsabilidades de políticos e líderes religiosos

 

"Quando revemos a história - continuou Al Nahyan - vemos que as pessoas que fazem as guerras geralmente pertencem a duas categorias: políticos e líderes religiosos. Portanto, se queremos alcançar a paz, estes devem assumir suas responsabilidades históricas, devem ter a coragem e a sinceridade necessárias para acabar com os conflitos. As guerras não podem ser totalmente interrompidas, mas é possível limitá-las consideravelmente quando as pessoas se sentam em volta da mesma mesa e quando são movidas por uma intenção sincera de unir as pessoas".

O Ministro do Exterior dos Emirados Árabes reiterou depois que "as religiões não existem para incitar as pessoas ao ódio e à violência, mas foram instrumentalizadas para justificar o extremismo e o terrorismo. As religiões foram desfiguradas ao longo da história e não apenas no mundo de hoje. Portanto, o encontro entre o xeque de Al Azhar e o Papa adquiriu uma grande importância, também pela assinatura do "Documento sobre a Fraternidade Humana - Declaração de Abu Dhabi", que é considerado um documento de reconciliação histórico, caracterizado pela coragem e sinceridade, para dar à humanidade a esperança de que a paz é possível e a convivência é possível".

 

Em seu pronunciamento na Cúpula Mundial de Governos em Dubai, Al Nahyan leu um parágrafo do documento em questão: "A liberdade é um direito de toda pessoa: que cada um desfrute da liberdade de crença, de pensamento, de expressão e de ação. O pluralismo e a diversidade de religião, de cor, de sexo, de raça e de linguagem são uma sábia vontade divina, com a qual Deus criou os seres humanos. Esta divina Sabedoria é a origem da qual deriva o direito à liberdade de crença e a liberdade de ser diferentes. Por esta razão, condena-se o fato de obrigar as pessoas a aderirem a uma determinada religião ou a uma determinada cultura, bem como impor um estilo de civilização que os outros não aceitam".

"Estas palavras, quando pronunciadas por dois símbolos religiosos do calibre do Papa e do Grão Imame, nos dão força", disse o ministro dos Emirado, acrescentando: "Dão força a nós que trabalhamos no mundo da política, da educação,  da informação, e de outros setores influentes na vida das pessoas, para que possamos ser sérios e corajosos na luta contra o extremismo em suas múltiplas formas e expressões, sem temer quem tenta distorcer textos religiosos para convencer as pessoas de que a violência é um preceito religiosos e que a discriminação em relação às outras religiões faz parte de uma lei celeste".

"Que esta Declaração seja um convite à reconciliação e à fraternidade entre todos os crentes, antes ainda, entre os crentes e os não-crentes, e entre todas as pessoas de boa vontade", este é um dos parágrafos do documento assinado pelo Santo Padre e pelo Grão Imame, que demonstra  - segundo o ministro - que o conceito da paz não é exclusivo dos fiéis, mas inclui toda a humanidade.

Projetos de combate ao extremismo e ao ódio

 

O xeique prossegue listando várias iniciativas dos Emirados Árabes Unidos que refletem o compromisso com os princípios do documento sobre a Irmandade Humana. Entre outras coisas, fala da instituição, decidida pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, do "Fundo internacional Zayed pela convivência”, que visa apoiar os princípios do documento com uma série de projetos e iniciativas a nível internacional, que serão lançados em breve.

A atividade do Fundo englobará diversos setores, como a educação, o desenvolvimento social, os progressos culturais e de conhecimento, desenvolvendo programas formativos que promovam os valores da fraternidade humana, além de fornecer bolsas de estudos para encorajar pesquisas sobre os princípios do documento, e também cursos de formação para os professores.

O Fundo também deverá fornecer ajuda financeira a iniciativas e projetos em todo o mundo, que contribuíam para resolver conflitos ou aliviar as tensões na sociedade e promovam a rejeição do extremismo e do ódio. O projeto terá uma significativa atividade informativa e editorial multilíngue, com um interesse especial em apoiar os jovens em suas iniciativas, para promover a cultura de tolerância e fraternidade em todo o mundo.

Documento no currículo escolar

 

Uma maneira de agradecer a honra de ter sido escolhido como local para o encontro e a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana, prossegue o ministro, foi a declaração dos Emirados Árabes Unidos sobre o total apoio a tudo o que este documento inclui, com a adoção de seus princípios de civilização, que a partir do próximo ano acadêmico farão parte dos programas escolares e universitários do país. O chefe da diplomacia dos Emirados também recordou em seu discurso o Prêmio para a Fraternidade Humana, já atribuído ao Santo Padre e ao Grão Imame.

Não faltou no discurso do ministro outro momento significativo da Viagem Apostólica do Papa Francisco: a Missa por ele celebrada no Zayed Sports City, que contou com a participação de "mais de 180 mil fiéis católicos". "Nos deixou felizes - disse ele - ver como acolheram Sua Santidade com alegria e felicidade".  Trata-se de uma mensagem - continuou - dirigida dos Emirados Árabes Unidos àqueles que vivem em sua terra.

Na parte final do seu discurso, Al Nahyan falou do interesse do seu país pelas iniciativas religiosas nesta era marcada pela ciência e pela tecnologia, interesse nascido da convicção de que a religião é um fundamento essencial da alma humana. É "uma fonte de arrependimento" invés disto, continua o ministro, a presença em algumas sociedades de sentimentos religiosos desviados que tomam conta da razão e da tolerância, "causando o nascimento de grupos violentos, extremistas e terroristas". Daí a importância de não negligenciar o papel dos líderes religiosos, diz o ministro, que acrescenta: "Ninguém está autorizado a pedir às pessoas para abandonarem a própria fé, que é um direito doado por Deus Altíssimo aos homens".

Criticando com força a ideia da contraposição entre fé e ciência, o ministro concluiu sua reflexão afirmando que o Grão Imame Ahmed Al Tayyeb e o Papa Francisco serão lembrados "por terem contribuído para a mudança do curso da história e por terem aproximado com coragem e sabedoria" os fiéis de diferentes religiões, pelo seu compromisso sincero e forte em aplicar o princípio da fraternidade humana e em difundir a paz e o amor entre os seres humanos".

 

16 fevereiro 2019, 10:16