Busca

Vatican News
A Comissão Episcopal de Justiça e Paz convida os católicos japoneses a "demonstrarem grande interesse" por esta questão. A Comissão Episcopal de Justiça e Paz convida os católicos japoneses a "demonstrarem grande interesse" por esta questão.   (AFP or licensors)

Construção de base em Okinawa: bispos japoneses pedem respeito às vítimas da guerra

A batalha de Okinawa foi uma das mais ferozes e sangrentas de toda a campanha no Extremo Oriente. Estima-se que foram 150 mil as vítimas, incluindo soldados e habitantes da ilha no Pacífico.

Vatican News

Ouça e compartilhe!

76 anos após a batalha de Okinawa, entre as forças armadas japonesas e estadunidenses, a ilha japonesa está no centro de novas tensões: uma nova base militar dos Estados Unidos está sendo construída em Henoko, na costa nordeste do território.  Mas o canteiro de obras é sobre os restos mortais de mais de 200.000 vítimas da batalha ocorrida em 1945.

Os restos mortais não pertencem apenas a soldados japoneses, mas também a soldados estadunidenses, coreanos, além de muitos civis, incluindo muitas crianças. Há algum tempo, os habitantes da ilha, juntamente com as autoridades locais, pedem ao governo de Tóquio a suspensão das obras, em sinal de respeito às vítimas.

A Conferência Episcopal japonesa também aderiu ao apelo, com uma nota da Comissão Justiça e Paz, guiada por Dom Bernard Taijii Katsuya e Dom Wayne Francis Berndt. “Os restos mortais dos que perderam a vida na batalha de Okinawa - diz o comunicado - são um sinal de esperança pela paz. Ninguém pode negar que é intolerável e irracional que as famílias das vítimas vejam os restos mortais de seus entes queridos tratados com tanto desprezo”.

Os prelados também recordam que há algum tempo se desenvolve na ilha uma atividade de voluntariado para recolher os restos mortais das vítimas da guerra e devolvê-los às suas famílias: este é um gesto importante - explicam - porque não expressa apenas o sentimento comum da tutela da dignidade humana, mas também aquele especificamente católico da "sacralidade do corpo". Pelo contrário, instalar uma base militar “à revelia das vítimas da guerra indica um terrível desprezo pela dignidade humana e pela santidade da vida”.

“Okinawa já testemunhou muitas mortes” por causa da Segunda Guerra Mundial, continua a nota dos bispos, e agora “é mais uma vez obrigada a se sacrificar por causa das políticas de segurança do Japão e dos Estados Unidos”.

Neste sentido, a Comissão Episcopal de Justiça e Paz exorta o governo japonês a interromper a construção da base militar e, ao mesmo tempo, convida os católicos a "demonstrarem grande interesse" por esta questão.

A batalha

 

A Batalha de Okinawa, uma das mais sangrentas e ferozes de toda a campanha no Extremo Oriente, foi travada na ilha japonesa de mesmo nome entre abril e junho de 1945. Foi a maior operação anfíbia realizada na frente do Pacífico pelos Aliados durante a II Guerra Mundial.

Ao tentar tomar a ilha, o 10º Exército do general Simon Bolivar Buckner Jr. dos EUA encontrou forte resistência por parte do 32º Exército Japonês do tenente general Mitsuru Ushijima, que em 1944 organizou um intrincado complexo defensivo em cavernas fortificadas, cuja peça central era o Castelo de Shuri. As divisões dos Estados Unidos estiveram engajadas de 1º de abril a 22 de junho para rastrear os japoneses, tomar Shuri à custa de grandes sacrifícios e perseguir os soldados imperiais sobreviventes no extremo sul de Okinawa, onde a maioria deles preferia o suicídio à rendição. A campanha, portanto, terminou com a destruição quase completa da guarnição japonesa e graves perdas entre as fileiras dos Estados Unidos (equivalente a cerca de 30% das tropas); além disso, pela primeira vez na frente do Pacífico, houve o envolvimento direto da população civil, que estava fortemente envolvida nas operações de guerra.

Estima-se que houve cerca de 150.000 vítimas de Okinawa, incluindo milhares de cidadãos que cometeram suicídio para não cair nas mãos de soldados estadunidenses, retratados como demônios pela propaganda japonesa. O tamanho das perdas e da destruições deve ser atribuído ao uso massivo que ambos os lados fizeram da artilharia, razão pela qual, no pós-guerra, a batalha passou a ser conhecida como “Tufão de aço” (Typhoon of Steel, em inglês, e tetsu no ame (鉄 の 雨, "chuva de aço") ou  tetsu no bōfū (鉄 の 暴風, "vento impetuoso de aço") em japonês.

Contemporaneamente à batalha terrestre, travaram-se violentos confrontos aero-navais que custaram pesadas perdas para ambos os lados; os japoneses em massa empregaram as unidades kamikaze nas chamadas operações Kikusui, que causaram sérios danos às forças navais americanas, mas não mudaram o resultado da batalha.

Vatican News Service - IP

03 maio 2021, 07:46