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Papa Francisco com presidente Rajoelina na Viagem Apostólica a Madagascar, em setembro de 2019 Papa Francisco com presidente Rajoelina na Viagem Apostólica a Madagascar, em setembro de 2019  (Vatican Media)

Complô contra o presidente de Madagascar: bispos reiteram defesa da paz e estabilidade

Seis indivíduos, inclusive dois cidadãos franceses, foram presos pelas forças de segurança malgaxes pelo suposto envolvimento na tentativa de ataque contra o presidente Rajoelina.

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“A Igreja Católica em Madagascar ‘não entra em política’, mas se limita a oferecer apoio espiritual e conselhos a todos os membros da sociedade, inclusive aos líderes políticos, pelo bem do país”. Foi o que afirmaram os bispos de Madagascar ao encontrar nesses dias o presidente do país, Adry Rajoelina, no contexto da tentativa de assassinato do Chefe de Estado e de outros membros do governo, revelada em 21 de julho pelo Ministério Público de Antananarivo.

Seis indivíduos, inclusive dois cidadãos franceses, foram presos pelas forças de segurança malgaxes pelo suposto envolvimento na tentativa de ataque contra o presidente Rajoelina, cujos detalhes ainda não foram esclarecidos.

O encontro dos bispos com o mandatário – diz a agência ACI Africa - foi realizado após a convocação de Dom Odon Marie Arsène Razanakolona, arcebispo da capital, interrogado pelos investigadores sobre suas relações com o presumível organizador do complô, Paul Maillot Rafanoharana, soldado franco-Malgaxe, que diz ser "conselheiro do arcebispo de Antananarivo".

A delegação de prelados, liderada pelo presidente da Conferência Episcopal de Madagascar (CEM), cardeal Désiré Tsarahazana, explicou a Rajoelina que, "contrariamente do que foi veiculado pelas redes sociais, a Igreja não apoia nenhum candidato", porque sua missão é “oferecer apoio espiritual e conselho aos líderes sobre a atitude correta a ser adotada para garantir a paz e estabilidade social no país”.

Durante o encontro, os bispos aproveitaram para tratar também sobre alguns problemas sociais e econômicos do país, entre os quais a pandemia da Covid-19, que causou o aumento dos preços dos bens de primeira necessidade, insegurança e corrupção. Por isso, incentivaram o Presidente a continuar a sua difícil função. Por outro lado, Madagascar enfrenta uma grave crise alimentar, sobretudo no sul do país, atingido pela fome e a seca.

Segundo o UNICEF e o Programa Mundial de Alimentos (PAM), mais de um milhão de malgaxes encontram-se em condições de insegurança alimentar. Pelo menos meio milhão de crianças, menores de 5 anos, serão atingidas pela grave desnutrição, inclusive cerca de 110 mil delas sofrem pelas difíceis condições, com irreversíveis prejuízos para o seu crescimento e desenvolvimento. Trata-se de uma situação definida "catastrófica", que, sem a devida intervenção da Comunidade internacional, está para se agravar nos próximos meses.

Recordamos que Andry Rajoelina, ex-prefeito da capital Antananarivo, encontra-se em seu segundo mandato como presidente do país. Em 17 de março de 2009 foi posto à frente de um governo de transição, após um golpe militar e violentos confrontos de rua contra o então presidente, Marc Ravalomanana, que permaneceu no cargo até 25 de janeiro de 2014.

O presidente Adry Rajoelina foi reeleito nas presidenciais de 2018, e tomou posse em 19 de janeiro de 2019.

Vatican News Service - LZ

03 agosto 2021, 11:39