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Patriarca greco-ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, Yohanna X Yazigi, preside celebração da Sexta-feira da Paixão na Igreja de Santo Elias, em Aleppo Patriarca greco-ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente, Yohanna X Yazigi, preside celebração da Sexta-feira da Paixão na Igreja de Santo Elias, em Aleppo  (AFP or licensors)

Em Aleppo, nomeado sucessor do arcebispo greco-ortodoxo desaparecido há 8 anos

O metropolita Mar Gregorios Yohanna Ibrahim foi sequestrado em abril de 2013, junto com Boulos Yazigi. Desde então nunca mais se teve informações sobre o destino dos dois arcebispos.

O Sínodo do Patriarcado Greco-ortodoxo de Antioquia, liderado pelo patriarca Yohanna X Yazigi, nomeou o bispo Efrem Maalouli como o novo metropolita da Arquieparquia Greco-ortodoxa de Aleppo e Alexandretta.

A nomeação também é significativa à luz do fato de que a sede episcopal designada estava vacante há mais de oito anos, após o desaparecimento de Boulos Yazigi, o metropolitano greco-ortodoxo de Aleppo, ocorrido em 22 de abril de 2013 junto com Mar Gregorios Yohanna Ibrahim, o metropolitano siro-ortodoxo da mesma metrópole síria.

O desaparecimento dos dois metropolitas de Aleppo, ocorrido no auge da guerra civil síria, é um dos acontecimentos mais conhecidos e controversos que marcaram nos últimos anos o caminho das comunidades eclesiais autóctones presentes na Síria desde a época da pregação apostólica.

Os dois bispos metropolitas de Aleppo foram sequestrados na área entre a metrópole síria e a fronteira com a Turquia. O carro em que os dois bispos viajam foi bloqueado pelos sequestradores e o motorista - o católico de rito latino Fatha' Allah Kabboud, pai de três filhos - foi baleado na cabeça.

 

O sequestro nunca foi reivindicado por nenhum grupo, e desde então nenhum detalhe mais preciso sobre os motivos do sequestro foi levantado, tampouco o destino dos dois clérigos. Por outro lado, ao longo dos anos, multiplicaram-se os boatos e rumores sobre o desfecho do caso, e que nunca puderam ser comprovados.

Já em agosto de 2013, os expoentes da Igreja Siro-ortodoxa tiveram que emitir uma declaração rejeitando com indignação as insinuações difundidas por alguns meios de comunicação locais que indicavam possíveis rivalidades e invejas intra-eclesiásticas entre as causas do sequestro.

Seis meses após o desaparecimento dos dois bispos, o general Abbas Ibrahim, chefe da Segurança Geral do Líbano, chegou ao ponto de revelar que o local onde os dois bispos sequestrados estavam sendo mantidos havia sido identificado, e "contatos indiretos" haviam começado com os sequestradores para obter sua libertação. Estas revelações não foram seguidas por provas concretas.

Em janeiro de 2020, uma investigação realizada por uma equipe de investigação liderada por Mansur Salib, um pesquisador sírio que vive nos Estados Unidos, e que foi divulgada pela plataforma digital medium.com, apresentou uma reconstrução do caso segundo a qual os dois arcebispos haviam sido sequestrados e depois mortos por militantes de Nour al-Din al-Zenki, um grupo independente envolvido no conflito sírio, financiado e armado durante o conflito tanto pela Arábia Saudita como pelos Estados Unidos.

Segundo os autores da investigação, em 22 de abril de 2013, os dois arcebispos haviam deixado Aleppo em uma caminhonete Toyota com a intenção de negociar a libertação de dois sacerdotes, o católico armênio Michael Kayyal e o greco-ortodoxo Maher Mahfouz, que haviam sido sequestrados por grupos jihadistas anti-Assad, que então controlavam os territórios ao leste da metrópole síria.

Mar Gregorios e Boulos Yazigi, vestidos com roupas civis, teriam caído no que a reconstrução apresentou como uma verdadeira armadilha, alegando que os dois sacerdotes Kayyal e Mahfouz haviam sido sequestrados precisamente para serem usados como "isca" para atrair os dois arcebispos.

A investigação publicada no site medium.com mencionou o envolvimento no sequestro de pessoas ligadas ao MIT (serviço de inteligência turco). A reconstrução relatou notícias já conhecidas, juntamente com inferências feitas sem evidências objetivas, incluindo a sugestão de que George Sabra, um líder cristão que sempre esteve próximo dos grupos de oposição ao governo em Damasco, também esteve envolvido no sequestro dos dois metropolitas.

Entre outras coisas, os autores da investigação alegavam, apresentando indícios pouco confiáveis ou agregando informações sem provas objetivas, que os dois arcebispos haviam sido torturados e que um deles havia sido tratado em uma unidade de saúde em Antakya, na província turca de Hatay, em 2015. Na seção final, a investigação alegou que os dois bispos foram mortos e sepultados em um local não especificado em dezembro de 2016, quando áreas a leste de Aleppo estavam sendo recapturados pelo exército sírio.

O inquérito publicado em janeiro de 2020, a bem da verdade, não forneceu nenhum dado conclusivo para esclarecer o destino dos dois arcebispos sequestrados. Mesmo as alegações de sua morte nas mãos da milícia nunca deram nenhuma indicação concreta de como e onde os corpos das duas vítimas poderiam ser encontrados.

Nos últimos oito anos, a memória dos dois bispos sequestrados foi mantida viva por meio de procissões, vigílias de oração, declarações dos bispos e manifestações públicas. Agora, a decisão de nomear um novo arcebispo em Aleppo pelo Patriarcado Greco-ortodoxo de Antioquia, liderado pelo Patriarca Yohanna X Yazigi - irmão do metropolita Boulos, desaparecido -, também indica um desejo de seguir em frente, e de curar as feridas que o conflito sírio infligiu na vida cotidiana das comunidades eclesiais.

A Arquidiocese Greco-ortodoxa de Aleppo também exerce jurisdição sobre a região turca de Hatay, incluindo as cidades de Antakya (antiga Antioquia sobre os Orontes) e Iskenderun (antiga Alexandretta).

A arquidiocese Siro-ortodoxa síria de Aleppo ainda é formalmente liderada por Mar Gregorios Yohanna Ibrahim, o metropolita que foi sequestrado junto com Boulos Yazigi, em abril de 2013.

*Com Agência Fides

15 outubro 2021, 16:34