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Refugiados Rohingya Refugiados Rohingya  (AFP or licensors)

Rohingya, ONU: líderes militares de Mianmar devem ser julgados por genocídio

O pedido foi feito no final da investigação solicitada pelo Conselho dos Direitos Humanos. Entre os responsáveis também o chefe do exército

Cidade do Vaticano

Os líderes militares de Mianmar devem ser julgados por genocídio por causa dos crimes perpetrados contra a minoria muçulmana Rohingya, no Estado de Rakhine, no oeste do país. É o que consta em um dossiê do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, que relatou as conclusões da investigação que o organismo internacional havia encomendado há seis meses. Trata-se de seis entre os mais importantes generais do exército, incluindo o comandante em chefe Min Aung Hlaing.

Pelo menos 10 mil vítimas

Os investigadores, que não tiveram acesso ao território de Mianmar e que relataram a falta de cooperação do governo, entrevistaram centenas de Rohingyas expatriados  em campos de refugiados em Bangladesh após a perseguição e compararam imagens de satélite. Entre os crimes cometidos pelo exército haveria assassinatos, estupros de grupo, incêndios de vilarejos e o assassinato de crianças, com um balanço de pelo menos 10 mil vítimas.

Direitos humanos violados

"É importante que as instituições internacionais, as Nações Unidas, assim como a União Europeia, tenham uma posição muito clara em relação àquela parte do governo representada pelos militares, pela violação dos direitos humanos e pela terrível situação no Estado de Rakhine", explica Cecilia Brighi, da associação "Itália-Birmânia". "Quanto peso tenha a posição do Conselho dos Direitos Humanos", continua ela, "vamos ver, porque até agora o governo birmanês rejeitou as conclusões do Conselho considerando-o incorreto e não representativo da realidade".

Para a ONU é genocídio

O documento usa explicitamente a palavra genocídio - termo usado pelas Nações Unidas apenas para os massacres na Bósnia e em Ruanda - alinhando-se assim à posição dos Estados Unidos, que tinham falado no ano passado de "limpeza étnica" e da União Europeia, que impôs sanções. O pedido é o de um julgamento militar perante o Tribunal Penal Internacional ou a instituição de um tribunal especial.

Eliminar o clima de ódio

"A realidade é que Mianmar não faz parte do Tribunal Penal Internacional e, portanto, o Tribunal não tem nenhum papel em relação à Birmânia", comenta ainda Cecilia Brighi: "creio que seja importante condenar os militares do alto escalão por aquilo que ocorreu e continua a acorrer: ou seja, o fato de que o êxodo para o Bangladesh continua, que ainda há acusações de violações dos direitos humanos e que o retorno é difícil de se concretizar, mesmo que tenham sido tomadas medidas como por exemplo, a construção de alguns vilarejos. No entanto, o documento da Comissão dos Direitos Humanos afirma que essa medida levará dez anos para que todos possam retornar. E obviamente é preciso garantir toda uma série de outras medidas, que são a possibilidade de ter cidadania, e a eliminação do clima de ódio e conflito".

28 agosto 2018, 11:21