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Nos primeiros meses de 2018, mais de mil crianças foram mortas ou feridas na Síria Nos primeiros meses de 2018, mais de mil crianças foram mortas ou feridas na Síria  (AFP or licensors)

A cada ano mais crianças morrem no conflito na Síria

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou dados alarmantes sobre as crianças, as maiores vítimas do conflito na Síria que parece não ter fim. O ano de 2017, em particular, foi trágico para os pequenos.

Cidade do Vaticano

O conflito ininterrupto na Síria em 2017, registrou o maior número de mortes de crianças já registrado, o que corresponde a um aumento de 50% em relação a 2016. E em 2018, somente nos primeiros meses, por volta de mil foram mortas ou feridas.

Diante de um conflito que parece não ter fim, o Unicef lançou um alarme, em particular pela situação das crianças com necessidades especiais, que correm o risco de serem excluídas ou esquecidas.

2017

 

Em 2017, foram registradas 1.271 vítimas entre as crianças: 910 mortos e 351 feridos. Muitos tornaram-se fisicamente incapazes. Outro dado alarmante, é que 17% das vítimas feridas por armas e explosivos, são crianças.

Estima-se que 3,3 milhões de crianças na Síria estejam expostas ao perigo causado pelas minas e artefatos explosivos que permanecem intactos no solo ou escondidos entre os escombros de casas e prédios.

Mais de 1,5 milhões de pessoas vivem atualmente com invalidez permanente provocada pela guerra, entre as quais 86 mil pessoas que perderam habilidade.

48% dos adultos na Síria viram crianças que perderam a capacidade de falar desde o início da guerra.

Os resultados após sete anos de guerra

Após sete anos de guerra, são dramáticos os números sobre a infância:

- 5,3 milhões são as crianças sírias que têm necessidade de assistência humanitária;

- 170 mil são as crianças que vivem em áreas sitiadas;

- 2,8 milhões são as crianças deslocadas internas e 2,6 milhões as refugiadas em países vizinhos.

- 961 crianças foram recrutadas para combater. Em 2017, este número é três vezes maior em relação a 2015.

- quase 10 mil crianças refugiadas sírias estão desacompanhadas ou separadas, e muitas delas são vulneráveis à exploração, incluído o trabalho infantil, pela falta de documentação.

- quase 12% das crianças com menos de 5 anos, na área de Ghouta, sofre de desnutrição aguda, a mais alta taxa registrada desde o início do conflito na guerra.

O uso de armas, explosivos, e os ataques indiscriminados em áreas densamente povoadas, mataram um número sempre maior de crianças, que constituem atualmente um quarto das mortes civis.

Mais de 360 crianças ficaram feridas em 2017, tendo muitas delas ficado com sequelas que as impedem de viver uma vida normal.

Estes números, ou melhor, estimativas, foram apresentados pelas Nações Unidas, que reconhece no entanto, na realidade serem bem maiores.

Mas os dados dramáticos não param por aí. Entre os refugiados sírios no Líbano e Jordânia, 80% dos ferimentos são consequência direta da guerra.

- A falta de acesso a cuidados médicos e psicológicos apropriados, prolongou ou piorou os ferimentos e as condições de invalidez entre as crianças.

- as crianças com necessidades especiais estão expostas a um risco maior de violência e enfrentam dificuldades no acesso a serviços de base, como saúde e educação.

- o risco de violência, exploração, abuso e abandono de crianças com necessidades especiais aumenta quando se verifica a morte ou a separação daqueles que deveriam cuidar delas.

- as famílias que têm crianças com necessidades especiais em um conflito ou em uma crise, muitas vezes não têm meios ou capacidade para fornecer a elas equipamentos de assistência de que têm necessidade.

- os países limítrofes,  frágeis por causa da instabilidade e da estagnação econômica, acolhem mais de 90% de todos os refugiados da Síria. O fluxo de refugiados provocou um colapso no fornecimento de serviços, colocando à prova o acesso das comunidades sírias e aquelas que os acolhem a serviços de base.

Ataques contra hospitais e escolas

 

Os ataques contra estruturas médicas e escolares levou o sistema ao colapso. Em 2017 as Nações Unidas constaram 175 ataques contra estruturas e pessoal médico e escolar.

A crise na Síria não tem precedentes pela complexidade, brutalidade e duração e não pode continuar a ser tratada como tem sido feito até agora.

13 março 2018, 11:45