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O sul-coreano Choi Dong-gyu, de 84 anos, segura a mão da parente norte-coreana, Pak Choon Hwa, de 58,  após décadas de separação pela guerra O sul-coreano Choi Dong-gyu, de 84 anos, segura a mão da parente norte-coreana, Pak Choon Hwa, de 58, após décadas de separação pela guerra  (AFP or licensors)

Emoção marca reencontro de famílias coreanas separadas pela guerra

89 sul-coreanos atravessaram a fronteira militarizada esta segunda-feira para reencontrar seus familiares na Coreia do Norte. O último encontro do gênero havia sido realizado em 2015. Segundo o governo sul-coreano, 56.890 cidadãos do sul estavam separados de suas famílias no norte desde a Guerra da Coreia.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

Na semana que marca o início do IX Encontro Mundial das Famílias, um fato significativo:  famílias das duas Coreias se reencontraram nesta segunda-feira, 20, no resort turístico do Monte Kumgang, na Coreia do Norte,  depois de décadas separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953).

A iniciativa, dividida em duas partes, faz parte dos esforços para atenuar as tensões nas relações intercoreanas, como concordado entre os dois líderes - o presidente sul-coreano Moon Jae-in e o “comandante supremo” Kim Jong-um - na reunião de cúpula realizada em 27 de abril na fronteira de Panmunjon.

Para esta primeira sessão de encontros – que vai desta segunda até quarta-feira –  Seul escolheu 89 pessoas, que deixaram Sokcho (nordeste da Coreia do Sul) esta manhã e cruzaram a fronteira em Goseong, para encontrar 180 familiares que os aguardavam no outro lado da fronteira.

Segundo a Agência Yonhap, nos três dias de permanência na Coreia do Norte, as famílias se encontrarão seis vezes, num total de 11 horas.

O segundo encontro será realizado de sexta-feira até domingo, e contará com 83 participantes  escolhidos pela Coreia do Norte.

Último encontro em 2015

 

Os primeiros encontros foram definidos pelas Coreias em 1985, sendo acelerados após a reunião de cúpula Norte-Sul realizada no ano 2000. Desde então, incluindo as iniciativas por vídeo, mais de 20 mil pessoas puderam finalmente rever os próprios familiares até outubro de 2015, último ano em que ocorreram os encontros, visto a deterioração das relações entre Seul e Pyongyan. No total, foram 20 os encontros realizados.

Esta nova série de emocionantes reencontros de familiares provocou emoção e muitas lágrimas. Longos e calorosos abraços permitiram superar ao menos em parte os limites impostos por fios de arame farpado e terrenos minados.

O reencontro de mães com seus filhos

 

Quando Han Shin-ja, uma sul-coreana de 99 anos aproximou-se de sua mesa, as duas filhas, de 69 e 72, aguardavam por ela com ansiedade. Respeitosamente inclinaram suas cabeças, antes de irromperem em lágrimas. Da mesma forma a Sra. Han não conteve a emoção, antes de poder abraçá-las com força após anos de separação.

"Quando tive que fugir durante a guerra ...", tentou se justificar, desistindo logo a seguir e deixando que suas lágrimas demostrassem a emoção pelo reencontro e apagassem qualquer sentimento de culpa.

Muitos norte-coreanos usavam a vestimenta tradicional, conhecida no norte como joseon-ot e no sul como hanbok. E todos os norte-coreanos usavam um distintivo com o retrato do fundador do regime Kim Il Sung ou seu sucessor, Kim Jong Il.

Nesta segunda-feira, a reunião começou com o som da música norte-coreana "Happy to meet you", que também é popular no sul.

Lee Keum-seom, 92, é agora uma senhora de baixa estatura e aparência muito frágil. Ela reviu pela primeira vez seu filho desde que a guerra os separou: mãe e filha ficaram no sul e o pai e seu filho no norte.

Na época, o filho Ri Sang Chol era um bebê de quatro anos de idade. A sra. Li gritou seu nome quando o viu, antes de abraçá-lo.

Ri Sang Chol mostrou a ela uma foto de sua família no norte, incluindo seu falecido pai: "Esse é o papai", disse ele.

"Eu nunca imaginei que este dia chegaria", declarou Lee à AFP antes de sair. "Eu nem sabia se ele ainda estava vivo."

O último adeus

 

Inicialmente, 130.000 sul-coreanos haviam se inscrito no ano 2000 para esses encontros. Boa parte deles já faleceu.

De fato, a maioria dos sobreviventes têm idades entre 70 e  80 anos, segundo o Ministério da Unificação sul-coreano. Este ano, a participante mais idosa é Baik Sung-kyu, com 101 anos de idade.

Na quarta-feira, os participantes passarão aproximadamente 11 horas com membros da família no norte,  sob a supervisão de agentes norte-coreanos, antes de se separarem novamente, provavelmente para sempre.

Aqueles que compareceram a essas reuniões no passado, lamentaram que muitas vezes o tempo é muito curto. A maioria também considerou este reencontro como um "adeus".

O Ministério da Unificação sul-coreano, havia estimado em maio que 56.890 cidadãos do sul estavam separados de suas famílias no norte desde a Guerra.

(Com Agências)

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Reencontro de famílias coreanas no resort no Monte Kumgang
20 agosto 2018, 11:49