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Líderes católicos do Sri Lanka pedem justiça e verdade sobre atentados de 2019

No domingo, 7 de março, foram realizadas manifestações em frente à igrejas de todo o país pedindo justiça, inclusive com a participação de budistas. O relatório divulgado pelo governo em 1° de fevereiro não respondeu aos questionamentos das vítimas dos atentados e da Igreja local.

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“Não deixaremos de pedir verdade e justiça sobre os atentados de 2019. Que as autoridades se empenhem em encontrar os responsáveis ​​e mandantes dos massacres”. Foi o que afirmou à Agência Fides o arcebispo de Colombo, cardeal Malcolm Ranjith, reiterando ao governo o pedido urgente de que sejam encontrados os autores da série de atentados na Páscoa de 2019, que deixou 279 mortos.

“É necessário – disse ele - determinar quem realmente está por trás dos ataques. Este não é um problema apenas para os católicos. Todos os cingaleses sofreram após este ataque”, disse o purpurado, enquanto em 7 de março os fiéis católicos realizavam protestos silenciosos em frente às igrejas da capital.

Vários monges budistas se uniram aos líderes católicos e outros manifestantes do lado de fora da Igreja de Santo Antônio, um dos locais atacados, carregando faixas que pediam justiça. "Quem conduziu a operação nos bastidores?" e "Que a lei seja aplicada contra aqueles que foram julgados negligentes", eram alguns dos dizeres impressos nas faixas.

Na Igreja de São Sebastião, em Negombo - área predominantemente católica ao norte de Colombo, onde 115 pessoas foram mortas nos ataques - os paroquianos compareceram à Missa no domingo, 7 de março, vestidos de preto e segurando cartazes do lado de fora da igreja, em um protesto silencioso. Denominado “Black Sunday".

 

O objetivo principal da iniciativa era mostrar ao povo e aos governantes, de que não foi feita justiça às vítimas dos atentados na Páscoa, explicou o bispo auxiliar Dom Maxwell Silva. Já a liderança leiga Grace Deshapriya, disse à Fides lamentar que “o relatório de investigação não tenha conseguido chegar às pessoas que estavam por trás dos atentados. Não conseguiu fazer justiça às vítimas que perderam suas vidas nos atentados e às suas famílias”.

A Igreja no Sri Lanka constata com amargura que ninguém foi oficialmente processado pelos atentados contra três hotéis e três igrejas em 21 de abril de 2019, que mataram 279 pessoas, embora uma investigação local tenha descoberto que seguidores de um grupo radical local estavam envolvidos.

Na semana passada, vários líderes católicos expressaram publicamente sua insatisfação com a falta de progresso na investigação. "Se as autoridades não fornecerem respostas sobre quem está por trás dos ataques até o segundo aniversário dos ataques, vamos convocar uma campanha nacional de exposição de bandeiras pretas em nível nacional”, disse o cardeal Ranjith. A campanha vai envolver os cidadãos do Sri Lanka, convidando-os a ostentar uma bandeira preta sobre suas casas em protesto, explicou.

O Relatório final da Comissão Presidencial criada pelo ex-presidente Maithripala Sirisena em 2019 para investigar os ataques - um documento de 472 páginas e 215 anexos - foi entregue ao atual presidente, Gotabaya Rajapaksa, no dia 1° de fevereiro, e segundo informado pelo Ministro de Comunicação Social e informações, Keheliya Rambukwella, em breve será discutido no governo.

Imediatamente após os ataques, foi iniciada uma investigação pelo ex-presidente Maithripala Sirisena. Em relatório de investigação divulgado no mês passado, afirma-se que o próprio ex-presidente e os chefes de inteligência deveriam ser acusados ​​por não terem evitado os ataques, apesar de alguns alertas emitidos por serviços de inteligência da Índia.

Em janeiro de 2021, o Departamento de Justiça dos EUA acusou três cingaleses de apoiar o terrorismo por sua suposta participação nos ataques, reivindicados pelo grupo ISIL (ISIS). Todos os três estão sob custódia no Sri Lanka, mas não foram acusados ​​localmente. Cerca de 45 estrangeiros, incluindo cinco estadunidenses, morreram nos atentados.

Nesse meio tempo, se procurou reconstruir as casas destruídas pelas explosões, com intervenções nos bancos, para se obter uma dilatação nos prazos pata pagamento de hipotecas e assistência sanitária às pessoas que ficaram durante os ataques.

*Com Agência Fides

09 março 2021, 14:22