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Canadá. Bispos do Québec: rezar e agir contra a violência às mulheres

As igrejas do Québec tocaram seus sinos para recordar as mulheres vítimas de violência. Durante a Via-Sacra, as comunidades recitaram uma intenção especial de oração: "Aos pés da Cruz, oremos pelas mulheres e meninas de nossa sociedade que sofreram humilhações, espancamentos e violência até sua morte. Elas carregaram a cruz como Jesus. Denunciamos todos os abusos, inclusive os cometidos dentro da Igreja. Rezamos para que nossa Igreja e nossa sociedade sejam um modelo de proteção, prevenção e paz", escrevem os bispos

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Entre fevereiro e março, no Québec, no Canadá, sete mulheres foram mortas por seus cônjuges ou parceiros, o que eleva para 14 o número total de feminicídios perpetrados desde o início da pandemia da Covid-19: parte deste dado o comunicado divulgado, dias atrás, pela Conferência Episcopal do Québec, através do Conselho Igreja e Sociedade.

Reconstruir a confiança

"Mesmo uma só vítima já é demais", diz a nota. "Como pessoas de fé, unimos nossas vozes às de organizações que agem contra a violência conjugal, para pedir ao governo nacional que aja, implementando as 190 recomendações contidas no Relatório 'Reconstruir a confiança' e financiando adequadamente sua implementação."

“Apresentado oficialmente em 15 de dezembro de 2020, esse Relatório foi redigido ao longo de aproximadamente dois anos de trabalho pelo Comitê de Apoio às Vítimas de Violência Sexual e Doméstica - formado por 21 especialistas - que foi comissionado pelo Executivo em março de 2019.”

Seu objetivo é delinear as questões a serem consideradas a fim de estabelecer novas medidas e oferecer serviços mais eficazes no sistema de justiça para as vítimas de tais atos violentos.

Transformar a situação atual é possível

"Acreditamos que é possível - escrevem os bispos -, transformar a situação atual para que a violência contra as mulheres cesse e elas sejam acreditadas e protegidas, junto com suas crianças."

Também é central o apelo dos bispos para que "as mulheres tenham acesso aos recursos de que necessitam", e os homens violentos "sejam acompanhados por serviços específicos para prevenir agressões e reduzir o risco de reincidência".

Jesus deu dignidade às mulheres marginalizadas

O exemplo a ser seguido, sublinharam os bispos do Québec, é o de Jesus, Aquele que "deu dignidade às mulheres marginalizadas de seu tempo e ensinou que o amor ao próximo conta mais" do que qualquer outra coisa. Sua Ressurreição, ademais, "alimenta a esperança diante da violência e do mal presentes no mundo".

Deve-se ressaltar que a nota episcopal foi acompanhada de algumas iniciativas específicas: por exemplo, em 31 de março, as igrejas do Québec tocaram seus sinos para recordar as mulheres vítimas de violência; em 2 de abril, Sexta-feira Santa, durante a Via-Sacra, as comunidades recitaram uma intenção especial de oração:

"Aos pés da Cruz, oremos pelas mulheres e meninas de nossa sociedade que sofreram humilhações, espancamentos e violência até sua morte. Elas carregaram a cruz como Jesus. Denunciamos todos os abusos, inclusive os cometidos dentro da Igreja. Rezamos para que nossa Igreja e nossa sociedade sejam um modelo de proteção, prevenção e paz."

Recordada também tragédia das mulheres aborígenes

A oração especial também se deteve na tragédia das mulheres aborígenes: "Muitas delas desapareceram ou foram assassinadas - foi lembrado. Outras sofrem violência e discriminação, por exemplo, no campo da assistência médica".

Por esta razão, foi solicitado que se encorajasse "a escuta, o diálogo e a eliminação do racismo". Por fim, um pensamento foi dirigido a todas "as vítimas do tráfico de pessoas, das guerras e da perseguição religiosa" e uma oração foi feita para que "as religiões possam ser um instrumento de paz e de unidade".

Vatican News – IP/RL

13 abril 2021, 11:07