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Argentina. Pastoral Aborígene: os indígenas são vítimas da "cultura do descarte"

"Compartilhamos o grito deles pelo respeito por seus territórios, pelo direito à educação indígena, saúde, economia, participação, autonomia, identidade e autodeterminação", afirma a Pastoral aborígene, que condena vigorosamente "a discriminação, maus-tratos, repressão" e "as expulsões violentas e injustas". São "atos inadmissíveis numa sociedade e num país democrático nos quais os direitos dos povos nativos foram reconhecidos e, apesar disso, são violados sobretudo por aqueles que deveriam garanti-los", destaca a Pastoral aborígene

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Os povos indígenas da Argentina são vítimas da indiferença, da "cultura do descarte" e do desperdício: esta é a forte denúncia da Equipe Nacional da Pastoral Aborígene (Endepa) do país.

Palavras claras contidas numa declaração divulgada em 8 de março ao término da XVI Assembleia do organismo, durante a qual refletiram "sobre o sofrimento vivido hoje pelos povos nativos da Argentina".

Violação dos direitos por aqueles que deveriam garanti-los

"Compartilhamos o grito deles pelo respeito por seus territórios - sublinha a Endepa -, pelo direito à educação indígena, saúde, economia, participação, autonomia, identidade e autodeterminação".

Condenam vigorosamente "a discriminação, maus-tratos, repressão perpetrada pelo Estado" na Província de Formosa, e "as expulsões violentas e injustas" iniciadas na Província de Jujuy.

São "atos inadmissíveis numa sociedade e num país democrático - destaca a Pastoral aborígene - nos quais os direitos dos povos nativos foram reconhecidos e, apesar disso, são violados sobretudo por aqueles que deveriam garanti-los".

Salvaguarda da Criação, luta pela vida diz respeito a todos

Em seguida, a Equipe Nacional da Pastoral Aborígene expressa particular preocupação com "a marginalização e a violência causada pelos projetos de mineração que estão se multiplicando em todo o território nacional" argentino.

Trata-se de uma proliferação prejudicial, desejada por uma "política irresponsável", à qual a Endepa se opõe firmemente, rejeitando "o desmatamento irracional de várias províncias, assim como a promoção de um projeto de mineração no planalto de Chubut".

Aliás, a Pastoral aborígene reitera ser "solidária com a incansável resistência dos povos indígenas", pois "sua luta em defesa dos recursos hídricos é uma luta pela vida que deve dizer respeito a todos", em nome da salvaguarda da Criação.

Situação agravada pela crise pandêmica da Covid-19

Ademais, oprimidos por inúmeros "atos de submissão", os nativos veem sua situação piorar "no contexto da pandemia da Covid-19", que na Argentina causou até agora 2,16 milhões de infecções e mais de 53 mil mortes.

“A Pastoral aborígene eleva sua voz contra 'a devastação de nossa mãe terra, a discriminação e a destruição das culturas indígenas', cujos povos não veem reconhecida sua 'sacrossanta dignidade humana', acabando por ser tratados como 'um surplus eliminável'.”

Ao invés, "sem dúvida, sua existência e sua diversidade são vitais na construção de um mundo mais justo ao qual todos nós aspiramos", reafirma a Equipe Nacional da Pastoral Aborígene.

Humanidade deve "curar suas desarmonias"

"Solidariedade e respeito aos direitos e multietnicidade" são fundamentais, reitera o organismo pastoral, junto com a esperança que sempre permanece, "mesmo diante de um sistema opressivo e hegemônico".

Daí, a esperança da transformação de "um sistema patriarcal de exclusão e colonial", pois a humanidade deve "curar suas desarmonias".

"Mais uma vez - conclui a mensagem -, reafirmamos nosso compromisso de acompanhar os povos indígenas na luta para reivindicar seus direitos e territórios, com profundo respeito por sua visão de mundo", porque "chegou a hora de responder com justiça e paz a seu clamor por um mundo de múltiplas faces!"

Vatican News – IP/RL

12 março 2021, 11:56