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Amazônia sonha uma Igreja servidora e samaritana, que acolha e dignifique

Igreja na Amazônia encerra Encontro em Manaus divulgando uma carta apontando os próximos desafios a enfrentar. Conosco, o arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi.

Cristiane Murray – Manaus

Depois de três dias vividos em muita comunhão, os bispos e representantes de circunscrições eclesiásticas de toda a região encerraram o III Encontro da Igreja na Amazônia brasileira nesta quinta-feira (23/08) aprovando uma carta final.

Por um lado, concluem com alegria e esperança que a Igreja Católica na Amazônia está solidária com seus povos e dando passos decisivos para a concretização do Sínodo, a se realizar em outubro de 2019.

Por outro, lamentam os efeitos dos grandes projetos, do desmatamento, das ameaças constantes à grande floresta, às nossas águas e à sobrevivência dos habitantes da região, sobretudo os povos tradicionais. Sublinham ainda as sequelas da degradação da condição humana, a violência que cresce a cada dia, a proliferação do narcotráfico e do tráfico de pessoas.

Soluções diferenciadas para a Amazônia

Como pastores, reiteram a necessidade de atender e acompanhar pastoralmente as comunidades que têm direito de serem alimentadas pelo pão da Eucaristia, da Palavra e pelos sacramentos. E pedem soluções diferenciadas e adequadas às características regionais.

O Presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Roque Paloschi, comenta ao Vatican News suas impressões finais:

“Encerramos com um espírito de gratidão e alegria. Temos que confiar nos passos de nossas comunidades, dos pobres da terra e no sonho de uma vida em harmonia e de respeito com a Criação e com aqueles que são diferentes, na certeza de que é o Espírito que nos conduz.

Oportunidade única, agir sem medo

“Senti nos bispos um entusiasmo incontido, porque sabem que é um momento muito especial na vida da nossa Igreja”.

“É um caminhar que teve início antes do Concílio Vaticano II, que teve continuidade com Medellín, no encontro de Santarém e assim por diante, e que agora tem esta culminância com o Sínodo da Amazônia, pedido pelos bispos e convocado de maneira surpreendente pelo Papa Francisco. Não esperávamos um olhar tão amoroso pela região amazônica, que pudemos sentir em janeiro quando esteve em Puerto Maldonado”.

O sonho de uma Igreja amazônica

“Sonhamos uma Igreja servidora, samaritana, capaz de acolher os sonhos e esperanças dos pobres desta terra. Uma Igreja capaz de respeitar as culturas, as espiritualidades, que saiba valorizar a presença da mulher, a presença dos jovens, dos idosos, uma Igreja que tenha coragem de ficar do lado dos pobres e defender a Criação com eles”.

“Sonhamos uma Igreja que não se curve diante dos poderosos, mas uma Igreja profética, que tenha uma palavra para dizer nesta hora de crise".

“ Temos o dever de caminhar sem medo porque é o Espírito que nos conduz ”

Tanto sangue derramado neste chão amazônico não foi em vão, mas para que a Igreja não perca esta memória”.

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23 agosto 2018, 19:02