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Zimbábue, no sudeste da África, realizou eleições presidenciais em 31 de julho passado Zimbábue, no sudeste da África, realizou eleições presidenciais em 31 de julho passado  (AFP or licensors)

Toda eleição na África tem a sua guerra: enfrentar o desafio da paz

“Hoje, uma eleição pacífica na África é vista como um evento importante, um milagre. O absurdo tornou-se a norma e a norma um verdadeiro milagre”. É fundamental fazer a fatídica pergunta: “O que são realmente as eleições na África?” - questiona o teólogo da Sociedade Missões Africanas, Pe. Zagore.

Cidade do Vaticano

“As violências políticas no Mali e em Zimbábue nos levam a interrogar-nos mais uma vez sobre o tema das eleições na África. Toda eleição tem a sua guerra e são muitos os países que se encontram em conflitos ferozes devido a problemas eleitorais”, disse à agência missionária Fides o teólogo marfinense da Sociedade Missões Africanas, Pe. Donald Zagore, comentando as eleições de 31 de julho passado em Zimbábue após a renúncia forçada do ex-presidente Robert Mugabe.

Colher o desafio da paz

Eleição pacífica na África, um milagre

“A frequência e a constância destas crises fizeram de modo que as crises pós-eleitorais se tornassem hoje para a África fenômenos quase naturais e até mesmo culturais. Hoje, uma eleição pacífica na África é vista como um evento importante, um milagre. O absurdo tornou-se a norma e a norma um verdadeiro milagre”, continua o missionário.

“A esse ponto, é fundamental fazer a fatídica pergunta: o que são realmente as eleições na África? Devemos continuar tendo eleições, considerando que toda vez se registram centenas de mortos?”

Ausência de instituições fortes e independentes

“As razões de tal falimento político na África são muitas. Em primeiro lugar, faltam instituições fortes e independentes capazes de levar os processos eleitorais adiante. Nossas comissões eleitorais independentes, absolutamente, não são ‘independentes’”, comenta Pe. Zagore.

Falta de patriotismo, interesse pessoal em detrimento da nação

“Falta um verdadeiro patriotismo das populações e dos candidatos que dão sempre prioridade ao interesse pessoal em detrimento da nação. Há demasiadamente interferências por parte de forças estrangeiras e multinacionais no jogo eleitoral político e sede inesgotável de poder. Além disso, o analfabetismo da população permite que os políticos manipulem todos, em particular para finalidades tribais e de clãs”, acrescenta.

Atores da própria destruição. Até quando?

“A África encontra-se continuamente moribunda e atolada na pobreza e na miséria devido a todas essas eleições falidas. Até quando permaneceremos atores de nossa própria destruição? – pergunta-se o religioso marfinense.

“Hoje, mais do que nunca, é fundamental em nosso Continente o nascimento de uma cultura política e, sobretudo, eleitoral radicada num sistema educacional que forma consciências políticas e eleitorais emancipadas de toda forma de corrupção.”

“Por fim, somente através do rigoroso exercício da consciência política e eleitoral poderemos dar à África homens e mulheres prontos para acolher o desafio da paz”, conclui Pe. Zagore.

(Fides)

22 agosto 2018, 16:31