Versão Beta

Cerca

Vatican News
COMUNIDAD MEXICO Menina mexicana 

Crianças presas e desenraizadas na América Central e México

Dramática situação das crianças da América Central. O Unicef denuncia a onda de violência, homicídio e situações de extrema pobreza de menores.

Cidade do Vaticano: 17.8.2018

Segundo o relatório do Unicef, milhares de crianças migrantes sofrem violência todos os dias e são vítimas de detenção ilegal: quase 70.000 crianças foram presas no México.

Assim, continua a dramática situação das crianças da América Central. Por isso, o Unicef denuncia a onda de violência, homicídio e situações de extrema pobreza de menores. Os países, onde as condições das crianças são mais desesperadoras, são México, El Salvador e Honduras. Todos os dias, segundo dados do Relatório do Unicef, uma criança é assassinada em Honduras e em El Salvador.

O círculo vicioso de crianças desenraizadas

Milhares de crianças migrantes são detidas no México e a maioria é expulsa para a América Central.

“Este ano, quase 100.000 migrantes são obrigados a deixar a América Central, um terço dos quais são mulheres e crianças”: é o que afirma o Unicef, - Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência - em seu relatório.

Em sua declaração, o Unicef explica que as crianças migrantes e refugiadas enfrentam um círculo vicioso de dificuldades e perigos, especialmente quando se trata de repatriação, um processo cansativo e frustrante.

Pesadelo pelo retorno

"Milhões de crianças são vítimas da pobreza, da indiferença, da violência, da migração forçada e do medo de serem expulsas", disse Marita Perceval, diretora regional do Unicef ​​para a América Latina e o Caribe. "Em muitos casos, as crianças mandadas de volta para seus países de origem não têm onde morar e acabam se endividando ou são alvo de gangues criminosas, causando uma nova migração".

Violência, pobreza e exclusão

El Salvador, Guatemala e Honduras, países mencionados pelo relatório do Unicef, estão entre as nações mais pobres do hemisfério ocidental: mais da metade das crianças vive abaixo do nível da pobreza. Famílias pobres, geralmente, pedem empréstimos para financiar sua migração irregular para os Estados Unidos. Se a migração não tiver sucesso, elas se encontram com uma situação financeira bem mais precária do que a anterior, por serem incapazes de pagar os empréstimos.

Exclusão e violência das gangues

Além da pobreza, diz o comunicado do Unicef, “as crianças também correm o risco da violência das gangues”: são recrutadas por comunidades criminosas e são, muitas vezes, vítimas de abuso sexual. A sua exclusão pelas comunidades é outro elemento de marginalização. Devido à tentativa fracassada de chegar ao México ou aos Estados Unidos, as crianças, que retornam ao seu país de origem, são isoladas e excluídas pela sociedade.

Soluções Unicef

Segundo o Unicef, a extrema violência, a pobreza e a falta de oportunidades de se integrar não são somente causas de migrações irregulares de menores da América Central-Norte, mas ainda consequência das expulsões do México e Estados Unidos. Em seu relatório, o Unicef pediu aos governos que encontrem soluções para ajudar a reduzir as causas da migração irregular e forçada, bem como proteger o bem-estar das crianças refugiadas e migrantes durante a viagem. Os programas apoiados pelo Unicef nas Américas Central e do Norte e no México estão surtindo efeito e beneficiam muitos jovens migrantes e refugiados.

Situação das crianças no Brasil

Por outro lado, o Unicef lançou, na última terça-feira (14/8), uma pesquisa intitulada “Pobreza na Infância e na Adolescência", da qual resulta o seguinte alerta: 32 milhões ou seja 61% das crianças e adolescentes brasileiros vivem na pobreza, em suas múltiplas dimensões. O estudo mostra que a pobreza na infância e na adolescência vai para além da renda. Além desta pobreza monetária, emerge o conjunto de privações de direitos, às quais são submetidos os menores.

Nesta pesquisa foram analisados a renda familiar de crianças e adolescentes e seu direito de acesso à educação, informação, proteção contra o trabalho infantil, moradia, água e saneamento. Os direitos das crianças e adolescentes são indivisíveis e têm que ser garantidos na sua totalidade. Enfim, nosso País conta com quase 27 milhões de crianças e adolescentes (49,7%) com seus direitos negados e em situação de "privação".

18 agosto 2018, 09:20