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Crianças Rohingya Crianças Rohingya   (AFP or licensors)

Milhares de crianças Rohingya são vítimas de tráfico de menores

Mais de 340 mil crianças Rohingya, que estão nos superlotados campos de refugiados Cox’s Bazar em Bangladesh, centro-sul da Ásia, convivem diariamente com o temor das violências. Até agora foram confirmados 28 casos de tráfico de menores. À distância de seis meses do início da escalada de violência em Mianmar, sudeste asiático, novo relatório da ONG Save the Children denuncia as condições das crianças Rohingya que fugiram para Bangladesh.

Mianmar

Homens violentos à espreita na floresta, traficantes de seres humanos que rondam durante a noite, animais selvagens: esses são os maiores medos que as crianças Rohingya enfrentam.

Muitas das crianças presenciaram violências brutais em Mianmar

Uma das análises mais completas sobre a vida dos refugiados nos campos de Cox’s Bazar, segundo a ONG “Childhood Interrupted”, denuncia também que muitos menores, quando ainda estavam em Mianmar, presenciaram violências brutais, desde a morte de membros da família à destruição de suas próprias casas.

No Campo risco de assédios e roubos

Segundo o relatório, a busca de lenha, as más condições das barracas e a falta de acesso à educação são as três maiores causas de apreensão. Também, entre as preocupações manifestadas, há a das jovens que, como explicam os pesquisadores, temem usar os banheiros dos campos por medo de assédio, por isso ficam às vezes horas esperando, até que “todos os homens tenham ido embora”.

Os jovens, ao invés, queixam-se da falta de segurança das próprias barracas, feitas de bambu e plástico. “Às vezes os ladrões entram e roubam nossas coisas. Não temos como fechar as barracas”, conta um jovem refugiado. Quando devem procurar lenha, temem os “homens da floresta” como os chamam – segundo informações obtidas seriam pessoas à espreita nas matas, prontas a agredi-los em continuação -, assim como a presença de animais selvagens como elefantes e cobras. “Todos temos medo na hora de buscar lenha. Uma vez uma garota foi estuprada à noite ao ir buscar lenha”, recorda uma menina.

O medo do tráfico de menores

O risco de ser vítima do tráfico de menores é uma das maiores preocupações indicadas pelas crianças: algumas afirmam que passam muito tempo dentro de casa por causa do medo de ficarem expostas e quando saem procuram fazer isso em grupos. Um temor compartilhado também pelas mães. Uma delas, entrevistada, alerta para o fato de que “os sequestradores estão nos arredores, prontos para pegar nossas crianças”. Os casos confirmados de tráfico de menores são 28 até agora, e ocorreram dentro dos campos de Cox’s Bazar, todavia, os agentes acreditam que o número pode ser maior.

Os melhoramentos nos Campos

As crianças ouvidas evidenciaram também alguns melhoramentos já ocorridos: um deles é a chamada à oração feita cinco vezes por dia, o que as ajuda a sentirem-se parte da comunidade; também sentem-se confortadas pela presença das organizações humanitárias e do exército de Bangladesh.

 Medidas para enfrentar os problemas indicados pelas crianças

Melhorar o patrulhamento de segurança da comunidade que já está presente nos campos, mas também a promoção de maior consciência sobre os riscos ligados ao tráfico de seres humanos, para prevenir casos e para garantir que informações detalhadas contrastem com especulações e medos infundados.

Além disso, as agências humanitárias encorajam uma maior atenção às atividades das crianças e suas denúncias para não se perderem entre as barracas. A última medida proposta é a de garantir a participação dos adolescentes nas atividades e iniciativas que promovam a sua segurança.

 

 

 

26 fevereiro 2018, 15:25