Versão Beta

Cerca

Vatican News
Quadro de Jesus da Misericórdia com marcas de bala Quadro de Jesus da Misericórdia com marcas de bala  (ANSA)

Domingo de tensão e mortes na Nicarágua. Bispo sofre atentado

A "Operação Limpeza" lançada no domingo pelo governo Daniel Ortega provocou a morte de dez pessoas e deixou dezenas de feridos. Um bispo teve seu carro alvejado e missas foram transferidas de local por medo de agressões.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

Domingo de tensão na Nicarágua, com novos protestos reprimidos pelo governo, com mais mortes e feridos. O bispo de Esteli, Dom Abelardo Mata, escapou ileso de um ataque a tiros por parte de supostos paramilitares.

Numa demonstração de força para tentar retomar o controle da situação no país, o governo de Daniel Ortega lançou na madrugada de domingo a “Operação Limpeza”, uma ofensiva para remover barricadas de ruas e estradas em cinco cidades. Há inúmeras denúncias de detenções ilegais. Dez pessoas foram mortas e há dezenas de feridos.

Atentado contra bispo

 

O veículo que transportava Dom Mata foi alvejado quando o prelado retornava para Manágua vindo de Tisma, onde estava a trabalho. O atentado ocorreu em Nindirí, Província de Masaya, 25 km ao sul da capital, área sob o controle de paramilitares e policiais, segundo denunciaram organismos de direitos humanos.  O bispo e seu motorista buscaram abrigo em uma casa.

A Catedral de Manágua teve que fechar suas portas diante do rumor de que poderia ser invadida por forças sandinistas, à exemplo do que havia acontecido na segunda-feira em Diriamba, quando bispos foram agredidos na Basílica de San Sebastián.  Missas em várias paróquias foram suspensas tendo sido celebradas em outros locais, para não dar pistas aos possíveis agressores.

O cardeal Leopoldo José Brenes, denunciou que um grupo de policiais e paramilitares entraram no domingo na casa paroquial do município de Catarina, Departamento de Masaya, revistando o local e levando alguns pertences da paróquia e do sacerdote Jairo Velásquez, "que ficou assustado com a atitude destas pessoas". O sacerdote está bem e não foi detido, precisou Dom Brenes.

Paróquia da Divina Misericórdia

 

Atendendo o chamado do pároco, padre Raúl Zamorra, um grupo de fiéis foi no domingo até a Igreja da Divina Misericórdia para limpá-la e colocá-la em ordem, depois dos incidentes ocorridos entre a noite de sexta-feira e sábado, quando um grupos de 200 estudantes e alguns jornalistas buscaram refúgio no templo, fugindo da ação de paramilitares.

 

As marcas da violência permanecem presentes na fachada do templo, especialmente na pequena capela, que teve as vidraças e paredes perfuradas por balas.

“Não há palavras para descrever o que aconteceu a eles. Vivo em frente à Universidade, passamos toda a noite ali e foi um tiroteio incrível, horas e horas”, relatou à Efe María Socorro Reinoso, uma das fiéis que organizou os trabalhos de limpeza.

Cardeal hondurenho

 

Na homilia da Missa celebrada no domingo na capital de Honduras, Tegucigalpa, o cardeal Óscar Andrés Rodríguez deplorou a violência na Nicarágua, dizendo que “os ditadores não podem seguir em frente”.

O poder está querendo calar a voz da verdade e da justiça e por esta razão se deve “ajudar aqueles que estão resistindo com a fé”. “O mais triste – disse Dom Óscar Rodríguez, em alusão a Daniel Ortega – é que aqueles que lutaram contra a ditadura agora são ditadores” e “estão destruindo um país irmão que verdadeiramente não merece esta injustiça”.

“Não é justo que um povo tenha que sofrer por causa da ambição de alguns poucos que resistem em deixar o poder, porque saquearam o poder”, lamentou

União Europeia

 

O ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Joseph Borrel, afirmou esta segunda-feira, 16, em Bruxelas - onde participa da reunião dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, que na Nicarágua “a situação vai de mal a pior”.

Borrel reconheceu que o tema não está na agenda do encontro que amanhã reunirá 28 ministros da União Europeia com ministros do Exterior da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), porém admitiu que “uma coisa são temas na agenda e outra, os contatos que são feitos”, acrescentando que aproveitará para falar com os embaixadores da Venezuela e Nicarágua.

Os protestos contra o governo nicaraguense iniciaram em abril, num primeiro momento contra a reforma da previdência, tendo se transformado a seguir em um pedido de antecipação das eleições. São 351 os mortos, de acordo com cifras de organizações humanitárias locais.

(Com Agências)

 

 

 

 

 

Photogallery

Marcas dos tiros da Igreja da Divina Misericórdia, em Manágua
16 julho 2018, 12:02