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Mona Jules, sobrevivente de uma escola residencial, durante apresentação da descoberta de 215 sepulturas anônimas na Indian Residential School em Kamloops, British Columbia. (REUTERS / Jennifer Gauthier) Mona Jules, sobrevivente de uma escola residencial, durante apresentação da descoberta de 215 sepulturas anônimas na Indian Residential School em Kamloops, British Columbia. (REUTERS / Jennifer Gauthier)  ((c) Jennifer Gauthier 2021)

Escolas residenciais indígenas: iniciativas de arquidiocese para a cura e a reconciliação

Ao reconhecer que o caminho da reconciliação exigirá anos de trabalho, a Arquidiocese de Toronto reafirma, com as palavras ditas em 1991 pelos Missionários Oblatos de Maria Imaculada no Canadá, que a violência e os maus-tratos perpetrados nas escolas residenciais indígenas são "imperdoáveis e intoleráveis" e que a própria existência desses institutos era uma violência por si só.

Lisa Zengarini  - Vatican News

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Multiplicam-se no Canadá as iniciativas de dioceses para responder à tragédia das escolas residenciais indígenas, que causou horror e indignação com a descoberta de centenas de sepulturas anônimas em vários locais onde antes existiam esses institutos.

Depois de ter publicado um documento nos últimos dias para responder às perguntas de muitos fiéis sobre este capítulo sombrio da história do país - e que envolve também responsabilidades da Igreja - a Arquidiocese de Toronto anuncia três novas iniciativas correspondentes a outras tantas prioridades. Trata-se de projetos educacionais voltados a informar o clero e os fiéis sobre a "trágica herança das escolas residenciais".

De iniciativas de apoio psicológico e espiritual aos sobreviventes e àqueles que ainda sofrem traumas herdados de gerações que viveram essa experiência ao lançamento de uma campanha de arrecadação de fundos para financiar os “contínuos esforços de cura e reconciliação”.

“Embora a arquidiocese não administrasse escolas residenciais - explica um comunicado -, temos a responsabilidade de tomar medidas que sejam verdadeiramente significativas para caminhar com as comunidades indígenas na via da reconciliação e ajudar a curar o trauma sofrido no sistema de escolas residenciais”.

 

A Igreja em Toronto explica que criou grupos de trabalho abertos à contribuição das comunidades indígenas, para entender como ajudar e orientar essas intervenções e iniciativas.

Quanto aos projetos educativos, seu objetivo é fazer compreender como esta tragédia continua a ter impacto nas populações indígenas e a promover uma maior "compreensão da espiritualidade indígena".

Em relação ao apoio psicológico e espiritual, foi proposta a criação de "círculos de cura, aconselhamento pessoal ou em grupo, oficinas, sessões de escuta, momentos de oração, serviços de reconciliação".

Por fim, no que tange ao financiamento para este processo de cura e reconciliação - enquanto se aguardam os detalhes para as próximas semanas - a arquidiocese já estabeleceu o fundo Healing & Reconciliation ("Cura e Reconciliação") para aqueles que expressaram o desejo de contribuir imediatamente. As doações podem ser feitas on-line, por telefone ou às paróquias.

Ao reconhecer que o caminho da reconciliação exigirá anos de trabalho, a Arquidiocese de Toronto reafirma, com as palavras ditas em 1991 pelos Missionários Oblatos de Maria Imaculada no Canadá, que a violência e os maus-tratos perpetrados nas escolas residenciais indígenas são "imperdoáveis ​​e intoleráveis" e que a própria existência desses institutos era uma violência por si só.

Estima-se que, entre 1883 e 1996, 150.000 crianças indígenas foram arrancadas de suas famílias e forçadas a frequentar escolas residenciais federais como parte da política de assimilação indígena do governo federal.

 

Em 2015, após sete anos de pesquisas, a Comissão para a Verdade e Reconciliação do Canadá divulgou um relatório que revela em detalhes os maus-tratos e as más condições com que essas crianças foram forçadas, várias das quais - pelo menos 4 mil - encontraram a morte por doenças, fome, frio e outras causas que ainda precisam ser esclarecidas.

Nas últimas semanas, os bispos canadenses intervieram em várias ocasiões para expressar sua solidariedade e a vontade da Igreja de colaborar com as First Nations (“Primeira Nações”) na busca da verdade e da justiça.

Um convite às autoridades políticas e religiosas do Canadá para "se empenharem humildemente em um caminho de reconciliação e cura" também foi dirigido pelo Papa Francisco no Angelus em 6 de junho, após a descoberta das covas anônimas na escola residencial Kamloops, na Colúmbia Britânica.

A recordar que, de 17 a 20 de dezembro próximo, uma Delegação dos povos indígenas do Canadá estará no Vaticano para encontrar Francisco. A visita contará com a presença de um grupo de Elders/Knowledge Keepers ("Anciões / Guardiões do Conhecimento”), sobreviventes de escolas residenciais e jovens de todo o país, acompanhados por um pequeno grupo de bispos e líderes indígenas.

Vatican News Service – LZ

21 julho 2021, 11:27