Versão Beta

Cerca

Vatican News
Iêmen, criança Iêmen, criança  (ANSA)

Editorial: Iêmen, parem o massacre de inocentes

Está se consumando no Iêmen uma tragédia desumana. Uma guerra ignorada, sobre a qual se acenderam os refletores.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

O Iêmen vive o massacre dos inocentes e ninguém quer deter isso. Ninguém está interessado em contrastar uma guerra que há mais de quatro anos está destruindo o país, onde, segundo a ONU, “se vive a pior crise humanitária no mundo”. As vozes internacionais pedem uma trégua para poder salvar a população daquela nação africana. As ONGs, não conseguem fornecer ajuda suficiente, as estruturas foram destruídas, como também as vidas dos civis, atingidos por incursões da coalizão liderada pelos sauditas, que para deter os rebeldes houthi, chegam a atacar escolas, hospitais e inocentes, com bombas fornecidas por governos “ocidentais” que hoje estão indignados diante das imagens de mortes de tantas crianças.

Ouça e compartilhe!

Está se consumando no Iêmen uma tragédia desumana. Uma guerra ignorada, sobre a qual se acenderam os refletores depois do homicídio do jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi, assassinado no consulado de seu país em Istambul. Uma morte que obrigou muitos governos, inclusive o italiano, a abrirem os olhos sobre os horrores cometidos no Iêmen e que hoje poderia obrigar esses mesmos países a deter o fornecimento de armas aos sauditas.

Inferno para as crianças

Para o Unicef, organismo da Onu para a Infância o Iêmen hoje é um inferno na terra para as crianças. “É um inferno para cada menino ou menina do Iêmen”.

Alguns dados: no país há mais de 1,8 milhões de crianças que padecem de má nutrição aguda. Cerca de 400 mil todos os dias sofrem de uma forma de má nutrição aguda grave e perigosa para a vida. Mais de 40% dessas crianças vivem em Hodeida e nas vizinhanças, onde cresce a guerra.

No Iêmen segundo o Unicef, a cada 10 minutos, morre uma criança por causa de doenças que podem facilmente serem prevenidas como o sarampo e difteria. Os níveis de vacinação desceram drasticamente desde o início da guerra. Não existe um programa nacional de vacinação. Um coquetel, de fome e doenças infantis que atinge um população inocente.

São mais de 1 milhão e meio as famílias mais vulneráveis e mais pobre no país. As famílias recebem mensalmente uma pequena soma em dinheiro do Unicef. Se hoje o Iêmen está enfrentando o risco da fome, não é por uma causa natural única. É simplesmente por motivos dos quais os adultos são os responsáveis, mas são as crianças inocentes a pagarem o preço mais alto.

Cerca de 85.000 crianças com menos de cinco anos de idade podem ter morrido de fome ou doenças graves desde o início da escalada do conflito no país.

Risco de fome

Hoje, 14 milhões de pessoas estão em risco de fome, um número que "aumentou dramaticamente", desde que a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita impôs um bloqueio marítimo e aéreo que exacerbou a insegurança alimentar no país.

Desde então, afirmam as ONGs presentes no território, as importações de alimentos através do porto de Hodeida, onde uma batalha sangrenta está sendo travada, foram reduzidas em mais de 55.000 toneladas métricas por mês", suficiente para atender às necessidades de 4,4 milhões de pessoas, incluindo 2,2 milhões de crianças".

Neste tempo, por exemplo, Save the Children forneceu alimentos para 140.000 crianças e já tratou de mais de 78.000 crianças desnutridas desde o início da crise. Apesar dos desafios, as ONGs estão salvando vidas.

Estamos diante de uma das piores crises humanitárias de todos os tempos: milhões de crianças precisam de ajuda e assistência imediatas. Se elas não são mortas ou mutiladas por bombas, vivem sob constante ameaça de fome e doenças: quase 46 mil crianças, se não se intervêm imediatamente, poderiam morrer até o final do ano, afirmam as ONGs.

Parar com o massacre

A comunidade internacional está pedindo a todas as partes que parem imediatamente os combates. É necessário permitir o pleno acesso à ajuda humanitária e às importações comerciais e negociar com o enviado especial da ONU, Martin Griffiths, sem condições prévias. Esta última onda de violência é profundamente preocupante à luz dos planos para novas conversações de paz que poderiam ser um passo fundamental para levar socorro às crianças  e a todo o povo do Iêmen. Os ataques contínuos mostram que as declarações dos líderes mundiais não fazem sentido se não forem apoiadas por ações concretas. A comunidade internacional deve aumentar a pressão diplomática e intensificar os esforços para parar imediatamente a ofensiva e alcançar uma paz duradoura. Basta de sacrificar a vida de inocentes.

24 novembro 2018, 07:53