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Siria Deslocados na Síria  (ANSA)

Síria: situação ainda dramática

Continuam os bombardeios e aumenta o número de deslocados. Mas a esperança resiste: “há força e vontade de ir adiante para crer que a vida possa continuar”, diz agente de saúde do Médicos Sem Fronteiras. Papa Francisco faz um apelo.

Cidade do Vaticano

Na maior parte da Síria a guerra acabou, mas em muitas regiões do país a situação continua grave e prosseguem os bombardeios. Nos últimos dias, a Síria foi vítima, mais uma vez, de novas ações militares que não pouparam a população civil. Em particular na província de Dara’a foram atingidas escolas e hospitais. A situação muda de hora em hora e o número dos deslocados continua aumentando.

O apelo do Papa

Uma situação dramática que levou Papa Francisco a invocar, mais uma vez, a paz para esta terra martirizada há anos. No Angelus de domingo (01/07) o Pontífice convidou todos a rezarem pela população síria para que terminem estes longos anos de sofrimento.

A destruição das escolas no sul da Síria

O apelo do Santo Padre chegou poucos dias depois do anúncio da Save the Children sobre o bombardeamento de algumas escolas sírias. Todos os 52 edifícios escolares, administrados pela ONG no sul da Síria, tiveram que ser fechados temporariamente por causa do aumento da violência do conflito. Muitos edifícios foram destruídos. Entre estes uma escola em Dara’a frequentada por cerca de 536 estudantes. Na mesma semana uma outra estrutura escolar montada em uma barraca foi destruída por uma bomba que atingiu o campo de deslocados.

O número de deslocados aumenta

Segundo as Nações Unidas ao menos 50.000 pessoas, muitas das quais mulheres e crianças, tiveram que fugir das suas casas e muitas outras serão obrigadas a fazê-lo nos próximos dias. “As estatísticas mudam de hora em hora – denuncia Michele Servadei, Regional Emergency Advisor da Unicef – o número de deslocados, nos últimos tempos, nunca foi tão alto”.

Precisa-se de tudo

“Estas pessoas – prossegue Servadei – precisam de tudo: serviços higiênicos, cuidados médicos de emergência e principalmente combustível que é fundamental para o tratamento da água, sobretudo nos hospitais. Estamos tentando transferir essas pessoas para zonas mais seguras e assim poder dar-lhes toda a assistência que precisam, mas não é fácil”.

No norte da Síria

Mas a situação na Síria não é grave somente no sul, os problemas continuam também no norte. Apesar de Raqqa ter sido libertada, o Estado Islâmico continua a espalhar morte e destruição. Milhares de sírios que voltaram para suas casas depois do fim dos combates pesados, foram mortos ou mutilados por bombas escondidas. Uma situação dramática como conta Diego Manzoni, agente de saúde dos Médicos Sem Fronteiras que trabalhou por seis semanas no hospital de Tal Abyad. “Na Síria norte-oriental – explica – Manzoni – o número de pessoas atingidas por armas explosivas ou munições não explodidas duplicou entre novembro de 2017 e março de 2018.

“ Há várias centenas de pessoas feridas, enquanto que os mortos não se consegue contar. A metade das vítimas são crianças. Os pacientes nos contam que encontraram armas explosivas até dentro de bules, panelas, almofadas, brinquedos e outros objetos deixados em casa durante a longa ausência ”

A esperança além do sofrimento

Mas apesar de tudo, as pessoas continuam ainda a sonhar um futuro melhor. “Cada paciente que chega no hospital – recorda Manzoni – traz consigo uma história. Lembro como se fosse ontem, a chegada de um jovem rapaz amputado pela explosão de uma mina, olhava-me e me pedia ajuda. Há pouco tinha nascido seu filho e queria combater pela sua vida e pela de seu filho. Ver nos olhos esta esperança foi uma das emoções mais fortes que vivi. Creio que representa perfeitamente o que estas pessoas estão enfrentando: o desespero de viver esta mutilação, mas a força e a vontade de ir adiante para crer que sua vida possa continuar”.

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03 julho 2018, 13:07