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Rafah border crossing between Egypt and Gaza Strip Faixa de Gaza  (ANSA)

Cruz Vermelha: a grave situação humanitária em Gaza

De regresso da Faixa de Gaza, o presidente da Cruz Vermelha Italiana fala sobre a pobreza e destruição que aflige a população da Faixa, dos riscos de radicalização e da importância do trabalho nas organizações não governamentais internacionais.

Cidade do Vaticano

Uma delegação da Cruz Vermelha Italiana e do Crescente Vermelho guiada pelo presidente Francesco Rocca regressou nesta quinta-feira (25/05) de Jerusalém, da Faixa de Gaza. Em Gaza, Ramallah e Hebron, Francesco Rocca encontrou expoentes do Crescente Vermelho palestino engajada na assistência da população local depois dos dias de protesto contra Israel pela “Marcha do Retorno”. Desde o final de março, por mais de um mês, milhares de palestinos manifestaram pedindo para voltar e tomar posse de suas casas perdidas pelos descendentes em 1948 e que hoje se encontram em território israelense.

Faixa de Gaza devastada

O presidente Rocca continua, “Depois dos últimos confrontos com Israel que causaram mortos e feridos, a Faixa de Gaza está devastada tanto no plano humanitário quanto no econômico”. “Visitei muitos feridos nos hospitais. Muitos feridos precisam de reabilitação - acrescenta – com problemas em várias partes do corpo. Somos chamados, como Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, a um grande esforço para ajudar estas pessoas”. Nos Territórios existe apenas um centro de reabilitação, mas não é adequado. Há longas filas de espera para operações cirúrgicas dos feridos nos combates. A capacidade dos hospitais está sobrecarregada pela urgência das necessidades.

O papel do Crescente Vermelho Palestino

“O sistema das ambulâncias, prossegue Rocca, é administrado 90% pelo Crescente Vermelho, e é eficiente. As estruturas de saúde são operativas, mas não há eletricidade. Chega nos hospitais, como nas casas, por poucas horas ao dia”. O presidente fala da falta de combustível, remédios, mas também sublinha a presença de um diálogo aberto com as autoridades israelenses e egípcias para que os caminhões-cisterna mas também os remédios possam entrar na Faixa com maior facilidade.

Os riscos da radicalização

“É uma situação frustrante”, sublinha ainda Rocca, “nota-se a ausência de esperança e onde há ausência de esperança é fácil fomentar fenômenos radicais e extremos. Quando os jovens não vêem nada em seu futuro, estão sem dinheiro e sem trabalho, tudo isso contribui para que a situação seja cada vez mais insustentável”.

 

25 maio 2018, 13:48