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Vatican News
2018.08.26 Kandhamal Mass Missa pelas vítimas do massacre de Kandhamal, Índia 

Orissa: Missa pelas vítimas do massacre de cristãos

Em Orissa, Estado da Índia foi celebrada uma Missa para recordar as vítimas do massacre de Kandhamal de 10 anos atrás. Uma celebração de agradecimento pela reconciliação e a graça. O testemunho do bispo Barwa

Cidade do Vaticano

Solenidade e sobriedade marcaram a cerimônia em memória das vítimas cristãs dos massacres ocorridos em Kandhamaln, no Estado de Orissa na Índia, 10 anos atrás. Uma nota da arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, em Orissa, afirma que “a maior dor é que o massacre de inocentes continuou livremente por vários meses”.

A celebração

A Missa em recordação às vítimas foi realizada no sábado (25/08). A eucaristia foi concelebrada por 13 bispos e 90 sacerdotes e contou com a participação de muitos religiosos e fiéis de todas as camadas sociais. Também participaram alguns bispos de outras denominações cristãs.

O sangue dos mártires

Durante a cerimônia, D. John Barwa, arcebispo local, afirmou que “Deus age nas nossas vidas e na vida da Igreja de modo misterioso. O sangue dos mártires de Kandhamal trouxe muitas  bênçãos à Igreja em Orissa e no país”. Na entrevista ao Vatican News, D. Barwa acrescentou que: “Tudo é desígnio de Deus e nós podemos julgar os fatos baseados apenas na nossa experiência: não se pode entender plenamente os planos de Deus. O que podemos dizer, é que os mártires morreram pela fé e por isso são abençoados pelo Senhor”.

O massacre de Kandhamal

A tragédia de Kandhamal, é a descrição de algo inumano: 120 vítimas; 60.000 crianças, mulheres, homens, velhos, jovens, recém-nascidos e mulheres grávidas que fugiram para a floresta; 30.000 pessoas ficaram por um ano nos campos de refugiados organizados pelo governo, 400 vilarejos atacados para exterminar os cristãos, 6.000 casas destruídas; 300 igrejas e institutos sociais abatidos. A tragédia começou com a morte do swami hindu Lakshmanananda Saraswati e de seus quatro seguidores: “A relação entre cristãos e hindus– continua D. Barwa – era muito boa, mas há alguns hinduístas fundamentalistas, ambiciosos, que buscam a luta, a guerra e a violência. Mas a maior parte dos hindus querem simplesmente a paz e viver tranquilamente”. Trata-se de uma das piores violências anti-cristãs da história republicana da Índia.

A lentidão da justiça indiana

Os sobreviventes de Kandhamal ainda estão lutando pela justiça porque os ressarcimentos, denunciados até pela Igreja católica em Orissa, não são adequados. Das mais de 3.000 denúncias, nem mesmo a metade dos casos foram registrados nos tribunais e muitos foram arquivados. “Alguns pensam – explica D. Barwa – que os culpados devem ser logo punidos, mas a justiça requer tempo. É necessário paciência e confiança em Deus”. Desde 2009, o povo de Kandhamal celebra em 25 de agosto o dia da memória pelas vítimas.

Confiança em Deus

Visitei pessoalmente – explica D. Barwa – os territórios atingidos pelas violências. Algumas pessoas perderam a casa, outras a vida, muitos viram seus familiares morrer. De algum modo todos ficaram marcados por essa tragédia, que continua sendo uma das mais graves da história da Índia. Visitando os lugares dos massacres, entendi que só Deus sabe o que é bom para nós. Fomos submetidos a ultrajes e suportado dramas, vivemos desgraças e suportamos pacientemente a dor, mas temos Deus, o nosso mestre. Ele está conosco e nos guia, e com ele crescemos todos os dias, cada vez mais, na fé. Graças a Ele superamos todas essas desgraças”.

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29 agosto 2018, 11:44